" Bird of prey flying high, take me on your flight "

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Meu dia

Sabes, tenho uma coisa para te contar. Não te preocupes, não aconteceu nada que mereça preocupação; apenas quero contar-te uma coisa.
Como todos os dias, levantei-me da minha cama, ensonada e sem vontade de começar um novo dia; casa-de-banho, quarto, cozinha, casa-de-banho, a rotina a que já tanto me habituei; beijo de adeus, chaves do carro na mão, trânsito, trabalho.
Tanta confusão! Se há coisa com que ainda não consigo viver é com esta constante confusão, poluição sonora a elevados níveis, um stress (palavra com uma conotação tão negativa...) enorme! Quem diria que crescer e ser adulto tinha destas coisas? Quando era pequena, queria ser adulta para fazer o que queria, viver no campo sem preocupações, passear quando quisesse... Ah!...Quem diria que crescer seria tão diferente?
No trabalho, sabes o que faço: ando de um lado para o outro, procurando a melhor informação, estudando, escrevendo à pressa para cumprir prazos. Sim, faço o que gosto, e quantos não têm esse privilégio! Mas também sabes o que me custa ter o prazer de viver da minha escrita, o meu sonho.
Apesar de nunca ter um dia igual neste jornal infernal, vi-me presa numa rotina. Não sei como, agora todos os meus dias me paracem iguais; um frequente dejá vu!
Sinto falta de poder chegar a casa cedo, antes de chegares, fazer o jantar e, enquanto comíamos, podia falar-te sobre o meu dia, sobre o mexerico que ouvi na rua, sobre um filme que agora vai estrear e achei interessante. Depois, tu podias dizer-me como correu o teu dia e combinava-mos uma ida ao teatro. Sinto falta de ir ao teatro...
Há quanto tempo não sei nada sobre o teu dia-a-dia? Há quanto tempo que não saímos desta rotina maluca que nos prendeu nas suas teias sem possibilidade de escapar?
E hoje ela mudou. Hoje, a teia quebrou-se. Hoje, consegui chegar a casa cedo, fazer-te o jantar e ficar à tua espera; consegui ver o teu sorriso ao ver-me, surpreendido e, ao mesmo tempo, feliz!
Como antigamente, antes de tudo mudar, falámos sobre as maiores banalidades que duas pessoas podem falar (já nem me lembrava do quão bom que era) e combinámos ir ao teatro na próxima sexta-feira.
Mas sabes do que gostei mais em todo este dia? Sabes o que me fez achar este dia tão diferente e especial? Quando, no fim, encostas-te os lábios ao meu ouvido e disses-te "Amo-te".
Essa pequena palavra, agora tão trivial e tantas vezes sem sentido, saiu dos teus lábios como da primeira vez. Hoje, não foi apenas mais uma palavra por ti dita; senti-a, como há muito não a sentia!
Como uma pequena palavra pode pôr-nos com um sorriso na cara!...
Era isto que te queria contar. Sabes porquê? Para te mostrar que, num dia cinzento, ainda há alguém que pode afastar as núvens. Porque, no meio de toda a confusão da minha rotina, a partir de agora sei que, só para ver o teu sorriso, vou fazer um esforço para e fazer o jantar.

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