" Bird of prey flying high, take me on your flight "

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Explicações

Dei-me conta que escrevo maioritariamente grandes textos. Mil perdões se apareço com grandes testamentos!
E peço perdão apenas pelo facto de achar que nenhum texto deve ser muito longo ou muito curto; deve ter o tamanha certo.
Na verdade, o seu tamanho não interessa, mas o seu interesse. No entanto, se tiver dimensões "alargadas", poderá rapidamente perder o interesse! É um facto!
O que escrevo são devaneios maioritariamente sobre o nada; frases soltas que de uma maneira inexplicável se ligam entre si! São muitas, disso não há dúvida.
Mas não há dúvida que qualquer devaneio leva-nos a lugares que não esperávamos.
É esse o objectivo do devaneio: fazer-nos voar tão alto que não temos noção da distância a que estamos no chão.

...

Não sei o que escrever. As palavras da minha mente querem sair, ficar presas no papel, mas mantêm-se ali, paradas, sem saber o que fazer.
Tantas vezes isto me acontece... Tantas vezes quero escrever mas não vem inspiração. Camões chamava as Musas, eu espero.
Espero, mas a vontade cresce e cresce e deixo de esperar; apenas escrevo.
Porque cada palavra tem o seu valor, não precisa de ter um significado certo para aparecer ou para ser escrita.
E por isso escrevo: para libertar as palavras que em lado nenhum se inserem mas, como todas as outras, devem ficar gravadas para mais tarde serem lembradas.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Sou

Sou tudo. Sou tudo e não sou nada. Sou um pedaço do mundo que anda à deriva.
Sou o resultado de uma panóplia de emoções que me percorrem a cada momento. Sou o que tu desejas, sou o que tu detestas, quem te alegra ou quem te faz ficar triste.
Sou a alegria em pessoa, ou as lágrimas que vês no meu rosto. Sou o ser mais bondoso, sou a criatura mais horrenda.
Sou o medo, e ao mesmo tempo a curiosidade. Sou o dia, mas quem diz que não posso ser a noite?
Sou tanto que não sei o que sou. Sou, mas não sei bem se sou.
Acabo apenas por ser algo, conhecido ou desconhecido.
Não me perguntes; vê!

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Meu precioso silêncio...

Entro no autocarro e sento-me no primeiro banco que encontro livre. Já sentada, acomodo-me e, como sempre, tiro o meu livro da mala e começo a ler. Pensava eu que ia ser uma viagem agradável…
"Estou a chegar!, ainda estou no autocarro!"; "Ó menino, o pau não é para entrar no autocarro!"; "Pum ptxepum pum pum ptxepum pum pum…".
Fecho o livro. Não me consigo concentrar! Ora tenho ao meu lado alguém a falar ao telemóvel como se a pessoa com quem fala não ouvisse bem, ora há uma discussão lá à frente, ora há um telemóvel a tocar música bem alta lá atrás!
Acabaram os tempos em que íamos em paz durante a nossa viagem, sem conversas incomodativas ou discussões entre as pessoas. Mas, será que esses tempos chegaram a existir?
Até nos restaurantes, centros comerciais, nos supermercados e afins, a música está sempre a tocar, sem pausas; as conversas (ouvidas, mesmo sem querer) acontecem por todo o lado (até porque, quando estou no café, a tomar o meu “lanchinho”, o que mais me interessa saber é que o namorado da prima da amiga da rapariga que está na outra ponta do balcão (ou esplanada) anda a enganá-la com a vizinha!).
No nosso dia-a-dia, já não passamos sem o barulho à nossa volta e o silêncio tornou-se estranho. Não é verdade?! Já contaram as vezes em que não ouvem qualquer outro som à vossa volta a não ser o da vossa respiração? Nem música, nem vozes, nem carros, nem buzinas… Arrisco-me a dizer que, mesmo sem os contarem, sabem que são momentos breves e muito pouco frequentes.
Mesmo quando estamos em casa, o silêncio não é preenchido pelo som dos pensamentos a correr na nossa mente, mas pela televisão ou rádio; estamos já tão habituados a estes aparelhos que faz parte da nossa rotina ligá-los quando chegamos a casa.
E o silêncio, esse, fica para quando queremos dormir. Enquanto dormimos, o único som que encontramos é o que vem dos nossos sonhos. A não ser, claro, que tenhamos adormecido a ver televisão e ela continue ligada, ou o filho dos vizinhos tenha aproveitado a ausência dos pais para dar uma rave!
O silêncio tornou-se numa coisa incomodativa e a evitar. Hoje, não é um momento de reflexão ou concentração, mas sim um momento constrangedor; até as aulas de yoga são acompanhadas por música!
Pois bem, enquanto não houver menos confusão nos autocarros, sem gente a gritar nem música vinda de telemóveis e rádio alheios, vou continuar a andar com os meus headphones nos ouvidos.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Sou uma ambientalista confessa! Reciclo, ando de transportes públicos, nunca deixo a televisão ligada no stand by, desligo os carregadores, tento sensibilizar as pessoas, etc etc etc.
Como tal, há que espalhar a palavra e mostrar a realidade que mais cedo ou mais tarde viveremos.
Deixo então aqui um texto que espero que vos faça pensar um pouco:

Estamos no ano de 2070, acabo de completar 50 anos, mas a minha aparência é a de alguém com 85.
Tenho sérios problemas renais porque bebo muito pouca água. Creio que me resta pouco tempo.
Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade. Recordo-me de quando tinha 5 anos. Tudo era muito diferente. Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro com cerca de uma hora. Agora usamos toalhas molhadas em azeite mineral para limpar a pele. Antes todas as mulheres mostravam a sua formosa cabeleira. Agora devemos rapar a cabeça para a manter limpa sem água. Antes o meu pai lavava o carro com água que saia de uma mangueira. Hoje as crianças não acreditam que a água se utilizava dessa forma.
Recordo-me que haviam muitos anúncios que diziam “Cuida da água”, só que ninguém lhes ligava; pensávamos que a água jamais se podia acabar. Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aquíferos estão irreversivelmente contaminados ou esgotados. Antes a quantidade de água indicada como ideal para beber era oito copos por dia por pessoa adulta. Hoje só posso beber meio copo. A roupa é descartável, o que aumenta imenso a quantidade de lixo; tivemos que voltar a usar fossas sépticas como no século passado porque as redes de esgotos não se usam por falta de água. A aparência da população é horrorosa: corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele pelos raios ultravioleta que já não têm a camada de ozono que os filtrava na atmosfera. Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados.
As infecções gastrointestinais, enfermidades da pele e das vias urinárias são as principais causas de morte. A indústria está paralisada e o desemprego é dramático. As fábricas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego e pagam-te com água potável em vez de salário.
Os assaltos por um bidão de água são comuns nas ruas desertas. A comida é 80% sintética. Pela ressiquidade da pele, uma jovem de 20 anos está como se tivesse 40. Os cientistas investigam mas não há solução possível.
Não se pode fabricar água, o oxigénio está degradado por falta de água, o que diminui o coeficiente intelectual das novas gerações. Alterou-se a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos, como consequência há muitas crianças com insuficiências, mutações e deformações. O governo até nos cobra pelo ar que respiramos. As pessoas que não podem pagar são retiradas das “zonas ventiladas”, que são dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam a energia solar, fornecendo um ar de fraca qualidade, mas que dá para respirar. A idade média de um indivíduo é de 35 anos.
Em alguns países ficaram manchas de vegetação com o seu respectivo rio, fortemente vigiado pelo exército. A água tornou-se num tesouro muito cobiçado, mais do que ouro ou diamantes. Aqui, em troca, não há árvores porque quase nunca chove e, quando chega a registar-se precipitação, é de chuva ácida. As estações do anos têm sido severamente transformadas pelas experiências atómicas e pela industria contaminante dos sécs. XX e XXI.
Advertia-se que se tinha de cuidar do ambiente e ninguém ligou.
Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem descrevo a beleza dos bosques, falo-lhe da chuva, das flores, do agradável que era tomar banho e poder pescar em rios e barragens. Beber toda a água que quisesse. Éramos tão saudáveis. Então ela pergunta-me: “Papá! Porque se acabou a água?”. Sinto um nó na garganta, não posso deixar de me sentir culpado porque pertenço à geração que acabou por destruir o ambiente, que simplesmente não se importou com tantos avisos.
Agora os nossos filhos pagam um preço muito alto e, sinceramente, creio que a vida na terra já não será possível dentro de muito pouco tempo. A destruição do ambiente chegou a um ponto irreversível. Como gostaria de voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse isto quando ainda podíamos fazer algo para salvar o nosso planeta.

