" Bird of prey flying high, take me on your flight "

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sábado, 16 de janeiro de 2010

Um grande peixe que anda por aí

Não, não tenho qualquer ambição de viver numaconstante fantasia, de olhos fechados para o mundo. Seria bom, mas não o alcançarei.
Mas a história fica tão pouco interessante sem aquela magia que lhe podemos dar...

A magia está em todo o lado, desde ao mais pequeno pormenor ao grande acontecimento. Contando, basta fazer notar a magia que julgamos escondida ou inexistente.

Contarei as minhas histórias mostrando a magia, contando os encontros com gigantes, as cidades perfeitas, os peixes apanhados que eram impossíveis de apanhar ou o trabalho no circo para conhecer o rapaz perfeito.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Ignorância perdida

Ela canta, pobre ceifeira,
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anônima viuvez,

Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.

Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz há o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões pra cantar que a vida.

Ah, canta, canta sem razão !
O que em mim sente 'stá pensando.
Derrama no meu coração
A tua incerta voz ondeando !

Ah, poder ser tu, sendo eu !
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso
! Ó céu !
Ó campo ! Ó canção ! A ciência

Pesa tanto e a vida é tão breve !
Entrai por mim dentro ! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve !
Depois, levando-me, passai !


Fernando Pessoa

__________________


Sim, e ter em aquela independência passada, da despreocupação com aquilo que é certo ou errado. A pura ignorância, o desconhcimento da realidade que tantas vezes dói e pesa numa vida tão curta para haver algo a doer ou a pesar de tal jeito.
Vontade de apenas cantar, livre e alegremente, rodando e girando por entre contos e imaginários tais,que fantasias não bastassem para preencher o caminho.

Ser criança, ou apenas poder esquecer a realidade por uns momentos, e ser conscientemente inconsciente.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Vegetarianismo?

Estou seriamente a pensar tornar-me vegetariana!

Deparei-me com esta realidade quando tomei noção da hipocrisia que é não comer certas especies de peixe que estão sobreexploradas, dado o consumo desenfreado das mesmas, mas a carne, essa, continuo a comer, o que deve ser pior ainda! 
Não se trata de uma escolha ambientalista, apenas, daquelas que aqueles "doidos" que gostam da Terra fazem; é mesmo uma questão de saúde, de bem estar ético e necessidade de sentir-me bem com o que me rodeia.
Porque, para mim, o mal não é o consumo de carne, mas sim as acções realizadas para o podermos fazer. Nesta ânsia de ganhar dinheiro, agimos de tal maneira que não damos conta do quanto gastamos desnecessariamente, do sofrimento que produzimos e das consequências para a nossa própria saúde! O consumo de carne industrializada tem consequências para lá da imaginação, que vão bem longe da defesa dos direitos dos animais: todos os químicos ingeridos pelo animal para nosso belo prazer (e de quem o vende) gere problemas de saúde que julgamos desconectados da carne, como o cancro, por exemplo.

Mas isto de deixar de comer carne levanta uma quantidade de questões bastante pertinentes: então, e o peixe, deixamos de comer também? São animais igualmente. E, se assim for, o que como? Como vou alimentar-me? E deixar de comer ovos e leite e outros derivados, mesmo o fiambre? Vou alimentar-me somente de vegetais? Consigo assim ser alguém saudável?

Ando numa onda de pesquisa para poder responder a estas questões, e a outras com que me deparo. Sei que existem alguns alimentos substitutos, por exemplo soja (apesar da Amazónia estara ser destruída para dar lugar a plantações de soja) ou tofu. E tomei até conhecimento da existência de carne biológica, que é uma alternativa (mais cara, obviamente) à carne industrial e muito mais segura.

Debato-me então com esta minha resolução, digamos de ano novo (que está aí bem perto). E não é uma decisão que tomarei de ânimo leve: adoro o meu bifinho grelhado cheio de molho e muita batata frita! Um bom hamburguer às vezes nem calha mesmo nada mal... 

