" Bird of prey flying high, take me on your flight "

domingo, 31 de agosto de 2008

Salvadores da Pátria


A grande civilização grega deixou-nos um variado legado. Hoje em dia, muito do que fazemos ou acreditamos teve origem na Antiguidade, como a Democracia, “criação” ateniense, ou a celebração do desporto através dos Jogos Olímpicos. A tradição de reunir os melhores atletas de todos os desportos de quatro em quatro anos continuou até aos nossos dias e hoje até foi alargada, sendo este evento outrora grego hoje um evento mundial!
Hoje, os Jogos são uma união; o mundo reúne-se para assistir a bom desporto! Deixamos conflitos de lado, até podemos esquecer por momentos a ironia de realizar tal evento desportivo na cidade mais poluída do mundo, ou em todos os movimentos policiais que impediram manifestações à força para manter a boa impressão do país da dita cidade, apenas porque são os Jogos Olímpicos!

Confesso que quando ouvi “ Nélson Évora é oficialmente o novo campeão Olímpico de triplo-salto!” saltei da cadeira, dei um grande “yeeeah” e levantei os braços a festejar a vitória! Momentos antes tinha já mandado um “Toma lá!” quando vi o salto dos 17,67 metros que daria essa mesma vitória. No dia seguinte, há uma da tarde, lá estava eu no bar da praia em frente da televisão a ouvir “A Portuguesa” e a ver a nossa bandeira a subir, bem lá no alto.
Ainda não sei porque o fiz. Não assisti à vitória da Vanessa nem à prestação de qualquer um dos atletas portugueses até chegar a final do triplo-salto. Talvez tentasse compensar a minha falta de interesse pelo desporto português, ou então comportava-me como mais um que, depois de todos perderem, queria ver o único a ganhar.

Dizem os entendidos que foi a melhor participação portuguesa nos Jogos Olímpicos, mas ninguém parece estar satisfeito com os “nossos” resultados.
Até consigo entender; tínhamos os melhores do mundo (segundo os campeonatos mundiais) a competir, mas isto não era um mero campeonato, eram os Jogos Olímpicos, o maior evento desportivo de sempre! A pressão que o atleta sente deve ser uma constante, não precisamos de ouvir a toda a hora que o povo tem os olhos postos em nós! Qualquer profissional, por muito profissional que seja, tende a vacilar quando tem o peso do país nos seus ombros.
No final, quando até podia tentar compreender a “falha”, ouvimos a melhor representação do país que alguma vez podia existir. Afinal, não foram os atletas que falharam; quem falhou foi o tempo, porque estava vento, ou o árbitro, que não estava com atenção, ou o resto da atmosfera porque não proporcionou as condições necessárias à vitória! Não é motivo de orgulho saber que temos atletas que mostram tão bem lá para fora como é o seu país? Há poucos assim… (tenho a lágrima ao canto do olho, vou só buscar um lenço).

Mais uma vez, confesso que senti orgulho, como portuguesa, em ouvir o nosso hino naquele estádio colossal! Estava entusiasmada; o mundo estava a ouvi-lo também, sabia que Portugal era o país daquele rapaz sorridente que fizera a melhor marca do ano no triplo-salto! Era o país que tinha uma vice-campeã no triatlo e um 4º lugar na vela, a um ponto do 3º! Também podemos ter bons atletas neste nosso país. A prestação dos restantes foi esquecida; deram o seu melhor na altura, fizeram o que podiam, isso bastou-me ao saber que os seus resultados superaram o passado!

“Contra os canhões marchar, marchar!”
Sempre fomos bons a marchar contra os canhões; nunca nos demos bem enquanto país oprimido. É bom saber que ainda conseguímos mostrar o muito que valemos, pelo menos para os nossos.
Então aproveitem, festejem; trouxeram uma prata, um ouro e os melhores resultados de sempre! No final, só podemos agradecer por ter participado neste evento magnífico!

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