Acabou-se o tempo. Voltei à rotina, ao stress, ao movimento, às correrias. Os meus momentos de descanso, quando me sentava e escrevia os rabiscos, são hoje mais escassos.
Encontrei agora um momento (talvez não agora quando passo para o computador, mas agora quando escrevo), numa aula de Filosofia. Uma boa aula para os devaneios de uma adolescente, ou quaisquer outros. Peguei numa folha velha, provavelmente retirada do caderno como folha de rascunho de um teste, na caneta do fundo do estojo, e escrevi.
Libertei o meu pensamento (palavra agora muito dita nestas aulas) da rotina, fintei a concentração (como se de um jogador de futebol se tratasse) e voltei a esta vida feita de caneta, papel e algo mais.
Não sei o que é este algo mais, mas existe. Talvez pura intuição.
Verdades, crenças, argumentos, validades... Somos levados a pensar naquilo que não pensaríamos numa tarde, em casa, com os amigos. Somos "provocados", citando quem me "provoca" nestes 90 minutos.
E em cada momento lá fora somos provocados e levados a pensar numa miríade de coisas. Não te faço pensar em tudo aquilo que escrevo, que lês neste momento? És conduzido pelo meu pensamento até chegar ao teu.
Como um livro que lês, como uma música que ouves, és conduzido, levado para a realidade de outro, que passa a ser a tua.
O meu próprio pensamento levou-me por outros caminhos diferentes daquele que comecei. E acaba noutro.
Passo os dias de caneta na mão e com o papel como companheiro, mas as palavras não são minhas; escrevo o que me pedem.
Talvez um dia escreva as minhas palavras.
" Bird of prey flying high, take me on your flight "
domingo, 28 de setembro de 2008
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Estive a ver o final do documentário acerca dos reféns que foram feitos num autocarro, no Rio de Janeiro, em 2000. Não o devia ter feito.
Uma pessoa, inocente, na flor da idade, morreu porque alguém não fez as escolhas certas e decidiu tomar como refém um autocarro.
Sinceramente, não sei porque o fez, o que tencionava ganhar com isso. Acabou por também ele perder a vida.
Cheguei à sala no momento em que ele começava a sair do autocarro, com a refém em frente, e vi logo de seguida o polícia a chegar por trás e a tentar mata-lo.
Actos como estes, matar sem qualquer necessidade, não me entram na cabeça; não consigo perceber porque alguém quererá fazer uma coisa destas.
Revoltou-me a sua atitude, mas não sei porque a tomou. Muito provavelmente, mesmo se soubesse, continuaria a achar que os polícias, depois de o terem capturado, deviam ter deixado o povo "acabar" com ele (perdoem-me a expressão), como estavam a tentar fazer (no final, só se vê uma multidão a tentar chegar até ao responsável por todo aquele alarido). Não sei se a morte que lhe deram foi a melhor solução; não sofreu, levou a dele avante, não passou por metade do que aquelas pessoas passaram.
Não gosto de desejar mal a ninguém, mas sou fria nestas situações. Nestas situações, toda uma raiva acumulada sai cá para fora, acabo sem saber bem porquê; não estou lá, ninguém que amo está lá, mas está lá alguém, alguém está a passar por toda aquele episódio sem qualquer justificação possível. Só consigo pensar que responsáveis por este tipo de situações deviam apodrecer na prisão, ali, numa cela minúscula, a sofrer tanto como o que fizeram sofrer.
Tenho pleno respeito pelas famílias de pessoas que escolhem um mau caminho; não têm qualquer responsabilidade sobre o acto dos seus familiares, a acabam por sofrer tanto como as vítimas dos mesmos. Não falo apenas na vergonha, na humilhação, mas em toda a consciência de saber que criaram, que cresceram com o ser humano capaz de tais atrocidades.
Paralelamente com tudo isto, outros crimes acontecem. Mais pequenos, menos graves, mas acontecem.
Subitamente (e agora no tempo recente), passamos de um país onde a criminalidade não é alarmante (o que não significa que a criminalidade não continue a ser defendida ou não é grave por não ser alarmante) para um país onde todos os dias ouvimos notícias de mais uns crimes cometidos!
