" Bird of prey flying high, take me on your flight "

sábado, 24 de janeiro de 2009

22.01.2009

Fazem bem em vir até cá; já sabem assim com o que contar.
As nossas vidas mudaram, e hoje estamos aqui, sem podermos fazer o que fazíamos, cada qual com os seus dilemas e limitações.
Vivemos a recordar tempos já passados e, por vezes, longínquos. A realidade é outra, agora, e damo-nos conta que já nada vai ser como antes.
Estamos perto perto do final da estrada, a qualquer altura esperamos ver a luz ao fundo deste túnel em que entrámos; uma saída.
Talvez assim não fiquem tão desapontadas quando chegar a vossa altura. Não vai ser fácil olhar para trás e ver toda uma vida em vós que já não existe, e pergunto-me se esse será um destino querido para alguém.
O fim nada tem de glorioso. É apenas uma passagem, um recordar corrente e uma agonia permanente; até rezamos para que seja rápida!
É ingrata, esta vida; dá-nos tudo, para depois tudo nos tirar, deixando-nos à espera da altura em que acaba este sofrimento, está sensação de perda e de vazio cá dentro, bem no coração!
Por isso gosto tanto de estar com as crianças. Têm uma vida inteira pela frente, a inocência no seu olhar, os sonhos e fantasias. Já nem isso podemos ter agora, nem o correr com o vento; apenas me posso deixar levar.
As crianças têm o dom de confiar em qualquer pessoa; eu apenas desconfio do mais bondoso gesto; sei como pode queimar a aparente boa acção, mas como me põe um pequeno sorriso a alegria que nos é transmitida, o carinho.
Como tudo mudou... Nada é como recordo, está tudo diferente.
Para quem vier depois de mim viver.




(Obrigada pela lição de vida que uma hora de companhia pode dar, quando tantas vezes está à minha frente e eu recuso-me a ver e a aceitar)

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