" Bird of prey flying high, take me on your flight "

quinta-feira, 26 de junho de 2008

" Para onde vamos "

Acabei há coisa de um minuto de ler a edição especial da "National Geographic" deste mês sobre as alterações climáticas; foi o tempo de procurar o caderno e a caneta e começar a escrever.
Sabiam que cerca de 5 a 8% da energia consumida em nossa cada provem de todos os aparelhos electrónicos que estão sempre ligados à tomada? E que uma ventoinha de tecto gasta menos 98% de energia que um ar condicionado? Ou mesmo que a utilização de uma lâmpada fluorescente compacta vai reduzir a emissão de dióxido de carbono (CO2) em valores equivalentes à quantidade libertada deste gás na queima de 230 Kg de carvão? Eu não sabia.
Desde que o termo "Aquecimento Global" se tem vindo a espalhar que tento manter-me atenta a tudo o que engloba e às suas consequências. No entanto, confesso que, apesar de ter em mente essas consequências, dei-me conta que ainda há tanto que posso fazer, juntamente com a minha família que é constantemente bombardeada pelos meus avisos.
Não existe ainda uma consciencialização do problema e somos ainda levados pelas comodidades que a tecnologia dispõe à custa de umas quantas emissões de CO2! Eu falo por mim, que ainda ontem preferi uma boleia do meu pai até à estação de comboios para uma ida à praia do que, por exemplo, o metro! Na altura nem me lembrei das consequências que essa pequena viagem de 15 minutos de carro pudesse ter na atmosfera terrestre, mas o que acontece é que teve.
Na realidade, não é muito difícil mudar alguns hábitos na nossa casa de maneira a esta ser mais ecológica. O problema que encontramos é que estamos habituados e, de certa forma, dependentes de tantos objectos e aparelhos dispensáveis e prejudiciais.
Hoje tenho plena consciência disso. Apenas hoje, depois de não sei quanto tempo a tentar alertar quem me rodeia e a tomar pequenas iniciativas, percebi que tenho ainda um longo caminho a percorrer até conseguir ajudar um pouco mais a Mãe Terra!
Depois de olhar em frente e prever dias aterradores para o planeta, receio pelo meu futuro, mas também pelo dos meus filhos por nascer, sobrinhos e tantos outros familiares que viverão no pico da grande mudança e que terão nos seus ombros o peso das acções tomadas por nós e pelos nossos antepassados!
Este é o único planeta que conhecemos com condições necessárias para a existência de vida. Até agora, podemos ter orgulho em ser os únicos seres que tiveram o privilégio de viver! É por isso que não entendo como podemos deixar que o nosso único lar seja destruído...
Quando olho à minha volta, gosto de ver o jardim da minha casa: a verde relva, as flores de todas as cores, a grande palmeira que me dá sombra... O prazer que me dá poder deitar-me e sentir a brisa a passar, ou a alegria sentida ao ver as brincadeiras do meu sobrinho na piscina. Temo que daqui a uns anos me seja impossível relaxar à sombra da palmeira; o calor será tanto que o melhor será ficar em casa e aproveitar o fresco da ventoinha, os passeios serão dolorosos de dar; não sei se a água da piscina estará fresca o suficiente para nos refrescar, as brincadeiras terminarão.
Daqui a 70 anos, o mar poderá engolir a terra e esta casa desaparecerá.Daqui a 70 anos, todos os locais em que cresci e fui feliz poderão não existir.
Poderão os meus filhos encontrar ainda o prazer da sombra da palmeira da casa dos avós?


Porque vem um comboio contra nós e vai haver uma colisão mais cedo ou mais tarde
Bono Vox


Título retirado do texto de Bill McKibben publicado na edição especial da revista "National Geographic" do mês de Junho, "Alterações Climáticas"

terça-feira, 24 de junho de 2008

Memories

A História tem os seus momentos grandiosos



A grandiosidade nada está relacionada com a grandiosidade dos seus edifícios; a sua arte, criatividade e cultura não precisa de edifícios para mostrar que são grandes.

