" Bird of prey flying high, take me on your flight "

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Estive a ver o final do documentário acerca dos reféns que foram feitos num autocarro, no Rio de Janeiro, em 2000. Não o devia ter feito.

Uma pessoa, inocente, na flor da idade, morreu porque alguém não fez as escolhas certas e decidiu tomar como refém um autocarro.
Sinceramente, não sei porque o fez, o que tencionava ganhar com isso. Acabou por também ele perder a vida.
Cheguei à sala no momento em que ele começava a sair do autocarro, com a refém em frente, e vi logo de seguida o polícia a chegar por trás e a tentar mata-lo.
Actos como estes, matar sem qualquer necessidade, não me entram na cabeça; não consigo perceber porque alguém quererá fazer uma coisa destas.

Revoltou-me a sua atitude, mas não sei porque a tomou. Muito provavelmente, mesmo se soubesse, continuaria a achar que os polícias, depois de o terem capturado, deviam ter deixado o povo "acabar" com ele (perdoem-me a expressão), como estavam a tentar fazer (no final, só se vê uma multidão a tentar chegar até ao responsável por todo aquele alarido). Não sei se a morte que lhe deram foi a melhor solução; não sofreu, levou a dele avante, não passou por metade do que aquelas pessoas passaram.

Não gosto de desejar mal a ninguém, mas sou fria nestas situações. Nestas situações, toda uma raiva acumulada sai cá para fora, acabo sem saber bem porquê; não estou lá, ninguém que amo está lá, mas está lá alguém, alguém está a passar por toda aquele episódio sem qualquer justificação possível. Só consigo pensar que responsáveis por este tipo de situações deviam apodrecer na prisão, ali, numa cela minúscula, a sofrer tanto como o que fizeram sofrer.

Tenho pleno respeito pelas famílias de pessoas que escolhem um mau caminho; não têm qualquer responsabilidade sobre o acto dos seus familiares, a acabam por sofrer tanto como as vítimas dos mesmos. Não falo apenas na vergonha, na humilhação, mas em toda a consciência de saber que criaram, que cresceram com o ser humano capaz de tais atrocidades.

Paralelamente com tudo isto, outros crimes acontecem. Mais pequenos, menos graves, mas acontecem.
Subitamente (e agora no tempo recente), passamos de um país onde a criminalidade não é alarmante (o que não significa que a criminalidade não continue a ser defendida ou não é grave por não ser alarmante) para um país onde todos os dias ouvimos notícias de mais uns crimes cometidos!
Não sei o motivo da súbita mudança de comportamento social, nem sei se alguém saberá, deixando de parte teorias populares.

E nestas alturas considero as forças policiais os maiores heróis, os mais corajosos, os realmente merecedores de qualquer distinção! Nem que seja apenas em teoria...

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