" Bird of prey flying high, take me on your flight "

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Lá vai mais um


Na continuação da saga José Rodrigues dos Santos, depois de ler "A Filha do Capitão", que tanto me deliciou, passei para "A Ilha das Trevas". Em férias tenho sempre um livro a acompanhar-me, ou, como acontece normalmente, mais do que um.
Não tivemos uma boa aproximação, eu e este romance, o primeiro do jornalista. De início estava a achá-lo bastante "chato", se me permitirem dizê-lo; uma discrição imensa dos acontecimentos que levaram à invasão indonésia em Timor-Leste. Não tinha pachorra! No entanto, dei-lhe uma segunda oportunidade e acabei por descobrir que há mais do que o puro relato de acontecimentos nestas páginas.
Foi durante a sua leitura que me deparei com uma realidade que, apesar de me ser conhecida, sempre tive a pequena esperança que não passasse de uma pequena fantasia, um pesadelo que nos ocultavam para não nos revoltarmos; não é bem assim.
Em pleno massacre em Timor-Leste, em 1992, com tropas indonésias a disparar e a matar civis apenas porque se manifestaram contra o governo, a Comunidade Europeia estava disposta a fazer um acordo com os países do Sudeste Asiático (onde se insere a Indonésia) que apenas lhe daria a oportunidade de ganhar milhões com a venda e compra de produtos desses países. O nosso governo opôs-se; estavam a fazer um acordo com um país que violava os direitos humanos descaradamente (se esta justificação era sentida ou não, o que interessa é que estavam contra)!
Fiquei chocada ao aperceber-me que realmente existem pessoas que fazem de tudo para ganhar dinheiro, mesmo que para isso tenham de vender armas a alguém que sabem estar a matar milhares de inocentes depois de defender esses mesmos direitos violados! Realmente, não é nada de novo. Todos nós temos noção que estes episódios acontecem, não foi este o primeiro nem será o último.
Este é mesmo um mundo capitalista, de interesses e, acima de tudo, hipócrita!
É de coragem enfrentar quem nos aparece superior, quem se mostra poderoso e sem medo. Somos uma ínfima gota perante um oceano inteiro, mas podemos vergá-lo até ser apenas mais uma gota (ambiciono um dia escrever um livro apenas com metáforas e possíveis aplicações e significados).
E assim espalho a minha indignação em corações alheios, se é que alguém lê estes devaneios. Devo ser mesmo uma pessoa infeliz com o que tem... Pobres a mal agradecidos, estes revolucionários!

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