A Filha do Capitão - Reflexão I

Quem és tu que montas o cavalo e julgas tudo teu? Que direito tens em tirar a vida a quem nunca fez nada para merecer tal destino? Julgas-te inabalável e com poder supremo, mas um dia o trono ruirá! Pensas-te com um destino grandioso e com o mundo a teus pés, mas verás que os sonhos muitas vezes é para quando dormes. Não mereces respeito quando não respeitas quem te rodeia; acabarás no meio da tua amargura quando tudo o que acreditas e anseias acabar, como acaba um sonho ao acordar num novo dia.

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O progresso faz parte da tua natureza, Homem astuto e apressado em avançar com o amanhã. Queres estar sempre um passo à frente de tudo o que te rodeia, trabalhas com o objectivo de melhorar a vida da tua comunidade, ou pelo menos é isso que dizes. O progresso não terá um fim se estiver nas tuas mãos o seu destino. Avanças sem pensar em tudo o que podes desencadear.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

23 de Junho de 2008

Hoje apeteceu-me escrever sobre o meu dia. Não sei bem porquê...
Para dizer a verdade, ainda não acabou. Aliás, ainda vai a meio, mas tenho já uma certa ideia de como poderá ser.
Depois de uma curta manhã a ver programas de televisão sem nada de interesse (estar de férias dá-nos o privilégio de poder acordar às 11 da manhã ou, quem sabe, até mais tarde), um tempo a responder a e-mails e um almoço tardio. Hoje as condições atmosféricas não me permitiram dar o meu mergulho e apanhar o meu sol, o que me faz sentir particularmente indignada!
Durante o dia, a parte do almoço (não digo hora por não ter uma hora específica para tal) é a minha preferida e não, não é por ir comer; é que quando chega a altura de ir almoçar há uma certa adrenalina: como não sou grande coisa na cozinha (ok, não sei fazer nada), tenho a de andar à procura do que tenho pela cozinha, o que pode ser variadíssimas coisas: restos de almoços/jantares de alguns dias (cá em casa não se deita comida fora, e um desperdício), ou uma refeição congelada (digo já que faço um Bacalhau à Brás da "4 Salti" de comer e chorar por mais
) ou uma qualquer comida rápida, como pizza (é o de hoje, mini-pizzas de queijo e fiambre :P).
Claro que depois de comer há sempre aquela parte do limpar e confesso que esse não é propriamente o meu momento preferido, mas o meu dia acaba por ganhar algum movimento. Esta deve ser a altura do meu dia com maior movimento!
Depois do almoço e de tudo o que implica, passasse uma tarde bastante pacata (uma palavra bastante interessante, pacata... Nao se lhe dá o verdadeiro crédito...adiante).
Por acaso ainda não sei como vou passar a tarde de hoje. As hipóteses também não são muitas, diga-se de passagem; provavelmente vai incluir televisão, umas eventuais idas ao pc, alguma leitura pelo meio, tudo com umas cantorias à mistura (a parte boa de não ter vizinhos, não temos de nos preocupar com o barulho).
E à noite? À noite não há dúvidas: banho, esperar pelos papás, jantar de família, alguma televisão, talvez um pcsinho depois de tirar o irmão de lá e cama.
Realmente tenho um dia muito deprimente... Tenho de começar a sair!

Particularidades

Li um poema que me fez pensar. Agora não me consigo lembrar do porquê de tanta reflexão; nem do poema me consigo lembrar!
Para além disso,pus-me a inventar, e acabou por não sair nada de especial. Na realidade, ficou mesmo mau!
Comecei a cantar, mas não acertava no tom. Maldição!
Dancei, mas os pés não saiam do chão, o corpo não fluía, a mente não flutuava. Porquê?
Tentei pintar, mas nenhuma figura aparecia na tela branca, apenas formas se sentido.

Hum, deixa estar. Não o consigo fazer, mas não digo que o sei. Outras qualidades tenho com que tu nem consegues sonhar ter.



"And now, the end is near;
And so I face the final curtain.
My friend, Ill say it clear,
Ill state my case, of which Im certain.

Ive lived a life thats full.
Ive traveled each and evry highway;
And more, much more than this,
I did it my way.

Regrets, Ive had a few;
But then again, too few to mention.
I did what I had to do
And saw it through without exemption.

I planned each charted course;
Each careful step along the byway,
But more, much more than this,
I did it my way.

Yes, there were times, Im sure you knew
When I bit off more than I could chew.
But through it all, when there was doubt,
I ate it up and spit it out.
I faced it all and I stood tall;
And did it my way.

