Descobri-me sem vontade para encontros casuais aos quais sou obrigada a ir. É como estar numa peça de teatro na qual somos espectadores e actores simultaneamente, enquanto nos sentamos e ficamos a ver e a ouvir quem passa à nossa volta e fingimos estar interessados.
Neste momento, tenho uma máscara posta; de quando em vez sinto um olhar preso em mim.
Sei que não tenho um feitio fácil quando não estou na minha melhor disposição; têm sorte se ouvirem a sair da minha boca mais do que duas palavras seguidas! No entanto, tento manter a minha personagem.
Vou mantendo a cabeça ocupada com outras coisas, superficiais, longe da frustração de não poder estar em casa. Bolas, não tenho a depilação feita e estou de saia! Não tencionava sair de casa hoje... Ficou nevoeiro, de repente... Não percebo nada deste tempo, ora está sol, ora está quase a chover! Que cinzeiros tão engraçados...
E a tarde continua, e eu esperando.
O serão é preenchido pela conversa de circunstância, as politiquices que preenchem uma sociedade mundana. Mantenho-me sempre como espectadora, a maior parte do tempo pouco atenta.
Caras vistas esporadicamente vão desfilando e instalando à minha volta e o tempo passa, vejo as horas a avançar até ao momento em que saio por aquela porta.
As vozes vão-se elevando, a conversa é geral em volta da mesa.
Inexplicavelmente, aquele desejo de partir ainda se faz sentir, mas uma pequena parte está a gostar do calor das vozes que se fazem agora ouvir mais alegremente. Passo a estar entre o querer ir e o querer ficar, agora que me instalei.
Acabo por ir. E quando vou ainda guardo aquele calor que se emanou na noite.
Porque faz parte da natureza humana a necessidade de contacto com os iguais, o convívio, o falar de tudo e de nada.
E, afinal de contas, que sou eu para além de mais um ser humano nesta Terra?
" Bird of prey flying high, take me on your flight "
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