" Bird of prey flying high, take me on your flight "

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Crises existenciais

Uma vez li ma história sobre alguém sentado num banco de jardim, a ver o tempo à sua volta passar.
Também eu me vejo sentada num banco e sou espectadora. As cenas passam-se à minha volta, as cores, os cheiros, e eu fico apenas uma estranha, ali sentada, enquanto actuam.
Enquanto que, na história que li, alguém estava sentada a ver todos passar, eu vou com o tempo, vou com quem passa, mas não passo de uma estranha.
Vou indo no meio de gente que não sei se conheço, mas sinto-me bem quando me sinto inserida nas suas vivências. No entanto, algo me afasta. Uma força, uma vontade, algo mais forte do que a vontade, que me afasta.
Acabo por ficar ali, no seio de um ambiente querido por um ser interior.
O que verá neste ambiente este ser que continua a levar-me, sabendo que continuarei sentada a ser uma estranha? Uma intrusa...
Estranha, intrusa, apenas me mantenho uma, querendo ou não querendo, desejando ou não desejando, sendo ou não sendo realmente.
E sento-me então no banco, tal como a pessoa que naquela história li.

Sou eu que me afasto, quer queira, quer não. Sempre foi assim.

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