Ive loved, Ive laughed and cried.
Ive had my fill; my share of losing.
And now, as tears subside,
I find it all so amusing.

To think I did all that;
And may I say - not in a shy way,
No, oh no not me,
I did it my way.

For what is a man, what has he got?
If not himself, then he has naught.
To say the things he truly feels;
And not the words of one who kneels.
The record shows I took the blows -
And did it my way!
"

domingo, 22 de junho de 2008

Longe da plenitude

Nasço, mas não sou ninguém. Sou apenas mais um ser humano a habitar esta Terra quando saio do ventre da minha mãe, mas não sou ninguém. Sou um conjunto de partículas e átomos invisíveis, de músculos e ossos, de sistemas biológicos, mas não sou ninguém.
Tudo o que faço é imitado, é-me exterior; são apenas actos, puros acontecimentos que parecem correctos ou naturais. Não, não são eu; são todos os outros.
Cresço, posso ser mais alto e ter capacidades que não tinha quando nasci, mas continuo a não ser ninguém. Estou em formação, continuo sem ser um ser completo; ainda não tem um sentido, sou apenas um corpo.
É quando começo a pensar por mim que o verdadeiro ser humano se começa a formar.
A partir daí, as minhas acções são minhas,consigo saber o que quero, chego mesmo a tentar encontrar um "sentido para a minha existência".
Mas é necessário existir um sentido? Por que não viver apenas, sem preocupações nem pensamentos do passado?
Porque enquanto crescemos, tudo o que fazemos não é da nossa responsabilidade, a não ser que já pensemos por nós próprios.
Porque qualquer existência será infeliz se questionarmos cada escolha do passado; não existe uma visão do futuro, mas um constante vislumbre de possíveis passados; uma maré de dúvidas e inseguranças.
Nasci. Não era ninguém. Hoje, o meu ser está a formar-se, ansiando atingir a aparentemente impossível plenitude. Não procuro um sentido para a vida; apenas mantenho presente cada motivo que tenho para continuar.

Gélida noite onde procuro

O frio da Noite acolhe-me nesta solidão que sinto. Sim, está frio, muito frio; o vento entra-me no corpo sem qualquer misericórdia, o sangue gela, o corpo arrefece. No entanto, estou confortável nos gelados braços da Senhora da Lua.
A escuridão já não me assusta como antes desde que aqui procurei conforto: aprendi a não ter medo do escuro com o convívio com a Senhora, agora minha companheira. Tenho a Lua e as estrelas para me iluminar. A sua luz é forte, dá-me energia e ânimo para encarar o Sol quando desaparecem na manhã vindoura.
Mesmo assim, continuo a ter receio do astro rei. A sua luz ofusca-me, não me sinto digna de a receber.
Sou um alguém inseguro, tenho receio de cada passo que dou. A gélida noite ensina-me que não preciso de ter medo e tento com ela aprender.
Porque, um dia, gostava de receber a abençoada luz solar. Quem sabe, deixo de ter medo de tudo o que desconheço e poderei sentir o calor do dia em vez do frio da noite.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Portugal no coração - Parte II

E olha, lá se foi o sonho...

Portugal no Coração

Pareceu-me bastante pertinente no dia em que a Selecção Portuguesa de Futebol joga nos quartos-de-final do Euro2008. Aqui vai:

Ohh, que dor de cabeça!...
Onde estava? Quem era? Ela sentia-se tão confusa... Parecia que tinha acabado de acordar de um sonho extremamente estranho e não se lembrava de nada!
Uma tontura tomou conta do seu corpo; deambulava no meio do nada sem saber por onde ía.
Caminha um longo e invulgar caminho; não sabia de que era esse caminho: não era terra, nem muito menos erva! Era uma estranha pedra acinzentada com algumas linhas brancas.
Ao fundo, conseguía ver estranhas árvores, ou o que parecia ser árvores, muito altas, de cores variadas e muitos buracos em todo o seu comprimento; dali, não pareciam ser de madeira, mas sim de algo parecido com pedra, e não aparentava ter qualquer vestígio de folhas!
Ela continuava confusa. O caminho que seguia era incerto, mas parecia ir em direcção às "árvores" que avistava. Sem saber o que fazer, caminhava, receosa, mas ainda com uma réstia de esperança.
Que destino lhe estava reservado? A aproximação deixava-a com medo do que podia aí vir; caminhava sem um rumo certo, à espera de algo melhor.
Ao entrar naquela "floresta", não encontrou ninguém. Nos caminhos, animais de várias cores, tamanhos e feitios estavam parados, uns atrás dos outros. Nunca antes tinha visto algo como aqueles animais; a sua pele era lisa, sem qualquer tipo de pêlos e, inexplicavelmente, conseguia ver o seu interior!
Não quis perder mais tempo perto dos animais adormecidos, estava com medo. Folhas de papel voavam, o vento soprava, sombrio, e ela perguntava-se que lugar era aquele.
Enquanto caminhava, encontrou no chão um pedaço de tecido: era rectangular, com duas cores bastante vivas (verde-esperança e vermelho-sangue) e, na fronteira entre essas duas cores estavam desenhados estranhos símbolos num círculo dourado. Era um tecido tão grande que conseguia enrolar-se nele!
Foi com surpresa que começou a reparar nos vários buracos que havia nas árvores: na sua maioria conseguia ver um pedaço de tecido pendurado idêntico aquele que tinha encontrado! Qual seria o seu significado e, mais importante ainda, onde estavam as pessoas? Alguém colocou ali aqueles tecidos, mas não via ninguém, os caminhos estavam desertos! Não acreditava que aqueles animais estranhos conseguissem voar!
Subitamente, começou a ouvir vozes. Na sua mente, sons que não conhecia apareciam: "PORTUGAL! PORTUGAL!", gritavam.
Apercebeu-se então que as vozes na vinham da sua cabeça, mas sim de um dos buracos perto do chão; ela própria conseguia entrar lá!
Lá dentro, dezenas de pessoas vestidas com as cores do tecido que encontrara gritavam, enquanto permaneciam com o olhar preso numa espécie de caixa muito estreita e pendurada na parede. Nela, várias imagens iam passando; era um grupo de pessoas que corriam atrás de uma bola!
Seria por isso que não via ninguém? Estariam todos a ver aquelas imagens?
Sem se dar conta, também ela tinha começado a gritar e a vibrar com o que via na pequena caixa. Já não se sentia confusa, finalmente tinha um propósito na sua vida: largar tudo e gritar pela Selecção Portuguesa, o que quer que isso fosse!


Tudo isto para dizer que até o ser mais inteligente/estranho/extra-terrestre pode cair no senso comum e reconhecer que não há nada como ser um bom "patriota", ou seja, não há nada como apoiar a nossa Selecção!
Não adoram quando o país pára para A ver? Ou quando todas as campanhas de publicidade aproveitam o facto de Ela ir jogar para terem um tema para os anúncios? Ou quando nos queixamos de tudo mas, desde que Ela ganhe, o nosso país é o melhor? Ahhhhh, meu querido Portugal... Tem esperança, porque ainda deve haver alguém que te adora por tudo o que és, e não apenas pelo que jogas.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Sei?

Abro os olhos e vejo o que parece ser a luz do Sol. É mesmo; o Sol, luminoso, quente, distante… Gostava de ser iluminada por ele, que a minha mente se iluminasse com a luz do Sol…
Acordo e interrogo-me sobre o caminho que irei seguir, hoje e durante a minha vida. Na mente, pontos de interrogação permanecem, lugar de onde já deviam ter desaparecido! Não estou esclarecida quanto ao futuro que quero para mim.
Para lá da incógnita dos anos vindouros, sou obrigada a saber, agora, o que quero ser durante o resto dos meus dias.
Não é frustrante? Por que temos de escolher apenas uma coisa para fazer? Porquê escolher agora, por que não arrumar um pouco mais as ideias, ser o que o vento quiser que sejamos no momento?
Não gosto de me sentir presa a uma ideia, e talvez seja por isso que ainda não sei o que fazer. Até há bem pouco tempo tinha certeza de tudo: sabia o que queria, como organizar o futuro, o que queria fazer… Agora, a incerteza volta.
Acho que têm razão quando dizem que estamos em constante mudança; não há um dia em que seja a mesma pessoa que era no anterior.
Tento afastar-me das trevas a cada dia que passa. Por um lado, tenho essas convicções presentes, mas as escolhas são difíceis de se fazer, especialmente quando ainda se está a crescer. Eu sei que estarei sempre em crescimento, mas estou agora vulnerável a qualquer tipo de manipulação estruturada que me mude o pensamento. Idade do armário, lhe chamam.
Injusta este rótulo que nos põe: adolescentes, e como tal somos todos iguais! Como se enganam… Na realidade, nunca estiveram tão enganados…
É engraçado olhar em volta e saber que não somos nada do que a pessoa que ao nosso lado está estava à espera de encontrar; pensava que ía ver mais um adolescente e calha-lhe isto!
Ao menos de uma coisa tenho certeza: não cairei na banalidade a que os meus comuns se subjugaram. Ou, pelo menos, tentarei não o fazer!
Bem, na realidade, não tenho certezas de nada! Por vezes, é bom viver na busca constante de certezas. Sempre crescemos um pouco mais ainda.

