" Bird of prey flying high, take me on your flight "

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

26 de Fevereiro de 1992

O tempo passou depressa. Depressa de mais.
Algumas recordações estão já esbatidas. Tenho pena de não conseguir lembrar-me de momentos de há 11 ou 12 anos atrás, ou até mais, que fizeram parte de mim.
Um dia lembrar-me-ei de todos os momentos e mais alguns. Hoje recordo peças, bocados da vida de uma criança que tem vindo a crescer, e já se passou todo este tempo.

Até agora, não foi mau de todo. Veremos como serão as próximas «voltas ao sol».

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

"Milk"


Tudo começou com uma pequena loja em São Francisco, e acabou numa luta afincada pelos direitos civis da comunidade gay.

Vamos retroceder até finais dos anos 70, onde encontramos Harvey Milk sentado na sua cozinha a gravar as cassetes que queria que fossem ouvidas caso fosse assassinado; o nosso narrador ao longo da película. A notícia desse seu destino, e a sua luta, que o levou à gravação de tal legado.

Quando Sean Penn começa a falar, a agir, a comportar-se como a sua personagem, um único pensamento: não, este não é o Sean Penn, é uma recriação de Harvey Milk, do Penn só vejo o corpo! Que Oscar mais bem merecido... Esse, e o de Melhor Argumento! Dustin Lance Black escreveu tudo aquilo que devia ser escrito, e tudo aquilo que devia ser dito.
No entanto, voltando às interpretações, o mérito obviamente que não vai todo para Penn. Fiquei muito e positivamente impressionada com as interpretações de cada um doa actores, claro que uns mais do que outros. Destaco, sem dúvida, Emile Hirsch. Gostei imenso do seu papel, desde ao modo como falava à sua maneira de agir. Também Diego Luna me surpreendeu. Foi um pequeno papel, sim, mas mostra grande versatilidade (passar de um empregado num aeroporto e de um dançarino para um gay com tal profunidade... há que dar algum crédito).

Uma das coisas de que mais gostei no filme foi o carácter quase documentário. No meio das cenas actuais, filmadas nos estúdios de Hollywood, os depoimentos reais, as filmagens da época com quem realmente estava dentro daquele ambiente revolucionário, as notícias, as pessoas... Queriam mostrar uma realidade, e conseguiram! Indo buscar estas filmagens e documentações deu um ar mais realista à produção. Isso, e colocar, nas televisões, as imagens gravadas agora, como se da época fossem. Um toque de classe.
A caracterização, como tal, esteve á altura, ou pelo menos pareceu estar de acordo com o que me foi possível distinguir de tanta filmagem verídica.

Curiosa como estava, encontrando algo de familiar neste filme, pesquisei um pouco sobre Gus Van Sant, e descobri algo que rapidamente me fez sentido: tinha sido o realizador de Last Days, filme acerca de uma estrela de Rock em decadência, baseado na história de Kurt Cobain. A sua marca, em Milk, está lá. Nunca fui muito boa a saber nome de realizadores.
O retroceder no tempo, o começar com o fim, e o acabar com o início. Os planos para aproximar o espectador do filme do espectador da cena. O captar o que é importante.

É um filme completo, e bastante actual. Na verdade, escolheram a altura perfeita para o lançar; uma altura em que a comunidade gay mais uma vez luta por justiça.

Harvey Milk quis que a sua luta continuasse para que ninguém se precisasse de esconder. A luta continua, disso podes ter a certeza.
Porque, apesar de todo o avanço a que o seu primeiro desejo levou, a igualdade total ainda não é uma realidade, e muito falta para que a discriminação acabe. A mentalidade não muda tão facilmente como queremos...

I'll never make it to 50

Hoje sabemos que viveste bem mais do que isso.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Oscars 2009


A minha primeira vez a ver a entrega dos Oscares da Academia de Hollywood.
Confesso que por momentos pensei: "O que diria eu se estivesse ali, a quem agradeceria?". Talvez a muitos, talvez a poucos,não tenho noção do que faria se me encontrasse em tal (hipotética) situação.
A minha ambição de vida não é ganhar um Oscar, mas com certeza que não seria mau se tal acontecesse. Sou uma grande sonhadora, não é verdade? Se a Kate Winslet imaginava que o Oscar era uma embalagem de champô em frente ao espelho, porque não posso eu?

Como disse Penelope Cruz ao receber o seu prémio por Melhor Actriz Secundária, «a arte é a língua do mundo». Talvez por isso, muitos dos presentes sejam fontes de inspiração, não só para mim, como para tantos outros!
E em noite de serem recompensados por tal inspiração, escolhem um vestido, um smoking, uma penteado para parecerem bem.
E ficam reconhecidos por terem estado naquele palco, a receber tal figurinha.

Será preciso tanto aparato? Talvez não, mas, que interessa? São os Oscares!