Adaptado do documento extraído da revista biográfica “Crónicas de los Tiempos” de Abril de 2002

domingo, 11 de maio de 2008

Pois bem. Penso que já foi possível perceber que a sociedade e os seus podres são o meu ponto fraco. No entanto, desta vez, acho que posso abordar a questão de uma maneira diferente do que aquela que tenho utilizado.

Como poderão estar ocorrentes, nos Estados Unidos da América vive-se um clima de tensão. Sim, tensão: imaginam como não se devem estar a sentir os americanos ao saber que estão a fazer História? Serão eles os responsáveis por escolher, ou a primeira mulher Presidente, ou o primeiro Presidente de raça negra. Até agora, nada de novo.
Este é um assunto que me atrai bastante, talvez por querer estar relacionada com questões deste género futuramente, e por isso tenho tentado estar informada.
Tudo isto parece-me bastante irónico; ora reparem: os americanos poderão ter a representá-los um membro do chamado "sexo fraco" (designação que odeio, pura e simplesmente), que em muitos países nem votar podem, ou então um membro de uma raça que é descriminada desde há séculos! Não é irónico, o facto de um deles estar na iminência de se "apoderar" do país que rege o resto do mundo (ninguém se mexe sem que os Estados Unidos saibam)?!
Mas quem será que poderá ser um melhor presidente? Podem pensar que estas eleições apenas aos E.U.A. preocupam, mas a escolha tomada pelos Americanos irá afectar todo o Mundo, isto porque o novo Presidente terá o maior poder possível no país que tem o mundo nas suas mão, já para não falar que poderá acabar com a guerra no Iraque, e devo desde já mostrar o meu desagrado por este conflito estúpido, e uma das questões que mais me preocupa!
O problema? As tropas americanas não podem ser retiradas de lá sem mais nem ontém; o Iraque está de certa forma dependente delas, e retirá-las num ápice seria um erro!
E como resolverá a iminente crise petrolífera? Outra política que quero ver mudada. Até agora, não era dada importância a este assunto, e, principalmente, durante a admistração Bush este tem sido um problema secundário, tal como as crises ambientais e afins (não digo que os restantes países não possam ter as mesmas preocupações, mas são os E.U.A. que influenciam cada vez mais as outras políticas, e quando estiverem dispostos a fazer a diferença, talvez mais se seguirão)!
Claro que nem ponho a hipótese de ser escolhido o candidato republicano; um erro ainda maior!
Por isso, venha de lá a Clinton ou o Obama (confesso que tenho um maior apreço pela Clinton, pelos mais variados motivos, desde que sempre faça um melhor trabalho que o marido!); da maneira que isto está, qualquer um deles fará melhor que o actual!

Desde já aconselho, a quem está interessado no assunto, a assistir ao programa "The Daily Show", na Sic Radical. Um programa onde a política do país americano é satirizada por Jon Stewart. A não perder!

Noite sem fim...

Sento-me, ligo a televisão e espero que a noite acabe. Não acaba. A noite prevalece, mantendo a minha mente numa eterna escuridão.
De cada vez que uma luz se acende, vejo um destino querido e impossível, e continuo à espera que a noite passe e venha o meu dia: o dia em que o sol vai brilhar para mim.
Sento-me, abro o caderno e espero que as palavras apareçam. Elas vêm, tentam iluminar o meu caminho em vão sem completar a sua missão; não encontram sucesso nem um novo trilho que a ele leve.
Mantenho-me à espera que a noite passe. O meu dia não chega, a minha noite não acaba; de cada vez que abro os olhos, o mesmo mundo escuro encontro.
Será que é este o meu destino? Terei eu de manter-me viva num mundo sem cor?
Cada vez mais acredito de que o meu caminho foi traçado há muito tempo atrás e tenho de seguir as escrituras; sigo as linhas que me guiam sem pensar duas vezes, sem questionar ou revoltar-me contra as palavras escritas.
Não posso continuar assim! Terei algum tipo de liberdade que me ajude a ir contra o destino?
Oh meu Deus, que poderei eu fazer? Se tiver um destino que continuo a seguir é impossível existir uma réstia de liberdade na minha vida! Perderei a esperança de um dia ver o sol a brilhar para mim, pois tudo o que faço não é da minha responsabilidade.
Como me sinto por negar a liberdade!... Neguei-a, deixei de acreditar nela e no seu poder, e agora nada passa de uma estrada que tem de ser seguida por uma estranha.
Essa estranha sou eu; aos meus olhos, não passo de uma estranha. E pergunto-me: onde está a rapariga que em tempos lutou por aquilo em que acreditava? Onde está a rapariga que controlava as suas acções, que acreditava em si?
Desapareceu, morreu, escondeu-se nas sombras da vergonha.
Deixou de ter fé; perdeu-se nas palavras de alguém que lhe mentiu quando dizia que os seus dias seriam melhores, para nele ter esperança e, no fim, só veio escuridão. Deixou-se levar por balelas sem fundamento, esquecendo todos os ensinamentos anteriores, tudo o que pensava certo e garantido. Deixou-se acreditar numa vida sem liberdade, sem qualquer controlo sobre si mesma.