terça-feira, 17 de junho de 2008

"Waiting on the world to change" - John Mayer


Me and all my friends
We're all misunderstood
They say we stand for nothing and
There's no way we ever could
Now we see everything that's going wrong
With the world and those who lead it
We just feel like we don't have the means
To rise above and beat it

So we keep waiting
Waiting on the world to change
We keep on waiting
Waiting on the world to change

It's hard to beat the system
When we're standing at a distance
So we keep waiting
Waiting on the world to change

Now if we had the power
To bring our neighbors home from war
They would have never missed a Christmas
No more ribbons on their door
And when you trust your television

What you get is what you got
Cause when they own the information, oh
They can bend it all they want

That's why we're waiting
Waiting on the world to change
We keep on waiting
Waiting on the world to change

It's not that we don't care,
We just know that the fight ain't fair
So we keep on waiting
Waiting on the world to change

And we're still waiting
Waiting on the world to change
We keep on waiting
Waiting on the world to change
One day our generation
Is gonna rule the population

So we keep on waiting
Waiting on the world to change

Now we keep on waiting
Waiting on the world to change


O senhor não é dos meus artistas preferidos, mas com isto disse tudo!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Batalhas na estrada


Caros amigos, vimo-nos num cenário de guerra na última semana.
O quê, não repararam? Não ouviram falar dos supermercados sem abastecimento, das famílias que correram à procura de bens essenciais para o mês inteiro, da falta de gasolina nos postos e de tudo o resto de se passou no país? Pensaram mesmo que estivesse a falar num cenário com armas e bombas? Nada disso!
Mas, se virem bem, foi mesmo um cenário de guerra! Eu, pelo menos, nunca tinha ouvido falar numa corrida aos supermercados sem ser numa guerra iminente!
Os nossos grandes camionistas (sim, são mesmo grandes) tiveram coragem para fazer o que muitos queriam fazer e não fizeram, mas parece que não deu muito resultado. A gasolina continua no mesmo preço, ou é apenas impressão minha?
Todos sabemos que a culpa deste aumento sem fim é nada mais nada menos do que... Nós próprios, obviamente! Eu pelo menos sabia... E a culpa é nossa porque nos tornámos completamente dependente do petróleo e, agora que começa a acabar, o preço é claro que vai aumentar!
Mas nunca ninguém fala nisto; todos dizem que a culpa é dos governantes/empresas gasolineiras que continuam a aumentar o preço da gasolina.
Meus amigos: abram os vossos bonitos olhos! É claro que os governantes têm a sua cota de culpa porque permitiram esta dependência, mas fomos nós, cidadãos de países desenvolvidos, que nos deixámos levar pela comodidade que o "ouro negro" nos dava. Desde a possibilidade de andar de carro para tudo quanto é lado, até à invenção do abençoado plástico, o petróleo foi, sem dúvida, a descoberta mais importante depois da Revolução Industrial e do início da Imprensa!
O constante aumento do preço dos combustíveis é resultado de uma má gestão dos recursos que o nosso planeta dispõe e tende a dar-nos (ok, podemos culpar os nossos governantes nesse ponto), juntamente com a nossa mente consumidora que não nos larga! Por muito que digam que não passa de especulação, mais cedo ou mais tarde este aumento não vai ter como principal fundamento a especulação!
Sabem o que vos digo? Ao menos os camionista tentaram fazer alguma coisa para mudar isto tudo, mostraram que estavam desagradados! Que fizemos nós?

quinta-feira, 12 de junho de 2008

O lado negro da força e os amantes de croquetes, por Luis Miranda

Uma crónica de Luis Miranda para o semanário "SOL". E não acrescento mais; o texto fala por si: o reflexo de uma sociedade com a mania das grandezas.

