" Bird of prey flying high, take me on your flight "

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Dei por mim a pensar por que é que decidi escrever num blog... Não sei bem...
Estou rodeada por cadernos e caderninhos repletos de letras, palavras, frases interligadas. Tanto ouvi falar em blogs que me me apeteceu.
E vou deixando por aqui um pedaço de mim todas as vezes que escrevo, para alguém chegar e conhecer esse pedacinho.
Talvez tenha sentido necessidade de deixar de esconder os cadernos. É, deve ter sido isso.
Oh well, não que agora possa voltar atrás. Já aqui estou, levo as coisas até ao fim. Mas será que haverá um fim?
Não sei... O futuro o dirá.

domingo, 27 de julho de 2008

O apogeu da tentação


Ontem, mais do que nos outros dias, passei uma tarde bastante pachorrenta. Tanto que, quando dei por mim, tinha adormecido!
Talvez por isso tenha querido dirigir-me ao Almada Forum com a minha irmã depois do jantar.
Os centros-comerciais não são propriamente o meu lugar preferido, mas quem não gosta da sua voltinha por entre infindáveis corredores com gente apressada aos encontrões e o som de milhares de vozes a comunicarem, já para não falar das lojas de um lado e do outro?
É debaixo do tecto destes edifícios que encontramos a supremacia do consumismo, com lojas de tudo e mais alguma coisa! É paragem obrigatória para a compra de qualquer produto, do mais selectivo e raro ao mais banal. Ontem, apeteceu-me ir, depois de uma tentativa falhada de apanhar ar puro, indo comer um gelado à Costa de Caparica. Então, deixei de lado a entrevista com o Jon Bon Jovi que estava a ler e entrei no carro.
Ahhh, o Centro Comercial!... Somos maravilhados com as suas luzes e magnificência, senti-mo-nos tentados a entrar e gastar (pormenor importante) em cada porta. Para além disso, é lugar prefeito para encontrar todo o tipo de pessoas, desde o "gajo normal" à famosa "tia de Cascais" (isto se a Luis Vitton da Av. da Liberdade ou a loja dos grandes estilistas estiverem fechadas), do "gótico" (peço desculpa, nos dias que correm acho que devo dizer "emo") ao "brother'sman" (?) (frequentador assíduo da Nike e afins).
Entrámos na Fnac que, apesar do seu teor do mais puro comercialismo, é a minha perdição, pois encontro todo um mundo que me fascina.
Fui dar o meu passeio da praxe por entre caminhos já conhecidos, mas o tempo não era muito. No entanto, foi o suficiente para encontrar aquele cd dos Bon Jovi, do John Lennon, dos Aerosmith e provavelmente de mais alguns que por mais que procurasse não encontrava em lugar nenhum! Raios, por que é que não tinha levado a carteira?!?!
Como eu, muitos procuravam os albuns de uma certa banda ou os livros de um certo autor mas conseguíam levar tudo numa mão até à caixa. Eu, provavelmente, precisaria de um cesto e de um crédito ilimitado! Sim confesso: no que toca às artes, sou uma consumidora nata!
Porque o consumismo toca a todos mas, como ainda não tenho o meu crédito ilimitado, vou deixando a carteira em casa.
Se ao menos tivesse levado uma nota... Sempre podia trazer aquele cd dos Bon Jovi... Tenho de lá ir esta semana!

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Se

"se" é a palavra mais terrível, mais angustiante da condição humana.(...) A realidade, porém, é só uma, as considerações sobre o que aconteceria "se" não passam de uma dolorosa fantasia a que nos entregamos quando queremos fugir dos fantasmas que nos perseguem ao longo da vida por causa das nossas decisões e das circunstâncias em que foram tomadas.
José Rodrigues dos Santos, A Ilha das Trevas

