Sabiam que cerca de 5 a 8% da energia consumida em nossa cada provem de todos os aparelhos electrónicos que estão sempre ligados à tomada? E que uma ventoinha de tecto gasta menos 98% de energia que um ar condicionado? Ou mesmo que a utilização de uma lâmpada fluorescente compacta vai reduzir a emissão de dióxido de carbono (CO2) em valores equivalentes à quantidade libertada deste gás na queima de 230 Kg de carvão? Eu não sabia.
Desde que o termo "Aquecimento Global" se tem vindo a espalhar que tento manter-me atenta a tudo o que engloba e às suas consequências. No entanto, confesso que, apesar de ter em mente essas consequências, dei-me conta que ainda há tanto que posso fazer, juntamente com a minha família que é constantemente bombardeada pelos meus avisos.
Não existe ainda uma consciencialização do problema e somos ainda levados pelas comodidades que a tecnologia dispõe à custa de umas quantas emissões de CO2! Eu falo por mim, que ainda ontem preferi uma boleia do meu pai até à estação de comboios para uma ida à praia do que, por exemplo, o metro! Na altura nem me lembrei das consequências que essa pequena viagem de 15 minutos de carro pudesse ter na atmosfera terrestre, mas o que acontece é que teve.
Na realidade, não é muito difícil mudar alguns hábitos na nossa casa de maneira a esta ser mais ecológica. O problema que encontramos é que estamos habituados e, de certa forma, dependentes de tantos objectos e aparelhos dispensáveis e prejudiciais.
Hoje tenho plena consciência disso. Apenas hoje, depois de não sei quanto tempo a tentar alertar quem me rodeia e a tomar pequenas iniciativas, percebi que tenho ainda um longo caminho a percorrer até conseguir ajudar um pouco mais a Mãe Terra!
Depois de olhar em frente e prever dias aterradores para o planeta, receio pelo meu futuro, mas também pelo dos meus filhos por nascer, sobrinhos e tantos outros familiares que viverão no pico da grande mudança e que terão nos seus ombros o peso das acções tomadas por nós e pelos nossos antepassados!
Este é o único planeta que conhecemos com condições necessárias para a existência de vida. Até agora, podemos ter orgulho em ser os únicos seres que tiveram o privilégio de viver! É por isso que não entendo como podemos deixar que o nosso único lar seja destruído...
Quando olho à minha volta, gosto de ver o jardim da minha casa: a verde relva, as flores de todas as cores, a grande palmeira que me dá sombra... O prazer que me dá poder deitar-me e sentir a brisa a passar, ou a alegria sentida ao ver as brincadeiras do meu sobrinho na piscina. Temo que daqui a uns anos me seja impossível relaxar à sombra da palmeira; o calor será tanto que o melhor será ficar em casa e aproveitar o fresco da ventoinha, os passeios serão dolorosos de dar; não sei se a água da piscina estará fresca o suficiente para nos refrescar, as brincadeiras terminarão.
Daqui a 70 anos, o mar poderá engolir a terra e esta casa desaparecerá.Daqui a 70 anos, todos os locais em que cresci e fui feliz poderão não existir.
Poderão os meus filhos encontrar ainda o prazer da sombra da palmeira da casa dos avós?
Porque vem um comboio contra nós e vai haver uma colisão mais cedo ou mais tardeBono Vox
Título retirado do texto de Bill McKibben publicado na edição especial da revista "National Geographic" do mês de Junho, "Alterações Climáticas"

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