Olhas à tua volta enquanto segues o teu caminho. Encontras árvores, folhas caídas no chão, pessoas apressadas umas contra as outras, carros a buzinar tentando passar à frente de quem quer que os impeça de seguir.
Começas a tomar atenção aos pequenos pormenores, às cores e aos sons, aos movimentos e atitudes. "Será real?", pergunta a tua mente, curiosa e desconfiada, "não estarei apenas a sonhar, não passando desta realidade uma não-realidade?".
Sentes o vento bater na tua cara e a dançar com os teus cabelos. Não tens certeza se o que sentiste é real; o cheiro que sentes vir de um assador de castanhas ali tão perto deixa-te sem saber o que pensas saber.
Será possível sentir enquanto sonhas, cheirar enquanto dormes? O que é um sonho?
Tanto quanto sabes, tudo isto pode ser possível. Tanto quanto sabes, o que vives neste momento pode não passar de uma ilusão, uma miragem no meio do deserto.
"Não posso estar a sonhar", acabas por concluir; "o sonho tem em si a realização de qualquer e todos os desejos! Não foi isto o que desejei..."
Não, não podes estar a sonhar. Nunca desejas-te um mundo em que a vida de milhares é posta em risco para resolver conflitos de outrem. Nunca desejas-te um mundo em que não passas de um meio para alguém atingir o seu fim, nem nunca desejas-te um mundo em que a injustiça e a intolerância têm ainda um peso tão grande, um mundo superficial e tantas vezes sem conteúdo.
Não, não podes estar a sonhar.
Como sei que o que sei não é fruto imaginativo?
" Bird of prey flying high, take me on your flight "
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