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Lá vai mais um


Na continuação da saga José Rodrigues dos Santos, depois de ler "A Filha do Capitão", que tanto me deliciou, passei para "A Ilha das Trevas". Em férias tenho sempre um livro a acompanhar-me, ou, como acontece normalmente, mais do que um.
Não tivemos uma boa aproximação, eu e este romance, o primeiro do jornalista. De início estava a achá-lo bastante "chato", se me permitirem dizê-lo; uma discrição imensa dos acontecimentos que levaram à invasão indonésia em Timor-Leste. Não tinha pachorra! No entanto, dei-lhe uma segunda oportunidade e acabei por descobrir que há mais do que o puro relato de acontecimentos nestas páginas.
Foi durante a sua leitura que me deparei com uma realidade que, apesar de me ser conhecida, sempre tive a pequena esperança que não passasse de uma pequena fantasia, um pesadelo que nos ocultavam para não nos revoltarmos; não é bem assim.
Em pleno massacre em Timor-Leste, em 1992, com tropas indonésias a disparar e a matar civis apenas porque se manifestaram contra o governo, a Comunidade Europeia estava disposta a fazer um acordo com os países do Sudeste Asiático (onde se insere a Indonésia) que apenas lhe daria a oportunidade de ganhar milhões com a venda e compra de produtos desses países. O nosso governo opôs-se; estavam a fazer um acordo com um país que violava os direitos humanos descaradamente (se esta justificação era sentida ou não, o que interessa é que estavam contra)!
Fiquei chocada ao aperceber-me que realmente existem pessoas que fazem de tudo para ganhar dinheiro, mesmo que para isso tenham de vender armas a alguém que sabem estar a matar milhares de inocentes depois de defender esses mesmos direitos violados! Realmente, não é nada de novo. Todos nós temos noção que estes episódios acontecem, não foi este o primeiro nem será o último.
Este é mesmo um mundo capitalista, de interesses e, acima de tudo, hipócrita!
É de coragem enfrentar quem nos aparece superior, quem se mostra poderoso e sem medo. Somos uma ínfima gota perante um oceano inteiro, mas podemos vergá-lo até ser apenas mais uma gota (ambiciono um dia escrever um livro apenas com metáforas e possíveis aplicações e significados).
E assim espalho a minha indignação em corações alheios, se é que alguém lê estes devaneios. Devo ser mesmo uma pessoa infeliz com o que tem... Pobres a mal agradecidos, estes revolucionários!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Abro asas e voo

Passo, ando, corro, salto. Sigo um caminho enquanto espero que a ferida sare.
Porque dizem que tudo passa com o tempo: um coração despedaçado, a saudade, a consciência de um erro.
Abro asas e tento voar para longe do olhar da culpa, ganhei forças para fugir do tormento permanente. O tempo atenua a dor, mas nunca com ela acaba.
Vejo um anjo que me acode na estranha noite em que tento despedir-me da alma negra que em mim habita. As suas asas batem mais forte que as minhas; a minha viagem, antes solitária, tem agora um amparo.
Não! Vou fazê-lo sozinho! Esta é a minha viagem, a minha dor, a minha ferida! Serei eu a voar, sem auxílio, apenas com o incentivo da minha mente desperta: "Vai, voa, que tudo acabará. O sono voltará, a noite calma, como a brisa a passar numa noite de Verão" .
O tempo sara a ferida, mas sou eu apagar a cicatriz.

sábado, 19 de julho de 2008

José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utupia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre, você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho do mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 17 de julho de 2008

O que era?

Quantos homens passavam a vida a falar de heroísmo e a preparar-se para o grande teste e fraquejavam quando o momento chegava, enquanto outros, tímidos e calados, na hora das dificuldades tudo pareciam superar? O que era afinal a temeridade senão fingimento? O que era a coragem se não o medo de se ser considerado cobarde? O que era o heroísmo senão um acto resultante do medo social que se sobrepõe ao medo animal? E o que era a bravura senão um momento de pura loucura, um gesto insano feito para benefício alheio e prejuízo nosso?

