" Bird of prey flying high, take me on your flight "

sábado, 24 de outubro de 2009

Civilizados somos todos

Hoje decidi ir ao lançamento do novo livro do José Rodrigues dos Santos, Fúria Divina, no Colombo. Sou admiradora do jornalista/escritor/professor (A Filha do Capitão é dos meus livros predilectos), e não deixei escapar a oportunidade de o conhecer.
Foi uma experiência interessante.

A sessão começava às 17.00 horas, eu cheguei uma hora antes. Nada de mais.
Pouco tempo depois, comecei a aperceber-me de que a "entrada", ou a fila para a sessão de autógrafos posterior, iría ser algo parecido com um dia de concerto de 30 Seconds To Mars ou Tokio Hotel no Pavilhão Atlântico: fãs acérrimos do escritor, ansiosos por um vislumbre do admirado e duas palavras simpáticas, começavam a empurrar para ficar à entrada do corredor, a tentar entrar quando não deviam e por aí além. Mas não acabou aqui.
Ora, a sessão começou. Umas apresentações de convidados, do próprio escritor (que fala muito bem, devo acrescentar), e a multidão a continuar a crescer. E a crescer. E a crescer. E a crescer. E os empurrões a aumentar. A aumentar. A aumentar.
E tudo passou.
A sessão de apresentação entretanto acabou e ía começar os autógrafos. No entanto, a apresentadora teve o cuidado de avisar os leitores de que, antes da sessão de autógrafos, 15 minutos íam ser dedicados à imprensa. O que é que se sucedeu? A multidão não ouviu, ou fingiu não ouvir, ou percebeu mal, e começou a avançar para a mesa dedicada ao efeito. E a avançar. E a avançar. E a avançar.

Conclusão: a fila indiana não aconteceu, e quem estava ali à horas ficou a meio ou quase no final da fila - só a senhora que estava atrás de mim estava ali desde as 14.00 horas! Eu fiquei a meio, entre gente que parecia não acabar, como numa lata de sardinhas; aquelas horas passadas no Coliseu no dia do concerto dos 30 Seconds To Mars foram recordadas, num constante dejá vu.
Eu deixei-me ir; os empurrões e as pessoas com a mania que são espertas não me afectaram. Muito pelo contrário: senti-me muito bem comigo mesma, sabendo que tenho a paciência e que sou civilizada o suficiente para me comportar educadamente numa fila daquela envergadura. Depois de quase 45 minutos à espera, cheguei à mesa e pedi a assinatura, não sem antes deixar passar a bem disposta senhora que estava há tanto tempo à espera...

Percebi que afinal não são só os jovens com a líbido exaltada que se comportam de uma maneira muito pouco civilizada; é toda uma população que pensa que tudo tem de ser à sua maneira.
Enfim...


Entretanto, os parabéns a José Rodrigues dos Santos. O seu discurso foi bastante interessante, e a história também não lhe fica atrás. Mesmo que não interrompa a minha repetição da saga Harry Potter (deu-me uma vontade enorme de reler estes livros), vou andar com uma curiosidade enorme!

1 comentário:

ClaraLM disse...

As pessoas partem (quase) sempre do principio que os jovens são uns maleducados, ainda bem que estavas lá para mostrar que isso não é verdade :D
* também sou fã do Harry Potter