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

É isto

Aqueles que nascem sob a influência da mesma estrela estão tão destinados a encontrar-se que a imagem da coisa mais bela que exista entre eles entra nos olhos de um e é logo transmitido à alma do outro. E essa transmissão é sempre conforme uma outra imagem, preexistente, que foi impressa nos celestiais véus da alma no momento da procriação. E impressa na própria alma, também

Mansilio Ficino


Sim, romântica incurável.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

" O Caderno Secreto de Leonardo ", de Jack Dann - Reflexão

Na escuridão que se abate sobre as cabeças, a esperança e a luta tentam prevalecer: a esperança de que a escuridão vai acabar e a luta para o tornar realidade.
Recorre-se aos mais variados conhecimentos, mas a preguiça é tanta, a esperança de alcançar algo pelas nossas mãos é tão escassa, que recorremos a uma força espiritual que acreditamos verdadeira.
Nada nem ninguém deve ser julgado por fazê-lo e por aquilo em que acredita, mas o trabalho é nosso, não de Deus.

Condição humana

E por que queremos participar pessoalmente? Porque queremos saber o que se sente, o que se vê. A curiosidade é a essência da existência humana. O destino da nossa espécie é a exploração. Por que motivo é que os grandes exploradores deixaram as costas portuguesas e correram riscos para encontrar uma nova rota para a Índia ou para descobrir novas terras? Pela mesma razão que fomos à lua e pela mesma razão que iremos a Marte.

Eugene Cernan, comandante da Apollo XVII, último homem a pisar a Lua desde 1972


Por que haveria a curiosidade matar o gato se faz parte dele?

Memoriais e cinéfilos de topo

Terminei há tempos a leitura de Memorial do Convento, de José Saramago, e a minha opinião diverge.
Como esperava, é um autêntico suplício ler a escrita de Saramago; é uma leitura extremamente pesada e cansativa (manter uma frase durante 3 páginas é obra!).
No entanto, não deixa de ser uma leitura igualmente interessante. Devo confessar que gostei da história e de vários momentos narrativos, tal como de várias passagens particulares (algumas aqui transcritas).
Mas mantenho a minha opinião: José Saramago não sabe escrever correctamente português.

Há figuras portuguesas tomadas como génios que é quase sacrilégio quando são contestadas - não podemos negar que somos considerados hereges quando dizemos não gostar dos filmes de Manuel de Oliveira!
Talvez valorizados em demasia, talvez não, o que é certo é que se tornaram em figuras incontornáveis.
Pessoalmente, não gosto nem um pouco dos filmes do Manuel de Oliveira e considero Saramago um assassino da gramática portuguesa, mas o primeiro é exemplo para jovens cineastas, e um romance do segundo até é estudado nas escolas. O que mais têm em comum? Prémios e aclamações internacionais.
Será mais um casa de "se são bons o suficiente para serem jurí em Cannes e merecedores de um prémio Nobel (único português, deve ser dito), são bons para nós"?
Em Manuel de Oliveira ainda não encontrei muito valor nos seus filmes parados e inexpressivos, sempre semelhantes (até estou com medo porque está já a adaptar um conto de Eça de Queirós), e em Saramago, apesar de não negar o interesse das suas obras, é pena não saber escrever - por muito que digam que ganhou um Nobel, eu digo que andei 11 anos na escola a aprender que devemos utilizar a pontuação e manter um texto coerente e coeso.

Mas isto sou eu, que ou não sou bem portuguesa, ou gosto de ser do contra.

