" Bird of prey flying high, take me on your flight "

domingo, 27 de setembro de 2009

O inferno treme

Tudo tremeu.
Tudo tremeu quando 43 mil pares de pés começaram a bater no chão, quando 43 mil pares de mãos começaram a bater palmas.
A expectativa era demasiada; todas as 43 mil pessoas ansiavam que aquele fosse o momento de se levantarem num pulo, com braços no ar e gargantas a arranhar.
A frustração e ansiedade foram constantes até chegar o minuto em que tudo tremeu quando 43 mil vozes se ergueram e proferiram uma só palavra: Golo.
Durante 90 minutos, cinco vezes as 43 mil vozes se ergueram, e nessas cinco vezes tudo tremeu. E tremeu ainda quando todo proferiram os cânticos preferidos, elevando a moral de quem nos faz tremer.
E tudo o que me rodeava era vermelho e branco, num autêntico inferno de Luz. Tudo,menos o verde relvado em que rebolava a bola.
O calor humano não se explica, sente-se.

(a minha tentativa de tornar um jogo de futebol poético. Apesar de me insurgir contra a elevada importância que o futebol tem no país, um jogo no estádio é para mim pura terapia, tal como um concerto - para além de esquecer tudo, ainda tenho oportunidade de deitar para o árbitro as minhas frustrações e ficar rouca para não dizer o que não devo)

Era uma vez a triste realidade humana

Era uma vez um planeta habitado por dois tipos de pessoas: uns que tinham tudo aquilo que necessitavam para conseguir sobreviver, como um prato de comida, e outros que pouco ou nada tinham, chegando mesmo alguns a morrer devido à falta de alimentos.
Um dia, os que estavam fortes repararam que o preço do leite que produziam com a ajuda das suas vacas começou a descer, a descer, a descer, e não gostaram de saber; tinham tanto leite e ninguém a comprava, que tinham de baixar o preço. "Ora", pensaram eles, "se o preço é tão baixo não ganhamos nada, temos de fazer com que o preço suba outra vez, porque precisamos de muitos alimentos para ter força para trabalhar".
Mas tinham um problema: o que é que íam fazer com todo aquele leite que ninguém bebia? Era preciso pô-lo em algum lugar, ou dá-lo a alguém, para que os preços pudessem subir. Como é que o faríamos?
"Fácil!", alguém pensou. "Que tal enchermos os camiões com o leite e começarmos a deitá-lo fora enquanto andamos? Assim o leite vai para a terra e os preços voltam a subir". Que optima ideia pensaram todos que era!...
E assim o fizeram: pegaram no leite e deixaram-no escorrer, algum até para certas colheitas de alimentos. O leite já era menos e os preços subiram.
Durante o tempo em que os mais fortes deitavam fora leite e estragavam outros alimentos, os mais fracos continuavam fracos, tão fracos que não conseguiam trabalhar para arranjar comida para ficarem fortes e, quem sabe, ajudar a produzir o leite.
Mas, sejamos realistas: não é bem mais fácil mandar fora uma fonte importante de nutrientes do que dar a quem precisa? Vamos trabalhar sem receber, é? Ninguém gosta de trabalhar de borla...

domingo, 20 de setembro de 2009

« Dance with me »



É amor. Defenitivamente.




Mais vale descobri-los tarde do que nunca.
Adeus, do fundo do coração.