" Bird of prey flying high, take me on your flight "

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

" E aqueles que se vão da Lei da Morte libertando "

Ando a ser perseguída por uma música. Depois de anos sem a ouvir, agora que a ouvi oiço em todo o lado; ressuscitou dos mortos.
Não me lembro do seu nome, nem de quem a cantou. Era popular, isso sei eu, toda a gente a conhecia. Agora persegue-me.

Precisava de ser recordada. Já ninguém se lembrava dela, sentia-se esquecida. Ninguém gosta de ser esquecido, gostamos que mantenham na lembrança tudo aquilo que somos, e vamos recordando quem nos esquece.
A memória prega partidas a quem não quer ser apanhado nas teias do esquecimento. Já dizia Camões que esse esquecimento não passa da "Lei da morte"; somos lembrados pelos filhos, pelos netos, talvez pelos bisnetos, e depois passamos a ser mais um familiar que a terra guarda.

Aquiles queria ser lembrado. Partiu para Tróia com o destino traçado, sabendo que a sua vida seria interrompida. Como Aquiles, aquela música quer ser lembrada; sabia que um dia o pódio deixaria de ser seu, mas continuou em frente e hoje tenta mostrar-me que ainda existe. Eu recordo-a; não é uma canção genial, mas todas as canções merecem ser recordadas.

Pois não há outro objectivo na verdadeira música senão deixar a nossa marca para os que vêm depois de nós. De cada vez que alguém ouve a canção, ela é recordada e o artista ouvido mais uma vez.
Toda a canção merece a imortalidade. Não é feita para ser esquecida, mas sim para ser relembrada, nem que seja apenas em pequenas coisas, quando nos persegue.

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