Ou então sou só desgroviada da cabeça, o que não foge muito à verdade.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Sorrisos

Sorrio, porque chorar dá muito trabalho.
Não vale a pena deixar de sorrir; chorar gasta muito mais energia.
E um sorriso diz muito mais do que uma lágrima.
Sorrio, porque sorrir é comunicar; porque sorrir é mostrar que nada me afecta.

sábado, 25 de julho de 2009

A minha relíquia queirosiana

(...) Eu pergunto-me agora se não te lembras da minha voz... Eu não sou Jesus de Nazaré, nem outro Deus criado pelos homens... Sou anterior aos deuses transitórios; eles dentro em mim se transformam; eles dentro em mim se dissolvem; e eternamente permaneço em torno deles e superior a eles, concebendo-os e desfazendo-os, no perpétuo esforço de realizar fora de mim o Deus absoluto que em mim sinto. Chamo-me a Consiciência; sou neste instante a tua própria consciência reflectida fora de ti, no ar e na luz, e tomando ante teus olhos a forma familiar, sob a qual, tu, mal-educado e pouco filosófico, estás habituado a compreender-me... Mas basta que te ergas e me fites para que esta imagem resplandecente de todo se desvaneça.
Eça de Queirós, A Relíquia


E por mais que tentemos esconder, fugir à realidade de que não podemos manter duas faces para o mundo, um dia será provada a inutilidade da hipocrisia.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Sol Todo o Poderoso

Corpo flutuante em água gelada.
Alimentado pelo sol e pela brisa que passa; corpo dourado deitado em fundo verde, absorvendo cada partícula dos raios que chegam.
Revitalizado pelas ondas que vão e vêm, que levam e trazem sussurradas preces e pedaços de solo; a temperatura contrastante que dá novo alento e vontade.
Desejado, significado de novo alento à existência; a revitalização do ser num único momento exposto à estrela-rainha!
Chegou o momento para brilhar sob um brilho maior.
As preocupações dissipam-se rapidamente com o vislumbramento de dias despreocupados, sem quaisquer planos ou rotina. Um fazer no momento, do momento!
Tudo isto e tanto mais é o Verão! É o pulsar das hormonas com a ansiedade de encontrar entusiasmo e divertimento; a pura despreocupação; é a necessiadade de sair, espairecer, apanhar um novo ar.

Sou movida pelo calor do grande astro; a sua ausência escurece os dias, e os espíritos.
A alegria é necessária. 

segunda-feira, 22 de junho de 2009

" Being John Malkovich " (1999) - uma reflexão


De: Spike Jonze
Argumento: Charlie Kaufman

O marionetista Craig Schwartz (John Cusack), ao deparar-se com a realidade de que tem de arranjar emprego, vê a sua vida ainda mais triste - não consegue que ninguém valorize a sua arte e a sua mulher, Lotte (Cameron Diaz), leva para casa os animais exóticos com os quais trabalha.
É no novo emprego que Craig conhece Maxine (Catherine Keener), por quem se apaixona, e descobre um portal escondido que leva quem quer que nele entre... até ao interior da cabeça do actor John Malkovich!

Não me concentrarei no filme em si, mas em toda a temática apresentada.
A ideia de sermos alguém completamente diferente, já de si, retoma uma série de reflexões e questões.
Juntando isso com a possibilidade de estarmos a ser controlados por algo que nos é exterior, e temos ingredientes de sobra para alguns momentos de actividade cerebral.

A insatisfação do ser em relação ao que é manifesta-se, com certeza, pelo menos uma vez que seja, em toda uma vida; muito provavelmente mais do que uma vez.
Mas e se essa insatisfação cessar momentaneamente, quando nos encontramos pessoas diferentes? Não voltará?
Existindo a possibilidade de ser outro alguém, o meu comportamento seria, inevitavelmente, distinto; sou uma pessoa distinta, as minhas acções serão,portanto, distintas.
No entanto, apelando à natureza inerente ao ser humano ser insatisfeito naturalmente, não acabaria por ser também essa nova existência, mais cedo ou mais tarde, motivo de insatisfação? E, se tal é o caso, não seria essa insatisfação realidade numa nova existência?
Qual é, então, o sentido de querer ser alguém diferente, se, de uma maneira ou de outra, sairemos sempre insatisfeitos com o resultado? Pode, com certeza, resultar durante algum tempo, mas uma camisola também é muito gira quando a compramos até nos cansarmos dela (comparação infundada? Talvez, porque não escolhemos quem somos, mas podemos construí-lo. O princípio é o mesmo).
O mesmo acontece com a busca incansável de respostas a questões que permanecem um autêntico mistério.


