Tudo tremeu quando 43 mil pares de pés começaram a bater no chão, quando 43 mil pares de mãos começaram a bater palmas.
A expectativa era demasiada; todas as 43 mil pessoas ansiavam que aquele fosse o momento de se levantarem num pulo, com braços no ar e gargantas a arranhar.
A frustração e ansiedade foram constantes até chegar o minuto em que tudo tremeu quando 43 mil vozes se ergueram e proferiram uma só palavra: Golo.
Durante 90 minutos, cinco vezes as 43 mil vozes se ergueram, e nessas cinco vezes tudo tremeu. E tremeu ainda quando todo proferiram os cânticos preferidos, elevando a moral de quem nos faz tremer.
E tudo o que me rodeava era vermelho e branco, num autêntico inferno de Luz. Tudo,menos o verde relvado em que rebolava a bola.
O calor humano não se explica, sente-se.
(a minha tentativa de tornar um jogo de futebol poético. Apesar de me insurgir contra a elevada importância que o futebol tem no país, um jogo no estádio é para mim pura terapia, tal como um concerto - para além de esquecer tudo, ainda tenho oportunidade de deitar para o árbitro as minhas frustrações e ficar rouca para não dizer o que não devo)