Não sei o motivo da súbita mudança de comportamento social, nem sei se alguém saberá, deixando de parte teorias populares.
E nestas alturas considero as forças policiais os maiores heróis, os mais corajosos, os realmente merecedores de qualquer distinção! Nem que seja apenas em teoria...
Uma pessoa, inocente, na flor da idade, morreu porque alguém não fez as escolhas certas e decidiu tomar como refém um autocarro.
Sinceramente, não sei porque o fez, o que tencionava ganhar com isso. Acabou por também ele perder a vida.
Cheguei à sala no momento em que ele começava a sair do autocarro, com a refém em frente, e vi logo de seguida o polícia a chegar por trás e a tentar mata-lo.
Actos como estes, matar sem qualquer necessidade, não me entram na cabeça; não consigo perceber porque alguém quererá fazer uma coisa destas.
Revoltou-me a sua atitude, mas não sei porque a tomou. Muito provavelmente, mesmo se soubesse, continuaria a achar que os polícias, depois de o terem capturado, deviam ter deixado o povo "acabar" com ele (perdoem-me a expressão), como estavam a tentar fazer (no final, só se vê uma multidão a tentar chegar até ao responsável por todo aquele alarido). Não sei se a morte que lhe deram foi a melhor solução; não sofreu, levou a dele avante, não passou por metade do que aquelas pessoas passaram.
Não gosto de desejar mal a ninguém, mas sou fria nestas situações. Nestas situações, toda uma raiva acumulada sai cá para fora, acabo sem saber bem porquê; não estou lá, ninguém que amo está lá, mas está lá alguém, alguém está a passar por toda aquele episódio sem qualquer justificação possível. Só consigo pensar que responsáveis por este tipo de situações deviam apodrecer na prisão, ali, numa cela minúscula, a sofrer tanto como o que fizeram sofrer.
Tenho pleno respeito pelas famílias de pessoas que escolhem um mau caminho; não têm qualquer responsabilidade sobre o acto dos seus familiares, a acabam por sofrer tanto como as vítimas dos mesmos. Não falo apenas na vergonha, na humilhação, mas em toda a consciência de saber que criaram, que cresceram com o ser humano capaz de tais atrocidades.
Paralelamente com tudo isto, outros crimes acontecem. Mais pequenos, menos graves, mas acontecem.
Subitamente (e agora no tempo recente), passamos de um país onde a criminalidade não é alarmante (o que não significa que a criminalidade não continue a ser defendida ou não é grave por não ser alarmante) para um país onde todos os dias ouvimos notícias de mais uns crimes cometidos!
Não sei o motivo da súbita mudança de comportamento social, nem sei se alguém saberá, deixando de parte teorias populares.
E nestas alturas considero as forças policiais os maiores heróis, os mais corajosos, os realmente merecedores de qualquer distinção! Nem que seja apenas em teoria...
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Algo novo
Já está. Começou um novo ponto de viragem.
Já não sou caloira, já não sou nova, sou pré-finalista. Sou maior apenas por dizer que começou o 11º ano.
Mais uns meses me esperam, trabalho pela frente, nova vida.
Pensamento positivo? Faltam só dois anos...
Já não sou caloira, já não sou nova, sou pré-finalista. Sou maior apenas por dizer que começou o 11º ano.
Mais uns meses me esperam, trabalho pela frente, nova vida.
Pensamento positivo? Faltam só dois anos...
sábado, 13 de setembro de 2008
Digestivo infantil
Pus-me a pensar no café, aquele que todos têm a mania de beber depois da refeição ou quando querem pôr a conversa em dia.
E quando começo a pensar no café, vem-me à memória uma bebida que tomava quando era criança: o garoto.
O que é feito do garoto? Ainda alguém se lembra dele? Há uns anos atrás era bem conhecido, ou pelo menos pensava que era, no meu pequeno mundo em que bebia garotos porque não podia beber café como os crescidos.
Eu acho que nos esquecemos da nossa "mini meia de leite". O que não é de estranhar. Não seria realmente estranho estar no restaurante e dizer "Vai desejar café?", "Não, é um garoto, por favor", ou dizer a um amigo "Devíamos ir tomar um garoto um dia destes"? Seria socialmente incorrecto!