José Rodrigues dos Santos, A Filha do Capitão

Conversas de café


- Olá! Então, por aqui?
- Bom dia! Epá, fui levar o miúdo à praia, que ele foi com os amigos, e decidi passar por aqui.
- Fizeste tu muito bem! Então e novidades, conta lá?
- Olha, tudo na mesma como a lesma, já dizia o outro. Viste ontem o telejornal?
- Vi, pois!
- Não estava nada à espera...
- Do quê, do discurso do Papa? Esse é sempre a mesma coisa... "A televisão e a Internet são muito más, vamos lá ter consciência ambiental"... Não que não tenha razão, mas o homem não varia!
- Não estou a falar nisso!
- Ai não? Então é da nova dos Estados Unidos, que querem fazer as pazes com o Irão? Esses americanos é que sabem: começam o conflito e depois vão acabá-lo quando percebem que não dá em nada e que as pessoas já começam a ver aquilo com maus olhos... Não que o Bush possa fazer muito mais, em Novembro vai de carrinho...
- Ó homem, também não é isso!
- Então é da diminuição das pensões? Já não era de esperar? Há crise, há crise, mas eles continuam lá nas suas férias e com as suas mansões, e a malta que aperte o cinto!
- Epá, estou a falar do Aimar, que veio para o Benfica! Não viste?
- Ahhh, esse! Já podias ter dito! Tu viste como o foram buscar ao aeroporto, parecia um Presidente da República? Só não tinha mais gente porque era de noite! 6 milhões de euros... É crise, é!...
- Quero lá saber, só sei que ele ainda nos vai valer o título, digo-te eu! Isso é que me interessa, quero eu lá saber do Irão, do Papa ou do raio que o parta! Tu escreve o que te digo: este Aimar foi a melhor coisa que aconteceu ao Benfica, vais ver! Estava a ver que não conseguíam trazê-lo, a coisa estava feia, mas lá deram a volta. Ah grande Rui Costa! Eu até achava que o Carlos Mart...
- Olha, desculpa lá, mas tenho de ir andando. Ainda tenho de fazer umas coisas.
- Então mas quem é que achas que vai ser titular? Eu digo-te que é o Aimar...

domingo, 13 de julho de 2008

Eça

Todos são do mesmo barro

Uma carta (A Filha do Capitão - Reflexão III)

Uma mulher aguarda com o coração aos saltos notícias do marido, um mero soldado numa guerra distante, mas ao mesmo tempo tão próxima.
Poucos meses antes a família estava reunida. Agora, tinha um filho nos braços que ainda não conhecera o pai e outro que começava a perceber que tão cedo não veria a tão adorada figura que vira partir.
Havia semanas que não sabia nada e nas notícias davam a imagem de perfeita harmonia; um pequeno aperto no peito, no entanto, teimava em aparecer.
"Triiiim"! Alguém tocava à campainha. Quem seria, aquela hora? As crianças dormiam um sono profundo e não se ouvia qualquer som a não ser o dos seus passos no soalho de madeira.
"Boa noite. Peço desculpa por perturbá-la tão tarde, mas acabei de chegar e queria falar consigo pessoalmente. Susana Monteiro?", disse um jovem alto, vestido com uma farda militar e mala na mão quando abriu a porta. Confirmou quem era e o jovem continuou: "O meu nome é Matias e servi com o seu marido"
"Aconteceu alguma coisa?". Susana não precisava perguntar, mas queria ter a certeza; as lágrimas começaram a querer brotar.
"O seu marido ajudou-me imenso enquanto estive com ele e por isso quis ser eu a entregar-lhe isto".
Abriu o casaco e tirou do bolso uma carta endereçada a Susana, a quem entregou.
Enquanto a abria, o coração da mulher pulava como nunca antes; a folha branca foi tirada do envelope, lida, e deixada cair no chão; o mundo de Susana desmoronara!
Não eram dados grandes pormenores, apenas que Sérgio perdera a vida em circunstâncias que não poderiam ser reveladas mas que vivera os seus últimos momentos a lutar pelo seu país; era um herói!
O jovem soldado tentava falar com ela, talvez consola-la, mas ela não ouvia. Sentada no chão, o mundo ruíra a seus pés, não ouvia nada, a cabeça girava e girava, tudo estava turvo e sem qualquer forma aos seus olhos.
Pensou nos filhos. O que lhes diria? Que o pai era um herói e por isso não podia estar mais com eles? Que grande consolação!... Perdera o marido, o amigo, o pai dos seus filhos, o homem da sua vida, mas ao menos perdera-o para a pátria!
Lembrou-se das palavras de Sérgio quando a guerra dera início, quando a possibilidade daquela carta que jazia agora no chão chegar estava ainda longe. Ele dissera: "Por que luta o Homem para atingir algo? É incrível como as guerras começam por causa das ambições de um homem mas acabam por morrer milhares de inocentes, os pequenos! Já imaginaste como uma pessoa deve sofrer numa guerra? Não só está longe da família e luta uma batalha que não é sua, como está rodeado pela morte; a ideia, o medo, o destino... a morte está sempre presente, como podem ter um bom dia? Qualquer momento pode ser o último, mas quem combate é apenas um inocente que arrisca a sua vida por outro sem nada receber em troca. Talvez sair dali vivo seja a maior recompensa. Se um dia fosse eu, e Deus queira que não, apenas desejava poder chegar a casa e ver o teu sorriso, ouvir a gargalhada do nosso filho e poder pegar no meu colo este bebé que tão bem tens protegido. Não precisava de mais, era o ser mais rico de sempre!". Beijou-a.
Mas Deus quis. Enquanto os responsáveis ficavam em casa, a população lutava; é o rumo das coisas.
O marido nunca pediu muito. Mesmo assim, não conseguiu receber a sua maior recompensa. O seu destino fico selado numa carta agora caída no chão.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Escritos da meia-noite - compacto

