Tudo o que faço é imitado, é-me exterior; são apenas actos, puros acontecimentos que parecem correctos ou naturais. Não, não são eu; são todos os outros.
Cresço, posso ser mais alto e ter capacidades que não tinha quando nasci, mas continuo a não ser ninguém. Estou em formação, continuo sem ser um ser completo; ainda não tem um sentido, sou apenas um corpo.
É quando começo a pensar por mim que o verdadeiro ser humano se começa a formar.
A partir daí, as minhas acções são minhas,consigo saber o que quero, chego mesmo a tentar encontrar um "sentido para a minha existência".
Mas é necessário existir um sentido? Por que não viver apenas, sem preocupações nem pensamentos do passado?
Porque enquanto crescemos, tudo o que fazemos não é da nossa responsabilidade, a não ser que já pensemos por nós próprios.
Porque qualquer existência será infeliz se questionarmos cada escolha do passado; não existe uma visão do futuro, mas um constante vislumbre de possíveis passados; uma maré de dúvidas e inseguranças.
Nasci. Não era ninguém. Hoje, o meu ser está a formar-se, ansiando atingir a aparentemente impossível plenitude. Não procuro um sentido para a vida; apenas mantenho presente cada motivo que tenho para continuar.

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