Pois eu sinto falta dele. Qualquer dia vou de propósito a um café para ver se ainda sabem fazer garotos!
Começo a pensar que o garoto não passa de uma bebida de crianças, "inventada" para aquelas que querer imitar os adultos quando vão beber o seu café. Até tem um nome sugestivo, garoto... É para a garotada!
E são pequenas coisas como esta que me fazem querer voltar a ser criança... Sim, o simples provar de um garoto.
Sorri
Tiro uma fotografia. Capturo um momento. Guardo memórias dentro de um album.
Uma flor, um sorriso, uma montanha... Apenas tiro uma fotografia que me lembrará de algo.
Posso lembrar-me de ti; muitas me fazem lembrar-te. Talvez seja porque muitas mostram o teu sorriso; talvez seja porque mostram o meu sorriso quando estava contigo.
É por isso que gosto de tirar fotografias: capturam a singular beleza de um determinado segundo irreversível!
Nunca gostaste muito que te tirasse fotografias, e eu sempre tentava capturar essa tua estranha beleza contra tua vontade.
E vou por isso continuando a tirar fotografias: para parar o tempo.
Nunca terás maior beleza do que a que tens agora, a tua vida será inconstante, a não ser naquela fotografia que tirei e que agora está guardada, para recordar sempre que quiser, e sempre que quiseres.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Texto Mensal de Janeiro, 2008
Dois ovnis estavam a disparar tiros um contra o outro. Houve uma explosão.
Um bomba nuclear rebentou. Houve um explosão.
Um carro incendiou-se. Houve uma explosão.
Todo este caos, todas estas explosões vão dar ao fim da Terra.
Os super-heróis não existem, os ovnis também não, mas isso não interessa. Eles não sabem nada. As pessoas morrem. Por causa disso, o mundo fica arruinado, fica acabado.
O ser humano destruiu tudo. As máquinas, os produtos, tudo, isso tudo. A destruição está à nossa volta, a poluição.
Temos de fazer qualquer coisa. A ajuda somos nós que temos de fazer.
Se a destruição continua o nosso planeta vai ficar morto, destruído, tudo de mal nos pode acontecer. Se não ajudarmos, acabamos como uma lata velha toda destruída; como uma laranja podre que foi deitada para o lixo. E eu acho que ninguém quer ficar assim.
Tomás, 6º Ano
_______________________________
Imaginação demasiado fértil ou uma pequena noção da realidade?
Um bomba nuclear rebentou. Houve um explosão.
Um carro incendiou-se. Houve uma explosão.
Todo este caos, todas estas explosões vão dar ao fim da Terra.
Os super-heróis não existem, os ovnis também não, mas isso não interessa. Eles não sabem nada. As pessoas morrem. Por causa disso, o mundo fica arruinado, fica acabado.
O ser humano destruiu tudo. As máquinas, os produtos, tudo, isso tudo. A destruição está à nossa volta, a poluição.
Temos de fazer qualquer coisa. A ajuda somos nós que temos de fazer.
Se a destruição continua o nosso planeta vai ficar morto, destruído, tudo de mal nos pode acontecer. Se não ajudarmos, acabamos como uma lata velha toda destruída; como uma laranja podre que foi deitada para o lixo. E eu acho que ninguém quer ficar assim.
Tomás, 6º Ano
_______________________________
Imaginação demasiado fértil ou uma pequena noção da realidade?
domingo, 7 de setembro de 2008
Baú de recordações
Desde já algum tempo que tenho o hábito de, quando as férias estão a chegar ao fim, arrumar a tralha toda que está na gavetinha (diga-se uma gavetinha muito grande) onde guardo as coisas da escola. Sou uma pessoa que gosta de ter as suas coisas organizadas e arrumadas, e para isso há que fazer a "limpeza geral".
Hoje foi esse dia.
Comecei então a tirar livros, papelinhos, cadernos e afins aos pacotes! Até consegui encontrar no meio de tanta papelaria dois exemplares da revista Blitz e outro da National Geographic que andavam perdidos entre os livros, vai-se lá saber porquê! O chão fica repleto dessas mesmas coisas, à espera de saber o seu destino: ou ficam, ou vão.
