" Bird of prey flying high, take me on your flight "

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Sou uma ambientalista confessa! Reciclo, ando de transportes públicos, nunca deixo a televisão ligada no stand by, desligo os carregadores, tento sensibilizar as pessoas, etc etc etc.
Como tal, há que espalhar a palavra e mostrar a realidade que mais cedo ou mais tarde viveremos.
Deixo então aqui um texto que espero que vos faça pensar um pouco:

Estamos no ano de 2070, acabo de completar 50 anos, mas a minha aparência é a de alguém com 85.
Tenho sérios problemas renais porque bebo muito pouca água. Creio que me resta pouco tempo.
Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade. Recordo-me de quando tinha 5 anos. Tudo era muito diferente. Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro com cerca de uma hora. Agora usamos toalhas molhadas em azeite mineral para limpar a pele. Antes todas as mulheres mostravam a sua formosa cabeleira. Agora devemos rapar a cabeça para a manter limpa sem água. Antes o meu pai lavava o carro com água que saia de uma mangueira. Hoje as crianças não acreditam que a água se utilizava dessa forma.
Recordo-me que haviam muitos anúncios que diziam “Cuida da água”, só que ninguém lhes ligava; pensávamos que a água jamais se podia acabar. Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aquíferos estão irreversivelmente contaminados ou esgotados. Antes a quantidade de água indicada como ideal para beber era oito copos por dia por pessoa adulta. Hoje só posso beber meio copo. A roupa é descartável, o que aumenta imenso a quantidade de lixo; tivemos que voltar a usar fossas sépticas como no século passado porque as redes de esgotos não se usam por falta de água. A aparência da população é horrorosa: corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele pelos raios ultravioleta que já não têm a camada de ozono que os filtrava na atmosfera. Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados.
As infecções gastrointestinais, enfermidades da pele e das vias urinárias são as principais causas de morte. A indústria está paralisada e o desemprego é dramático. As fábricas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego e pagam-te com água potável em vez de salário.
Os assaltos por um bidão de água são comuns nas ruas desertas. A comida é 80% sintética. Pela ressiquidade da pele, uma jovem de 20 anos está como se tivesse 40. Os cientistas investigam mas não há solução possível.
Não se pode fabricar água, o oxigénio está degradado por falta de água, o que diminui o coeficiente intelectual das novas gerações. Alterou-se a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos, como consequência há muitas crianças com insuficiências, mutações e deformações. O governo até nos cobra pelo ar que respiramos. As pessoas que não podem pagar são retiradas das “zonas ventiladas”, que são dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam a energia solar, fornecendo um ar de fraca qualidade, mas que dá para respirar. A idade média de um indivíduo é de 35 anos.
Em alguns países ficaram manchas de vegetação com o seu respectivo rio, fortemente vigiado pelo exército. A água tornou-se num tesouro muito cobiçado, mais do que ouro ou diamantes. Aqui, em troca, não há árvores porque quase nunca chove e, quando chega a registar-se precipitação, é de chuva ácida. As estações do anos têm sido severamente transformadas pelas experiências atómicas e pela industria contaminante dos sécs. XX e XXI.
Advertia-se que se tinha de cuidar do ambiente e ninguém ligou.
Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem descrevo a beleza dos bosques, falo-lhe da chuva, das flores, do agradável que era tomar banho e poder pescar em rios e barragens. Beber toda a água que quisesse. Éramos tão saudáveis. Então ela pergunta-me: “Papá! Porque se acabou a água?”. Sinto um nó na garganta, não posso deixar de me sentir culpado porque pertenço à geração que acabou por destruir o ambiente, que simplesmente não se importou com tantos avisos.
Agora os nossos filhos pagam um preço muito alto e, sinceramente, creio que a vida na terra já não será possível dentro de muito pouco tempo. A destruição do ambiente chegou a um ponto irreversível. Como gostaria de voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse isto quando ainda podíamos fazer algo para salvar o nosso planeta.

Adaptado do documento extraído da revista biográfica “Crónicas de los Tiempos” de Abril de 2002

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