És tu que escondes o que sentes com medo do que te possam dizer. És assombrado por uma sombra que detém poder absoluto sobre ti, mesmo sem te aperceberes; sabes desse poder e não consegues saber quais os desígnios da sombra.
Todos nós somos pecadores e seres do demónio; faz parte da natureza do Homem cair na tentação da carne. Hoje, todos nós somos pecadores, pois em todo o lado és tentado.
No entanto, montas o cavalo e viajas por destinos longínquos fazendo de Deus! Terás esse direito, um mero mortal montado num cavalo como tantos outros? O que faz de ti alguém com poder para tirar a vida a teus irmãos neste mundo já de si tão desigual? Decides quem vive e quem morre e ninguém te contesta, até que a tua sorte acabe e a tua divindade chegue ao fim!
Não te sentes abatido, triste mesmo, ao ver o teu mundo tão cruel? Não te sentes sem qualquer pingo de sangue ao ver um irmão inocente a cair no chão para nunca mais se pôr de pé? Não consegues ver que estás inserido numa sociedade que não quer saber se o que faz está certo ou errado?
Por que não te sentes inútil ao saber que não podes fazer nada? A tua superioridade é suficiente para te manter satisfeito e a vontade de deter o poder divino não te deixa vislumbrar a realidade.
Para ti, o mundo está dividido entre dignos e indignos, ricos e pobres, poderosos e miseráveis. Mas, no final, percebemos que a realidade é realmente o que tu vês no alto do teu cavalo.
E tu continuas aí montado e a fazer o que acreditas estar correcto. Tu, que tens o poder nas tuas mãos, não tentas mudar. Está escrito, dizes, e nada há a fazer.
Será que não podemos alterar esse destino tão tomado como certo? Porque não tentar escrever numa folha em branco?
Desmonta o teu cavalo, fica ao nível dos demais! É o mundo mesmo a preto e branco?

sábado, 5 de julho de 2008

A Filha do Capitão - Reflexão II

Uma sombra pairava sobre a cabeça da pequena população; era um ser estranho, sem rosto nem corpo e dele não existia qualquer imagem, apenas uma sombra. Era temido, oh como era temido!... O respeito que lhe tinham não passava de medo, um medo plantado no seio de cada mente daquela comunidade. Era uma sombra que dava mais poder que o ouro!
E acabavam o seu dia dizendo "Até amanhã se Deus quiser", porque nunca sabemos o seu desejo.

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Tenho escolha, por isso encontro um objectivo; escolhi o meu caminho.
Mas pergunto e não obtenho respostas porque não existem certezas. As contradições são constantes num mundo de incertezas.

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Sim, estamos numa constante luta. O sofrimento bate à porta mesmo de quem não espera , o fim da vida de um ser é inevitável; o único destino certo. Debate-mo-nos numa batalha que sabemos ter fim, mais cedo ou mais tarde. E tentamos encontrar em que acreditar para dar-mos um sentido à nossa luta. Acreditas que no céu encontras uma resposta para perguntas sem fim. Precisas acreditar.

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"(...)o sexo é animal, algo impuro. (...)a tentação sexual é uma violação da nossa livre vontade. Deus quer-nos livres, pelo que não pode ser Ele o responsável pelo desejo carnal. Se assim é, a tentação sexual é algo que só pode vir do demónio."


O mundo vive em eterno pecado; todos somos seres do demónio.