Também lá no meio estavam pequenas grandes recordações que tenho guardado ao longo destes anos. E a tralha que tinha ali dentro...
Desde uma folha de trabalhos de casa toda assinada, a um guião de um teatro, a exemplares de jornais (daqueles que fazemos para arranjar dinheiro para a viagem de finalistas) ou até mesmo trabalhos das aulas de EV, todos geométricos e cheios de cor, e folhas repletas de diálogos tidos durante as aulas.
Parecendo que não, cada uma destas coisas, e tantas outras que descobri que guardei, relembram um momento, um grupo, toda uma panafernália de sentimentos!
Os livros de escola vão indo para o papelão, as folhas que não interessam acompanham-nos, mas há sempre algo que fica guardado da gaveta.
O que uma pessoa chega a guardar... Para nos recordarmos guardamos o que parece mais ridículo, nem que seja um pedaço de tecido azul turquesa que outrora fizeram parte das calças de fato-de-treino de uma pessoa amiga. Sim, era uma recordação um pouco estranha, devo confessar, mas resultava!
E, daqui a uma semana, mais uma jornada começa.
Enquanto que a gaveta começa a ficar cheia de livros de 11º ano, lá nos confins ainda vemos uma folha de trabalhos de casa do 8º ano cheia de assinaturas, ou trabalhos de EV do 7º, ou jornais escolares do 9º.
Porque gosto de ter o meu baú de recordações...
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Hábitos
Acabei de ler Os Maias, de Eça de Queirós. Achei, sinceramente, um livro fantástico! Tem tudo: a intriga, o duro e puro romance, a crítica, a libertinagem… Encontrei um livro que, juntamente com uma escrita que me deixou impressionada, mantém uma história de amor à novela mexicana, como costumo dizer, mas que diz muito mais do que muito documentos históricos sobre uma sociedade portuguesa no século XIX!
Os livros de época são, se me permitem dizer a minha humilde opinião, o melhor documento histórico que podemos ter; os escritores têm tendência para escrever de acordo com o tempo em que vivem, transparecendo assim a sociedade da época.
Talvez seja por isso que gosto tanto de livros de séculos passados; transportam-me para outro tempo, já longínquo…
Estou-me a dispersar. Não queria estar aqui a falar de Eça nem da importância deste tipo de obras, mas sim das pessoas.
Sim, das pessoas. Porque dei-me conta (gosto muito de começar as minhas teorias com esta expressão) que é comum na sociedade portuguesa a generalidade não estar contente com o que se tem.
Acontece que já no século XIX, como pude verificar, existia um descontento e um desejo de ser como os países estrangeiros que se foi mantendo ao longo de um século e qualquer coisa! Se era assim antes ou não, já não sei…
Esta história do Português ser isto e aquilo veio novamente à conversa (ou ao texto, como quiserem) porque pergunto-me agora o porquê desta insaciável descontentação! Sim, é aquela conversa que toda a gente tem, mas paço a explicar: será que nos outros países, que dizemos tão avançados, também existe um povo que tem como habitual actividade criticar o governo, ou é só de nós? É que este comportamento pode ter uma explicação psicológica!
