Sento-me, ligo a televisão e espero que a noite acabe. Não acaba. A noite prevalece, mantendo a minha mente numa eterna escuridão.
De cada vez que uma luz se acende, vejo um destino querido e impossível, e continuo à espera que a noite passe e venha o meu dia: o dia em que o sol vai brilhar para mim.
Sento-me, abro o caderno e espero que as palavras apareçam. Elas vêm, tentam iluminar o meu caminho em vão sem completar a sua missão; não encontram sucesso nem um novo trilho que a ele leve.
Mantenho-me à espera que a noite passe. O meu dia não chega, a minha noite não acaba; de cada vez que abro os olhos, o mesmo mundo escuro encontro.
Será que é este o meu destino? Terei eu de manter-me viva num mundo sem cor?
Cada vez mais acredito de que o meu caminho foi traçado há muito tempo atrás e tenho de seguir as escrituras; sigo as linhas que me guiam sem pensar duas vezes, sem questionar ou revoltar-me contra as palavras escritas.
Não posso continuar assim! Terei algum tipo de liberdade que me ajude a ir contra o destino?
Oh meu Deus, que poderei eu fazer? Se tiver um destino que continuo a seguir é impossível existir uma réstia de liberdade na minha vida! Perderei a esperança de um dia ver o sol a brilhar para mim, pois tudo o que faço não é da minha responsabilidade.
Como me sinto por negar a liberdade!... Neguei-a, deixei de acreditar nela e no seu poder, e agora nada passa de uma estrada que tem de ser seguida por uma estranha.
Essa estranha sou eu; aos meus olhos, não passo de uma estranha. E pergunto-me: onde está a rapariga que em tempos lutou por aquilo em que acreditava? Onde está a rapariga que controlava as suas acções, que acreditava em si? Desapareceu, morreu, escondeu-se nas sombras da vergonha.
Deixou de ter fé; perdeu-se nas palavras de alguém que lhe mentiu quando dizia que os seus dias seriam melhores, para nele ter esperança e, no fim, só veio escuridão. Deixou-se levar por balelas sem fundamento, esquecendo todos os ensinamentos anteriores, tudo o que pensava certo e garantido. Deixou-se acreditar numa vida sem liberdade, sem qualquer controlo sobre si mesma.
Que vida pode ser essa? Que ser pode viver sem pensar que tem o controlo sobe tudo o que faz e realiza, quem julga verdade que os seus actos são de outrem?
Não, isto tem de acabar! Quero ver a luz, quero que a noite deixe de prevalecer! Quero voltar a ter o poder e acreditar em mim! Assim, de cada vez que a música soar nos meus ouvidos, poderei sorrir por mim; poderei sentar-me e juntar as minhas próprias letras numa folha de papel!
Ah, como será bom esse dia! Voltarei a sentir-me livre como era antes de penetrar nesta prisão invisível!
Nesse dia, voarei como um pássaro. Não me conseguirás seguir, o teu olhar perder-se-á por entre as nuvens e eu desaparecerei do teu campo de visão. E depois, voltarei e verás o meu sorriso, como há muito não o vias!
Esse, será como o sorriso de uma criança que pela primeira vez vê a sua mãe; de alguém que encontra um amigo para a vida; de alguém que encontra a liberdade!
E gritarei aos 7 ventos tudo o que me vier à mente! Porquê? Porque sou livre! Por que não fazê-lo? Por que não gritar e rodopiar e cantar e dançar até que a minha garganta e pés me doam?!
A rapariga que em tempos acreditava em si voltará nesse dia. Deixarei de ser uma estranha aos meus próprios olhos, e aí chegará a minha vitória contra o destino!
Porque as páginas que me controlavam serão rasgadas para nunca mais se juntarem e controlarem o que julgavam seu por direito! Apenas eu posso controlar quem sou e quem eu quero ser! Nem o destino, nem premissas falsas tomadas como verdadeiras, nem a escuridão poderão mudar a minha vontade!
A fé e a esperança voltarão para me guiar e sentir-me-ei completa. Só falta ver o sol brilhar para mim. Ele deve chegar não tarda…
Então, sento-me, ligo a televisão e espero que a noite acabe. Não dou atenção às imagens que passam à minha frente e prendo o olhar na janela aberta que deixa passar o ténue brilho da lua; a única luz que me tem sido permitida nesta minha prisão.
Mas espera, o que é aquilo ali ao fundo? Não estão as folhas das árvores a ganhar cor?
É verdade! A paisagem cinzenta que tenho à minha frente é agora verde, consigo ver o rio claro e o céu azul; as flores ganham vida, com mil e uma cores! À minha volta tudo muda: chão, paredes, móveis, tudo parece ter vida de novo. E o sol…
O sol brilha lá no alto, sem vontade de ir embora, sorrindo para mim e para todos que, como eu, venceram a noite! Como sentia a sua falta, da sua luz e calor…
Venci a noite acreditando na força que tenho dentro de mim. Deixei para trás a prisão onde a minha alma dormia, escondida dos pesadelos e escuridão. Também eu agora me sinto viva!
Sento-me, abro o caderno e espero que as palavras apareçam. Elas vêm, positivas e alegres por finalmente encontrarem o sucesso.
Como é que alcançaram o sucesso? Trazendo um sorriso à cara de quem quer que lhes tenha dado atenção.
Alcançaram o sucesso comigo. Alcançarão contigo?
" Bird of prey flying high, take me on your flight "
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