Mas, e se formos realmente comandados por qualquer outra alma que em nós está contida? O que escrevo talvez não seja fruto da minha reflexão, mas sim da reflexão de outrém.
Inevitável sentir um sentimento de violação para com o nosso corpo e mente.
Mas estando em nós contida essa alma forasteira, não fará parte de nós, tal como nós somos parte dela?
Inserida na nossa mente, acumulará em si qualquer pensamento, ideal ou sentimento que liga esse corpo a esta alma; duas almas se juntam.
Poderei então afirmar que algo exterior me controla, como se de uma marioneta se tratásse? Até que ponto não terá a minha alma, habitante original do meu corpo, forte influencia da alma forasteira?
Se o agente controlador me controla, faz parte de mim; eu sou também agente controlador. Não sou total marioneta em mãos alheias.



(qualquer pergunta vinda da simples visualização de um filme que chega a ser cómico, mas que é mais filosófico do que o imaginado).

terça-feira, 28 de abril de 2009

Nada

Diversidade humana, de ser, de mente. De pensar.

Nada é igual, e tudo é distinto. A diferença é ponto único e universal, onde nada é igual, nada é semelhante.

Porque o nada é nada. É matéria inexistente, que nem invisível chega a ser. Apenas não existe.
No nada sou crente, porque nem eu o que realmente existe.

sábado, 11 de abril de 2009

Liberdade = ilusão (?)

(texto completado com a ajuda da Diana Moreira e do Pedro Maio, após a visualização do filme Relatório Minoritário. Se o encontrar o finalizado, publico).

Cada acção e cada movimento podem estar determinados pelo acaso daquilo a que chamamos vida; no entanto, quem nos diz que não somos nós que tomamos as nossas próprias decisões?
Em cada cena, no desenrolar da acção com que nos deparámos, uma pergunta persistia: será a liberdade realmente uma ilusão?

Ao saber que cada pensamento livre pode estar errado, muito muda.
Tomamos como certa a "liberdade". Mas o que é mesmo a liberdade? Será o poder fazer tudo o que queremos? Será o poder tomar uma decisão? Serão ambas?
Acabamos por não saber o que será aquilo que tememos tanto perder.
Mas continuamos a (tentar) acreditar que a liberdade não é uma ilusão; não queremos acreditar que é essa a realidade! Precisamos de saber que temos pousado nas nossas mãos o poder de controlar a vida.
Acreditamos que cada caminho tomado é nossa opção.
Acreditamos que não poderá existir outra possibilidade.

Esta crença acaba por tornar-se necessária a cada existência: é o saber que controlamos a nossa vida que nos dá um sentido para caminhar ao longo desta estrada traiçoeira; sem ele, o caminho parece desnecessário.
Apercebemo-nos do valor desta liberdade, real ou ilusória.
Reflectimos sobre cada escolha do passado e cada possível passo do futuro, livre ou determinado.
Passeamos por cada pensamento, tentando perceber cada pergunta, tentando encontrar uma boa resposta. Mas cada vez aparecem mais pontos de interrogação a cada tentativa.

Cada questão mantém-se. Uma tempestade de ventos repletos de tantas incertezas forma-se na mente.

sábado, 14 de março de 2009

Filosofias

Nós não conhecemos nada


Eu penso que posso não conhecer nada,mas conheço o que não conheço.
Conheço que existem conhecimentos que desconheço.
E conheço realmente tudo isso? O que será que conheço, efectivamente?

Tudo e nada.

Eu conheço que não conheço absolutamente.