Vejamos:
• 1. Se este tipo de comportamento for verificado noutros países, significa que não passa de uma necessidade humana o querer sempre mais, o nunca nada estar perfeito e como queremos. Como tal, criticamos o Governo e tudo o que não nos permite viver no Mundo ideal, ou seja, na Utopia. Há sempre algo que nos deixa com os cabelos em pé. Solução: ignorar a não ser que tenha algum fundamento a crítica feita;
• 2. Se for de nós, como povo, significa que este comportamento é um comportamento típico português, como o falar alto é um comportamento típico italiano e o requintado é o francês; faz parte da nossa patologia. Esta “patologia” pode ter origem no facto de vermos sempre alguém, ou, neste caso, algum país, à nossa frente, sabermos que há gente a viver muito melhor que nós noutros países e que vamos sempre ficando para trás. Podemos dizer que estamos traumatizados com este facto e desenvolvemos este hábito! Solução: tornamos este hábito num ícone do país, mais um factor turístico;
• Este comportamento é verificado também noutros países, mas em áreas diferentes. Por exemplo: nós, Portugueses, dizemos que não temos um serviço de urgências eficaz; os Americanos (exemplo) dizem que não têm McDonald’s suficientes para saciar a sua fome. Neste caso podemos verificar que, no caso Português, talvez este comportamento seja, de facto, um modo de descontentamento justificável mas não é normal nos restantes seres humanos, uma vez que o Americano apenas se queixa porque acabou por se tornar picuinhas e carente de bens de 2ª necessidade que lhe puderam ser concedidos tendo em conta o desenvolvimento do seu país que não se verificou em Portugal. Assim, talvez não seja um hábito Humano ou apenas Português, mas sim uma necessidade ou uma peneira, dependendo dos casos. Solução: um melhor Governo para os Portugueses e talvez alguma terapia de choque para os Americanos (neste caso específico).
É que todos nós criticamos o facto de todos criticarem, mas nunca sabemos porque é que se critica…
Vendo bem, talvez seja normal... Já nem sei! Mas era um caso a estudar!...
Eu acharia interessante, mas talvez eu seja suspeita...
Os livros de época são, se me permitem dizer a minha humilde opinião, o melhor documento histórico que podemos ter; os escritores têm tendência para escrever de acordo com o tempo em que vivem, transparecendo assim a sociedade da época.
Talvez seja por isso que gosto tanto de livros de séculos passados; transportam-me para outro tempo, já longínquo…
Estou-me a dispersar. Não queria estar aqui a falar de Eça nem da importância deste tipo de obras, mas sim das pessoas.
Sim, das pessoas. Porque dei-me conta (gosto muito de começar as minhas teorias com esta expressão) que é comum na sociedade portuguesa a generalidade não estar contente com o que se tem.
Acontece que já no século XIX, como pude verificar, existia um descontento e um desejo de ser como os países estrangeiros que se foi mantendo ao longo de um século e qualquer coisa! Se era assim antes ou não, já não sei…
Esta história do Português ser isto e aquilo veio novamente à conversa (ou ao texto, como quiserem) porque pergunto-me agora o porquê desta insaciável descontentação! Sim, é aquela conversa que toda a gente tem, mas paço a explicar: será que nos outros países, que dizemos tão avançados, também existe um povo que tem como habitual actividade criticar o governo, ou é só de nós? É que este comportamento pode ter uma explicação psicológica!
Vejamos:
• 1. Se este tipo de comportamento for verificado noutros países, significa que não passa de uma necessidade humana o querer sempre mais, o nunca nada estar perfeito e como queremos. Como tal, criticamos o Governo e tudo o que não nos permite viver no Mundo ideal, ou seja, na Utopia. Há sempre algo que nos deixa com os cabelos em pé. Solução: ignorar a não ser que tenha algum fundamento a crítica feita;
• 2. Se for de nós, como povo, significa que este comportamento é um comportamento típico português, como o falar alto é um comportamento típico italiano e o requintado é o francês; faz parte da nossa patologia. Esta “patologia” pode ter origem no facto de vermos sempre alguém, ou, neste caso, algum país, à nossa frente, sabermos que há gente a viver muito melhor que nós noutros países e que vamos sempre ficando para trás. Podemos dizer que estamos traumatizados com este facto e desenvolvemos este hábito! Solução: tornamos este hábito num ícone do país, mais um factor turístico;
• Este comportamento é verificado também noutros países, mas em áreas diferentes. Por exemplo: nós, Portugueses, dizemos que não temos um serviço de urgências eficaz; os Americanos (exemplo) dizem que não têm McDonald’s suficientes para saciar a sua fome. Neste caso podemos verificar que, no caso Português, talvez este comportamento seja, de facto, um modo de descontentamento justificável mas não é normal nos restantes seres humanos, uma vez que o Americano apenas se queixa porque acabou por se tornar picuinhas e carente de bens de 2ª necessidade que lhe puderam ser concedidos tendo em conta o desenvolvimento do seu país que não se verificou em Portugal. Assim, talvez não seja um hábito Humano ou apenas Português, mas sim uma necessidade ou uma peneira, dependendo dos casos. Solução: um melhor Governo para os Portugueses e talvez alguma terapia de choque para os Americanos (neste caso específico).
