De: Tony Leondis
Igor é exactamente isso: um Igor. Em Malária, terra dos maiores senhores do Mal da Terra e aprisionada por escuras núvens, quem quer que tenha uma corcunda é considerado um Igor, um mero servo dos criadores do Mal. Acontece que o nosso Igor ambicionava ser um desses criadores do Mal, e vê a sua oportunidade chegar quando o seu senhor tem um acidente, fazendo passar-se por ele ao começar a criar vida para apresentar na Feira Anual do Mal. No entanto, em vez de criar um ser malígno, como sempre quisera, acabou por dar vida a... Magda (ou, na versão original, Eva), uma criatura bondosa.
Mas o malvado Dr. Schadenfreud - considerado por todos o maior criador do Mal, mas apenas um mero ladrão que rouba as invenções dos outros cientistas para ganhar a Feira Anual - tenciona raptar Magda, e apresentá-la como uma invenção sua.
Igor faz lembrar Frankenstien, com o aparecimento de uma criatura que acaba por ser tudo menos aquilo que todos pensam ser.
Apesar de ser um filme de animação, com muitas cenas e tiradas humorísticas próprias para as crianças, este é um filme muito mais inteligente, com um segundo sentido nas palavras que passa despercebido aos filhos dos pais que os levam ao cinema. Basta atentar em alguns pormenores, como o facto de serem os corcundas os menos afortunados, tal como os menos belos, a história de vida de Igor (que tirou licenciatura e mestrado em ser Igor e teve dificuldades em arranjar emprego), ou na lista de coisas que Magda tem de fazer para ser actriz.
É entretenimento, mas é lição de moral. Enquanto que os mais novos saem de lá a saber que não se devem guiar pelas aparências, e que até o mais feio pode ser belo, e que devemos lutar por aquilo que queremos, os mais velhos encontram ali um certo retrato da actualidade. Na terra de Malária (completamente isolada do resto do mundo, sem ninguém que a ajude, enquanto todos têm medo do que os seus habitantes podem fazer) os mais poderosos têm todo o poder e têm na mão os mais fracos. O próprio Rei afinal não passa de um ambicioso que, por querer tanto poder, chega mesmo a mentir a toda a sua população; e o Dr. Schadenfreud, aclamado cientista e valoroso homem, é uma fachada.
A lição de moral é também para nós.
É a escolha entre o Bem e o Mal, e entender que o Mal não compensa, e que o Bem está em todo o ser.
Sim, é um filme de animação, mas considero um must see para toda a família. É um filme extraordinariamente inteligente e, de certa forma, belo.
Muito bom.

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