De: Bille AugustArgumento: Bille August
Blanca (Winona Ryder) começa a história num regresso ao passado, contando a história da sua mãe Clara (Meryl Streep), de seu pai Esteban (Jeremy Irons), e, ao mesmo tempo, a sua.
A pequena Clara desde cedo que se apaixonara por Esteban, um mineiro pobre que pretendia casar com a sua irmã, Rosa. Com a morte desta, o rapaz parte para uma quinta e enriquece e, ao voltar à cidade e vendo uma Clara já mulher, pede a sua mão em casamento.
Partem para a quinta com a irmã dele, Férula (Glenn Close), e acabam por ter Blanca, uma rapariga que se vira contra o pai ao apaixonar-se por um trabalhador da sua quinta, que acabaria por se tornar um revolucionário (Antonio Banderas).
Baseado no romance de Isabel Allende e filmado na Dinarmarca e em Portugal, mostra-nos o Chile, antes e durante a ocupação dos militares no poder.
Este filme, para além das belas paisagens alentejanas (a casa da família Trueba ainda lá está), tem drama e romance: o drama familiar, o amor proibído, e o começo do drama do Chile nas mãos dos militares.
A consistência das personagens e toda a história envolvem-nos de tal maneira que ficamos presos ao ecrã do primeiro ao último minuto.
O trabalho de Bille August, tanto no argumento como na realização, são de elogiar, sem dúvida! Mostra-nos o importante e, dentro dos possíveis, conseguiu uma boa adaptação do livro (apesar das significantes diferenças, provavelmente para não tornar a película demasiadamente extensa).
Uma atenção especial para a caracterização: muito boa, principalmente com a mudança de idade das personagens principais, conseguindo tornar Jeremy Irons e Meryl Streep em dois jovens apaixonados, e mais tarde em dois idosos que vêem a sua vida a terminar. Uma boa caracterização dá ainda maior credibilidade às personagens.
Mas essa credibilidade depende também do trabalho dos actores. Neste filme, é um dos pontos mais fortes! Nomes como Streep, Irons ou Close não ficam indiferentes a ninguém, e aqui temos mais uma prova do porquê.
As interpretações de qualquer um dos actores, não apenas dos principais, é realmente incrível! Prova disso é Vincent Gallo, um papel secundário, que mostra sempre um ar de psicopata, plenamente de acordo com o que vemos da sua personagem.
É um misto de realidade com fantasia. O sobrenatural com o mundo real. Os espíritos com os vivos.
É o romance com o drama, o proibído com o querido, o desejado com o rejeitado.
Eu gostei. E verei outra vez, certamente (nem que seja só para tentar encontrar o Miguel Guilherme, ou para ver novamente a Baixa lisboeta e o Aqueduto das Águas Livres com as Torres das Amoreiras).

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