Acabei de ler Os Maias, de Eça de Queirós. Achei, sinceramente, um livro fantástico! Tem tudo: a intriga, o duro e puro romance, a crítica, a libertinagem… Encontrei um livro que, juntamente com uma escrita que me deixou impressionada, mantém uma história de amor à novela mexicana, como costumo dizer, mas que diz muito mais do que muito documentos históricos sobre uma sociedade portuguesa no século XIX!
Os livros de época são, se me permitem dizer a minha humilde opinião, o melhor documento histórico que podemos ter; os escritores têm tendência para escrever de acordo com o tempo em que vivem, transparecendo assim a sociedade da época.
Talvez seja por isso que gosto tanto de livros de séculos passados; transportam-me para outro tempo, já longínquo…
Estou-me a dispersar. Não queria estar aqui a falar de Eça nem da importância deste tipo de obras, mas sim das pessoas.
Sim, das pessoas. Porque dei-me conta (gosto muito de começar as minhas teorias com esta expressão) que é comum na sociedade portuguesa a generalidade não estar contente com o que se tem.
Acontece que já no século XIX, como pude verificar, existia um descontento e um desejo de ser como os países estrangeiros que se foi mantendo ao longo de um século e qualquer coisa! Se era assim antes ou não, já não sei…
Esta história do Português ser isto e aquilo veio novamente à conversa (ou ao texto, como quiserem) porque pergunto-me agora o porquê desta insaciável descontentação! Sim, é aquela conversa que toda a gente tem, mas paço a explicar: será que nos outros países, que dizemos tão avançados, também existe um povo que tem como habitual actividade criticar o governo, ou é só de nós? É que este comportamento pode ter uma explicação psicológica!
Vejamos:
• 1. Se este tipo de comportamento for verificado noutros países, significa que não passa de uma necessidade humana o querer sempre mais, o nunca nada estar perfeito e como queremos. Como tal, criticamos o Governo e tudo o que não nos permite viver no Mundo ideal, ou seja, na Utopia. Há sempre algo que nos deixa com os cabelos em pé. Solução: ignorar a não ser que tenha algum fundamento a crítica feita;
• 2. Se for de nós, como povo, significa que este comportamento é um comportamento típico português, como o falar alto é um comportamento típico italiano e o requintado é o francês; faz parte da nossa patologia. Esta “patologia” pode ter origem no facto de vermos sempre alguém, ou, neste caso, algum país, à nossa frente, sabermos que há gente a viver muito melhor que nós noutros países e que vamos sempre ficando para trás. Podemos dizer que estamos traumatizados com este facto e desenvolvemos este hábito! Solução: tornamos este hábito num ícone do país, mais um factor turístico;
• Este comportamento é verificado também noutros países, mas em áreas diferentes. Por exemplo: nós, Portugueses, dizemos que não temos um serviço de urgências eficaz; os Americanos (exemplo) dizem que não têm McDonald’s suficientes para saciar a sua fome. Neste caso podemos verificar que, no caso Português, talvez este comportamento seja, de facto, um modo de descontentamento justificável mas não é normal nos restantes seres humanos, uma vez que o Americano apenas se queixa porque acabou por se tornar picuinhas e carente de bens de 2ª necessidade que lhe puderam ser concedidos tendo em conta o desenvolvimento do seu país que não se verificou em Portugal. Assim, talvez não seja um hábito Humano ou apenas Português, mas sim uma necessidade ou uma peneira, dependendo dos casos. Solução: um melhor Governo para os Portugueses e talvez alguma terapia de choque para os Americanos (neste caso específico).
É que todos nós criticamos o facto de todos criticarem, mas nunca sabemos porque é que se critica…
Vendo bem, talvez seja normal... Já nem sei! Mas era um caso a estudar!...
Eu acharia interessante, mas talvez eu seja suspeita...
" Bird of prey flying high, take me on your flight "
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1 comentário:
Eu nao acredito que ja estas despachada dos maias! ainda nem comecei ^^ beijo* thanks pelos coments
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