É que todos nós criticamos o facto de todos criticarem, mas nunca sabemos porque é que se critica…
Vendo bem, talvez seja normal... Já nem sei! Mas era um caso a estudar!...
Eu acharia interessante, mas talvez eu seja suspeita...
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Necessidades existênciais
Descobri-me sem vontade para encontros casuais aos quais sou obrigada a ir. É como estar numa peça de teatro na qual somos espectadores e actores simultaneamente, enquanto nos sentamos e ficamos a ver e a ouvir quem passa à nossa volta e fingimos estar interessados.
Neste momento, tenho uma máscara posta; de quando em vez sinto um olhar preso em mim.
Sei que não tenho um feitio fácil quando não estou na minha melhor disposição; têm sorte se ouvirem a sair da minha boca mais do que duas palavras seguidas! No entanto, tento manter a minha personagem.
Vou mantendo a cabeça ocupada com outras coisas, superficiais, longe da frustração de não poder estar em casa. Bolas, não tenho a depilação feita e estou de saia! Não tencionava sair de casa hoje... Ficou nevoeiro, de repente... Não percebo nada deste tempo, ora está sol, ora está quase a chover! Que cinzeiros tão engraçados...
E a tarde continua, e eu esperando.
O serão é preenchido pela conversa de circunstância, as politiquices que preenchem uma sociedade mundana. Mantenho-me sempre como espectadora, a maior parte do tempo pouco atenta.
Caras vistas esporadicamente vão desfilando e instalando à minha volta e o tempo passa, vejo as horas a avançar até ao momento em que saio por aquela porta.
As vozes vão-se elevando, a conversa é geral em volta da mesa.
Inexplicavelmente, aquele desejo de partir ainda se faz sentir, mas uma pequena parte está a gostar do calor das vozes que se fazem agora ouvir mais alegremente. Passo a estar entre o querer ir e o querer ficar, agora que me instalei.
Acabo por ir. E quando vou ainda guardo aquele calor que se emanou na noite.
Porque faz parte da natureza humana a necessidade de contacto com os iguais, o convívio, o falar de tudo e de nada.
E, afinal de contas, que sou eu para além de mais um ser humano nesta Terra?
Neste momento, tenho uma máscara posta; de quando em vez sinto um olhar preso em mim.
Sei que não tenho um feitio fácil quando não estou na minha melhor disposição; têm sorte se ouvirem a sair da minha boca mais do que duas palavras seguidas! No entanto, tento manter a minha personagem.
Vou mantendo a cabeça ocupada com outras coisas, superficiais, longe da frustração de não poder estar em casa. Bolas, não tenho a depilação feita e estou de saia! Não tencionava sair de casa hoje... Ficou nevoeiro, de repente... Não percebo nada deste tempo, ora está sol, ora está quase a chover! Que cinzeiros tão engraçados...
E a tarde continua, e eu esperando.
O serão é preenchido pela conversa de circunstância, as politiquices que preenchem uma sociedade mundana. Mantenho-me sempre como espectadora, a maior parte do tempo pouco atenta.
Caras vistas esporadicamente vão desfilando e instalando à minha volta e o tempo passa, vejo as horas a avançar até ao momento em que saio por aquela porta.
As vozes vão-se elevando, a conversa é geral em volta da mesa.
Inexplicavelmente, aquele desejo de partir ainda se faz sentir, mas uma pequena parte está a gostar do calor das vozes que se fazem agora ouvir mais alegremente. Passo a estar entre o querer ir e o querer ficar, agora que me instalei.
Acabo por ir. E quando vou ainda guardo aquele calor que se emanou na noite.
Porque faz parte da natureza humana a necessidade de contacto com os iguais, o convívio, o falar de tudo e de nada.
E, afinal de contas, que sou eu para além de mais um ser humano nesta Terra?
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