" VIP, vem do inglês e é uma sigla. Significa Virgil Islands Party (um partido das Ilhas Virgem Britânicas), Vasoactive Intestinal Peptide (uma hormona contendo 28 resíduos de aminoácidos produzida no pâncreas e hipotálamo, garante a Wikipedia) e Very Important Person (literalmente, pessoa muito importante).

Para esta última definição – e só esta – há uma tenda no Rock in Rio. Em Portugal, e neste festival, acrescente-se uma descrição à sigla VIP: gente bronzeada o ano inteiro com uma atracção particular (e inexplicável) por salgadinhos à borla, que pagou 200 euros por um dia de concertos– o equivalente a dois bilhetes de época para acompanhar a equipa de futebol do Leixões Sport Clube, na época passada.

Dia cinco, quarta data do festival e noite mais barulhenta e menos familiar do Rock in Rio. No Parque da Bela Vista as t-shirt de Metallica faziam parte da farda oficial dos fãs, gente que tem, ou já teve, cabelo comprido. O lado negro da força concentrou-se em peso junto ao Palco Mundo desde muito cedo.

Da varanda da tenda VIP (a organização chama-lhe ‘Área VIP’, mas vamos ser honestos) vê-se o rio Tejo, as torres do Instituto Superior Técnico, os prédios verdes da Praça do Areeiro e a habitação social (Le Corbusier+Taveira?) do eixo Bela Vista-Chelas. Há ainda uma estrutura metálica que, depois de consultar o mapa (item n.º 1) descobrimos ser o Palco Mundo – montado àquela distância parece a invenção de um grupo de oftalmologistas sádicos.

A música que sai do Palco Mundo, quando chega à varanda de 200m2 sobre o parque, é mais cacofonia que estereofonia.

Portugueses
sem filtro


Os Moonspell começaram a tocar há hora em que se serviam os primeiros salgados. A banda de Fernando Ribeiro, uma das mais exportadas (e exportáveis) do panorama nacional, apresentou Night Eternal para uma plateia de seguidores.

Dedicaram uma música aos que se deixam levar «pelo encanto da lua» numa tarde solarenga de Junho, e revisitaram temas antigos de um som que pouco tem a ver com a hora em que foi tocado. O lirismo e intensidade da banda (ópio, unicórnios e fim do mundo) pouco ou nada terão a ver com a lógica ‘bora aí ser todos felizes e amigos’ do resto do festival.

Mas o quinteto aguentou a pose. Enquanto alguns gritavam por Mefistófeles de punhos erguidos no ar – ver ‘Mephisto’, do álbum Irreligious – outros abanavam patos de borracha azuis. ‘Alma Mater’, do primeiro disco Wolfheart, fechou o concerto com o público a cantar como a selecção portuguesa de râguebi antes dos jogos do Mundial.

Fernando Ribeiro, amante de chás e praticante de pilates, não deixou escapar um recado à senhora do primeiro dia, Amy Winehouse: «As bandas de metal não vêm para aqui fazer figuras». Louvável o profissionalismo metalúrgico.

Contagem de metaleiros na tenda VIP: seis.

Antes, no Palco Sunset, Tim (Xutos e Pontapés) e Jorge Palma foram Simon & Garfunkel por uma hora. Tocaram as músicas de um e outro, numa mistura de camaradagem com homenagem e foram dos únicos momentos cantados do dia sem guitarras em distorção. Resultou bem, encaixou na nostalgia de final de dia, mesmo quando Tim insistia em sacar as notas da parte errada da garganta.

Beethoven
e champô


O Palco Mundo viria a receber o metal sinfónico dos Apocalyptica. Os violoncelistas finlandeses que quiseram deixar de ser betinhos e quando decidiram tocar covers de Metallica em 1996. Apresentam agora um reportório vasto onde interpretam temas próprios, revisitam a banda a que prestaram tributo e aceleram temas clássicos – aconteceu com a Sinfonia n.º5 de Beethoven.