Corria um caminho desconhecido, escuro, um pântano existêncial.
Será a luz verdadeira? Conseguirei alcançar o estado iluminado? Vem a luz do sol, da razão?
Como seria a existência sem a iluminação dos conceitos?

O que são as crises existências para além da certeza da imperfeiçãodo ser, o querer alcançar o (supostamente) impossível?
Existirá tal coisa?

Contradição: erro, ou dúvida, problema?

A imperfeição existe no processo da perfeição, na tentativa de a alcançar.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Filosofia

As seduções podem aparecer quando menos esperamos, porque é moda

Professor Horácio Rabaça.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

? - Parte II

Tens duas cordas, e em cada dás dois nós.
Ao juntá-las, com quantos nós ficas? 4? Não, 5, com aquele que dás para juntar as cordas.

Ainda acreditas que 2+2 não pode ser igual a 5?

domingo, 15 de fevereiro de 2009

?

2+2=5

Não acreditas? Qualquer dia digo-te como.

A criança em cada um

Os cientistas são adultos felizes, pois mantêm os "porquês" como as crianças


Os cientistas continuam como as crianças, mas será essa constantes problematização, como nas crianças, motivo de felicidade?
O desafio de responder ao que parece impossível responder, encontrar respostas, que cedo darão lugar a novas perguntas e problemas.
São crianças felizes, adultos com felicidade de crianças, mas sem a sua ingenuidade e inocência. Apenas a receptividade a novas realidades e novos mundos, a permanente questão.
Serei um dia como um cientista, para também ser uma criança outra vez, porque o tempo passa e cada vez mais me sinto distante dessa felicidade e inocência.
Estou a crescer, a criança permanece apenas cá dentro, saindo sempre que pode.

Os cientistas não são os únicos.

8 de Fevereiro

Sou, como sempre serei, ser em construção.
No livro que é a minha vida constantes linhas são escritas, as páginas são infinitas, em branco, sem nada.
Sou um ser que não passa de uma tela no qual as linhas são sobrepostas.
As metáforas são imensas.
Sou um ser que aprende e cresce a cada segundo que passa.

sábado, 24 de janeiro de 2009

22.01.2009

Fazem bem em vir até cá; já sabem assim com o que contar.
As nossas vidas mudaram, e hoje estamos aqui, sem podermos fazer o que fazíamos, cada qual com os seus dilemas e limitações.
Vivemos a recordar tempos já passados e, por vezes, longínquos. A realidade é outra, agora, e damo-nos conta que já nada vai ser como antes.
Estamos perto perto do final da estrada, a qualquer altura esperamos ver a luz ao fundo deste túnel em que entrámos; uma saída.
Talvez assim não fiquem tão desapontadas quando chegar a vossa altura. Não vai ser fácil olhar para trás e ver toda uma vida em vós que já não existe, e pergunto-me se esse será um destino querido para alguém.
O fim nada tem de glorioso. É apenas uma passagem, um recordar corrente e uma agonia permanente; até rezamos para que seja rápida!
É ingrata, esta vida; dá-nos tudo, para depois tudo nos tirar, deixando-nos à espera da altura em que acaba este sofrimento, está sensação de perda e de vazio cá dentro, bem no coração!
Por isso gosto tanto de estar com as crianças. Têm uma vida inteira pela frente, a inocência no seu olhar, os sonhos e fantasias. Já nem isso podemos ter agora, nem o correr com o vento; apenas me posso deixar levar.
As crianças têm o dom de confiar em qualquer pessoa; eu apenas desconfio do mais bondoso gesto; sei como pode queimar a aparente boa acção, mas como me põe um pequeno sorriso a alegria que nos é transmitida, o carinho.
Como tudo mudou... Nada é como recordo, está tudo diferente.
Para quem vier depois de mim viver.




(Obrigada pela lição de vida que uma hora de companhia pode dar, quando tantas vezes está à minha frente e eu recuso-me a ver e a aceitar)