Entro no autocarro e sento-me no primeiro banco que encontro livre. Já sentada, acomodo-me e, como sempre, tiro o meu livro da mala e começo a ler. Pensava eu que ia ser uma viagem agradável…
"Estou a chegar!, ainda estou no autocarro!"; "Ó menino, o pau não é para entrar no autocarro!"; "Pum ptxepum pum pum ptxepum pum pum…".
Fecho o livro. Não me consigo concentrar! Ora tenho ao meu lado alguém a falar ao telemóvel como se a pessoa com quem fala não ouvisse bem, ora há uma discussão lá à frente, ora há um telemóvel a tocar música bem alta lá atrás!
Acabaram os tempos em que íamos em paz durante a nossa viagem, sem conversas incomodativas ou discussões entre as pessoas. Mas, será que esses tempos chegaram a existir?
Até nos restaurantes, centros comerciais, nos supermercados e afins, a música está sempre a tocar, sem pausas; as conversas (ouvidas, mesmo sem querer) acontecem por todo o lado (até porque, quando estou no café, a tomar o meu “lanchinho”, o que mais me interessa saber é que o namorado da prima da amiga da rapariga que está na outra ponta do balcão (ou esplanada) anda a enganá-la com a vizinha!).
No nosso dia-a-dia, já não passamos sem o barulho à nossa volta e o silêncio tornou-se estranho. Não é verdade?! Já contaram as vezes em que não ouvem qualquer outro som à vossa volta a não ser o da vossa respiração? Nem música, nem vozes, nem carros, nem buzinas… Arrisco-me a dizer que, mesmo sem os contarem, sabem que são momentos breves e muito pouco frequentes.
Mesmo quando estamos em casa, o silêncio não é preenchido pelo som dos pensamentos a correr na nossa mente, mas pela televisão ou rádio; estamos já tão habituados a estes aparelhos que faz parte da nossa rotina ligá-los quando chegamos a casa.
E o silêncio, esse, fica para quando queremos dormir. Enquanto dormimos, o único som que encontramos é o que vem dos nossos sonhos. A não ser, claro, que tenhamos adormecido a ver televisão e ela continue ligada, ou o filho dos vizinhos tenha aproveitado a ausência dos pais para dar uma rave!
O silêncio tornou-se numa coisa incomodativa e a evitar. Hoje, não é um momento de reflexão ou concentração, mas sim um momento constrangedor; até as aulas de yoga são acompanhadas por música!
Pois bem, enquanto não houver menos confusão nos autocarros, sem gente a gritar nem música vinda de telemóveis e rádio alheios, vou continuar a andar com os meus headphones nos ouvidos.
" Bird of prey flying high, take me on your flight "
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