Como primogénita do Faraó seu pai, Tutmés I, foi deixada de fora da linha de sucessão com o nascimento do seu meio irmão, Tutmés II, que mais tarde se tornaria seu marido (o incesto não era um grande problema no Egipto).
Dando apenas uma filha como herdeira (que, tal como a mãe, não podia suceder ao trono - o poder faraónico devia apenas passar de pai para filho), foi uma outra mulher que dera um filho ao Faraó.
Mas a morte do mesmo, com o filho ainda pequeno para governar, levou Hatchepsut a tomar o lugar de Rainha regente até o enteado ter idade suficiente.
A Rainha tinha, biologicamente, o direito de estar ali; ao contrário do irmão, tinha o verdadeiro sangue real a correr-lhe nas veias (o seu pai tinha sido um «farao adoptado», mas a mãe era descendente dos verdadeiros reis), e era ela a primogénita. Na sua cabeça, fazia sentido ser tomada como Faraó como qualquer outro.
Não se contentou com o título de Rainha; quebrou os limites do género e proclamou-se como Faraó, indo contra os princípios religiosos e sociais da época.
Mesmo assim, ostentando símbolos e títulos de poder masculinos, sempre tivera o cuidado e orgulho de se representar como mulher!
E foi dos maiores reinados da XVIII Dinastia. Mandou construir um património tal, deixou o seu coração cravado nas paredes dos seus edifícios e monumentos.
Durante os 21 anos em que reinou, deixou de lado a figura daquele de deveria ter sido sucessor do seu marido/irmão e fez justiça à sua linhagem e à sua posição biologicamente justificada.
Mesmo sendo mulher, conseguiu ter o apoio do povo e de sacerdotes (as oferendas muito pagam); restabeleceu importantes alianças e reinou um reino próspero!
As suas vitórias foram gravadas na pedra, apesar dos esforços do seu enteado (e sucessor) para as apagar após a sua morte.
Todo o mistério em volta do desaparecimento da sua múmia e a súbita descoberta da mesma intensifica ainda mais o fascínio pela Rainha Faraó do Egipto!
Quem sabe tenha sido a primeira feminista da História, lutando contra a discriminação de género, como um descendente fora o primeiro monoteísta (Akhenaton).
Preocupava-se seriamente com a sua reputação no futuro; quem sabe talvez tivesse noção da importãncia que o seu povo teria na História da Humanidade.
Durante séculos foi tomada como alguém frio e caulculista, mesmo violento para com o enteado, mas a verdade é que foi umas das épocas mais prósperas do Egipto!
Muitas Rainhas tinham existido antes dela, mas nenhuma que se assumira como homem - como Faraó, como sempre devia ter sido.

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