Que vida pode ser essa? Que ser pode viver sem pensar que tem o controlo sobe tudo o que faz e realiza, quem julga verdade que os seus actos são de outrem?
Não, isto tem de acabar! Quero ver a luz, quero que a noite deixe de prevalecer! Quero voltar a ter o poder e acreditar em mim! Assim, de cada vez que a música soar nos meus ouvidos, poderei sorrir por mim; poderei sentar-me e juntar as minhas próprias letras numa folha de papel!
Ah, como será bom esse dia! Voltarei a sentir-me livre como era antes de penetrar nesta prisão invisível!
Nesse dia, voarei como um pássaro. Não me conseguirás seguir, o teu olhar perder-se-á por entre as nuvens e eu desaparecerei do teu campo de visão. E depois, voltarei e verás o meu sorriso, como há muito não o vias!
Esse, será como o sorriso de uma criança que pela primeira vez vê a sua mãe; de alguém que encontra um amigo para a vida; de alguém que encontra a liberdade!
E gritarei aos 7 ventos tudo o que me vier à mente! Porquê? Porque sou livre! Por que não fazê-lo? Por que não gritar e rodopiar e cantar e dançar até que a minha garganta e pés me doam?!
A rapariga que em tempos acreditava em si voltará nesse dia. Deixarei de ser uma estranha aos meus próprios olhos, e aí chegará a minha vitória contra o destino!
Porque as páginas que me controlavam serão rasgadas para nunca mais se juntarem e controlarem o que julgavam seu por direito! Apenas eu posso controlar quem sou e quem eu quero ser! Nem o destino, nem premissas falsas tomadas como verdadeiras, nem a escuridão poderão mudar a minha vontade!
A fé e a esperança voltarão para me guiar e sentir-me-ei completa. Só falta ver o sol brilhar para mim. Ele deve chegar não tarda…
Então, sento-me, ligo a televisão e espero que a noite acabe. Não dou atenção às imagens que passam à minha frente e prendo o olhar na janela aberta que deixa passar o ténue brilho da lua; a única luz que me tem sido permitida nesta minha prisão.
Mas espera, o que é aquilo ali ao fundo? Não estão as folhas das árvores a ganhar cor?
É verdade! A paisagem cinzenta que tenho à minha frente é agora verde, consigo ver o rio claro e o céu azul; as flores ganham vida, com mil e uma cores! À minha volta tudo muda: chão, paredes, móveis, tudo parece ter vida de novo. E o sol…
O sol brilha lá no alto, sem vontade de ir embora, sorrindo para mim e para todos que, como eu, venceram a noite! Como sentia a sua falta, da sua luz e calor…
Venci a noite acreditando na força que tenho dentro de mim. Deixei para trás a prisão onde a minha alma dormia, escondida dos pesadelos e escuridão. Também eu agora me sinto viva!
Sento-me, abro o caderno e espero que as palavras apareçam. Elas vêm, positivas e alegres por finalmente encontrarem o sucesso.
Como é que alcançaram o sucesso? Trazendo um sorriso à cara de quem quer que lhes tenha dado atenção.
Alcançaram o sucesso comigo. Alcançarão contigo?