" Bird of prey flying high, take me on your flight "

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

"Milk"


Tudo começou com uma pequena loja em São Francisco, e acabou numa luta afincada pelos direitos civis da comunidade gay.

Vamos retroceder até finais dos anos 70, onde encontramos Harvey Milk sentado na sua cozinha a gravar as cassetes que queria que fossem ouvidas caso fosse assassinado; o nosso narrador ao longo da película. A notícia desse seu destino, e a sua luta, que o levou à gravação de tal legado.

Quando Sean Penn começa a falar, a agir, a comportar-se como a sua personagem, um único pensamento: não, este não é o Sean Penn, é uma recriação de Harvey Milk, do Penn só vejo o corpo! Que Oscar mais bem merecido... Esse, e o de Melhor Argumento! Dustin Lance Black escreveu tudo aquilo que devia ser escrito, e tudo aquilo que devia ser dito.
No entanto, voltando às interpretações, o mérito obviamente que não vai todo para Penn. Fiquei muito e positivamente impressionada com as interpretações de cada um doa actores, claro que uns mais do que outros. Destaco, sem dúvida, Emile Hirsch. Gostei imenso do seu papel, desde ao modo como falava à sua maneira de agir. Também Diego Luna me surpreendeu. Foi um pequeno papel, sim, mas mostra grande versatilidade (passar de um empregado num aeroporto e de um dançarino para um gay com tal profunidade... há que dar algum crédito).

Uma das coisas de que mais gostei no filme foi o carácter quase documentário. No meio das cenas actuais, filmadas nos estúdios de Hollywood, os depoimentos reais, as filmagens da época com quem realmente estava dentro daquele ambiente revolucionário, as notícias, as pessoas... Queriam mostrar uma realidade, e conseguiram! Indo buscar estas filmagens e documentações deu um ar mais realista à produção. Isso, e colocar, nas televisões, as imagens gravadas agora, como se da época fossem. Um toque de classe.
A caracterização, como tal, esteve á altura, ou pelo menos pareceu estar de acordo com o que me foi possível distinguir de tanta filmagem verídica.

Curiosa como estava, encontrando algo de familiar neste filme, pesquisei um pouco sobre Gus Van Sant, e descobri algo que rapidamente me fez sentido: tinha sido o realizador de Last Days, filme acerca de uma estrela de Rock em decadência, baseado na história de Kurt Cobain. A sua marca, em Milk, está lá. Nunca fui muito boa a saber nome de realizadores.
O retroceder no tempo, o começar com o fim, e o acabar com o início. Os planos para aproximar o espectador do filme do espectador da cena. O captar o que é importante.

É um filme completo, e bastante actual. Na verdade, escolheram a altura perfeita para o lançar; uma altura em que a comunidade gay mais uma vez luta por justiça.

Harvey Milk quis que a sua luta continuasse para que ninguém se precisasse de esconder. A luta continua, disso podes ter a certeza.
Porque, apesar de todo o avanço a que o seu primeiro desejo levou, a igualdade total ainda não é uma realidade, e muito falta para que a discriminação acabe. A mentalidade não muda tão facilmente como queremos...

I'll never make it to 50

Hoje sabemos que viveste bem mais do que isso.

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