Parecem ser mais uma curiosidade que um fenómeno a seguir com interesse. Olhando para o palco, parecia que se estava a assistir a um anúncio de Pantene de longa duração, com os violoncelistas a rodopiarem as suas generosas gadelhas do princípio ao fim do concerto. Uma sessão de metal para bibliotecários: excessivo, burocrático, repetitivo e chato.

Contagem de metaleiros na tenda VIP: zero. Na mesma altura em que a cerveja acabou, líquido que só voltaria a jorrar dali a uma hora. A indignação veio de um jovem de camisa aos quadrados e pullover amarelo cruzado sobre as costas: «Você acha isto normal?». Segurem-no.

É uma espécie de ATL. Os pais vão ao Rock in Rio com os filhos e deixam-nos na tenda VIP. Estão descansados. Ali, naquela lona gigante montada na colina do parque, estão a salvo dos perigos do mundo exterior – apesar do bar aberto. Quando os mais pequenos exigem uma vista mais aproximada do palco, tendo para isso de sair recinto abaixo, está lá a mãe para os obrigar a vestir o casaco de malha: «não tens frio agora mas vais ter mais tarde».

Metal e talheres
de plástico


O metal mais pesado dos californianos Machine Head começava a soar quando os responsáveis pelo catering da tenda VIP destaparam as terrinas de metal. As atenções viraram-se então para os pequenos pratos de plástico (do tamanho de uma mão).

Era escolher entre a massa sem sabor, a carne escorregadia (vaca, porco, frango?), o bacalhau incógnito sob um molho de tomate e os legumes salteados. Tudo servido em doses pequenas para comer com um conjunto de talheres que inexplicavelmente não incluía facas. As entradas, servidas em copos de plástico e pequenas jarras, serviam mais para constrangir - «como é que isto se come?» - do que para matar a fome.

O som que chegava do concerto da banda de trash speed metal era o equivalente a uma turbina de avião durante a descolagem.

Enquanto alguns lutavam com talheres de plástico, outros tentavam sobreviver no mosh pit mais agressivo de todo o festival. Impressionou até os membros da banda que não se fartaram de elogiar o público – a empatia durou do princípio ao fim num concerto sem pontos baixos.

Os Metallica tiveram na noite de ontem um momento de glória. Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, como são conhecidos, têm uma legião de fãs mais que fiel, um reportório gigantesco e um conjunto de músicos irrepreensíveis. As canções, só elas, eram suficientes para conquistar o público. Mas houve ainda a entrega da banda de James Hetfield e companhia. O concerto começou com intensidade e adornos pirotécnicos, solos de guitarra e um baterista que parecia querer tocar no meio do público. Ouviram-se clássicos como ‘Enter Sandman’, ‘One’ e ‘Nothing Else Matters’, temas cantados em uníssono pelos mais de 50 mil presentes naquela noite.

Na tenda VIP restava pouca gente interessada a olhar para o palco. «Isto é horrível, não percebo nada do que o senhor está a dizer», comentava uma adolescente desconsolada. "


Epa, a voz do Senhor Hetfield até que se percebe muito bem... Deve ser da distância a que se encontrava a rapariga, coitada.

Pelos vistos, os croquetes são os nossos melhores amigos.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Quem canta seus males espanta

São os momentos em que nos sentimos a flutuar que nos dão algum sentido. Esses momentos, tão variados, podem ser vividos com as mais variadas pessoas e nos mais variados momentos.
Pessoalmente, sinto-me em extanse quando tudo o que tenho à minha volta não passa de um mundo a leste do meu, onde só está quem quero!
Esse tipo de experiências acontecem frequentemente, porque sou isso mesmo: alguém preso num mundo próprio.
As energias são libertadas de maneiras diferentes. As minhas, libertadas com quem mais amo, não passam de uma apreciação de momentos irrepetíveis, entre outras coisas. Principalmente quando esses momentos são de arrepiar as pedras da calçada.



Momentos irrepetíveis como este, vividos na melhos companhia, só dão mais valor a uma filosofia de vida: há que aproveitar cada segundo passado; nada é em vão.