E são feitas grandes celebrações para presentear alguns, os melhores, que no meio da superficialidade em que a sua área mergulha cada vez mais, ainda a usam para contar histórias que merecem ser contadas, para dar lições de vida que merecem ser dadas.
O luxo, o glamour, o até desperdício numa época em que sabemos que o devemos evitar. Mas há quem o mereça,por contar histórias e lições que não devem ficar guardadas na gaveta.


Foi uma cerimónia muito rápida, disso não houve dúvida, mas gostei imenso da maneira como introduziram a maior parte dos nomeados, especialmente dos melhores actores/actrizes. Foi uma ideia bastante original e realça o melhor de cada nomeado, para não falar que fez recordar os muitos que já por ali tinham passado.
Hugh Jackman foi, sem dúvida, um muito bom anfitrião. Aquele número do início foi uma grande começo ("I'm an australian, playing an australian, in a movie called Australia" xD)!

Quanto aos vencedores, pensei que o Benjamin Botton ganhasse mais uns quantos, mas o Slummdog era, sem dúvida, o favorito, e seria estranho não ganhar depois de ganhar tantos outros. Na verdade, o único filme nomeado que tinha visto foi o Changeling (o tempo não chegou :S), logo, não pude fazer grandes juízos em relação à maior parte das nomeações, guiando-me apenas por primeiras impressões e opiniões alheias.
Penso que os pontos altos da noite foram, para além dos números musicais (que não deixaram de lado a pompa esperada de tal cerimónia e grandiosidade), a homenagem aos falecidos na indústria (destaque para Paul Newman, merecido), a entrega do prémio de Ledger, a entrega do Oscar ao argumentista de
Milk e o discurso da Kate Winslet (gostei muito, achei muito sentido e sincero. Aquela menção à Meryl Streep... Realmente, deve saber ainda melhor sabendo que se ganhou a tal nome).

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Filosofia

As seduções podem aparecer quando menos esperamos, porque é moda

Professor Horácio Rabaça.

"A Vida num Sopro" - II

Vontade: «dar ou não consentimento aos juízos formulados» - podemos querer uma coisa, e optar por outra.

A liberdade.
Dotados de tal coisa, será tomada como garantida?
O termos vontade leva-nos a ter liberdade, quer ela exista na nossa mente somente, ou como direito socialmente estabelecido.
Neste mundo, somos os únicos seres que se podem gabar de poder optar.

O erro mostra uma vontade mal escolhida? A precipitação da vontade, segundo Descartes. A impulsionalidade.
O meu impulso de mostrar a minha vontade de perguntar o que, supostamente, não devo, como erro que me pode mudar a vida.
A evidência diminui o erro.
Não. O impulso não pode... não deve, ser erro. O impulso é a coragem de fazer algo, que de outra maneira não seria feito.
Vontade, essa, talvez nem sempre deva ser seguida. E, por outro lado, como seres pensantes, sabemos os riscos que advêm de tais acções, tomadas de acordo com a nossa vontade.
O erro, o verdadeiro erro, talvez seja não pensar duas vezes na minha vontade, em vez de a excluir de imediato.
A luta pela liberdade será a minha vontade, o meu impulso demonstrá-la, e por ela lutar. Será um erro? Erro eu por lutar pelo meu direito, sabendo o que daí pode vir?

Será de quem o erro: meu, ou de quem me impede?

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

? - Parte II

Tens duas cordas, e em cada dás dois nós.
Ao juntá-las, com quantos nós ficas? 4? Não, 5, com aquele que dás para juntar as cordas.

Ainda acreditas que 2+2 não pode ser igual a 5?

domingo, 15 de fevereiro de 2009

?

2+2=5

Não acreditas? Qualquer dia digo-te como.

A criança em cada um

Os cientistas são adultos felizes, pois mantêm os "porquês" como as crianças


Os cientistas continuam como as crianças, mas será essa constantes problematização, como nas crianças, motivo de felicidade?
O desafio de responder ao que parece impossível responder, encontrar respostas, que cedo darão lugar a novas perguntas e problemas.
São crianças felizes, adultos com felicidade de crianças, mas sem a sua ingenuidade e inocência. Apenas a receptividade a novas realidades e novos mundos, a permanente questão.
Serei um dia como um cientista, para também ser uma criança outra vez, porque o tempo passa e cada vez mais me sinto distante dessa felicidade e inocência.
Estou a crescer, a criança permanece apenas cá dentro, saindo sempre que pode.

Os cientistas não são os únicos.

14 de Fevereiro

Fico feliz com o sorriso da surpresa. Nada mais importa naquele momento, que nasceu para essa felicidade dupla: sua e de todos os outros por verem o seu sorriso.


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A celebração do amor não acontece apenas num dia, mas em todos os momentos que se passa com alguém amado.

8 de Fevereiro

Sou, como sempre serei, ser em construção.
No livro que é a minha vida constantes linhas são escritas, as páginas são infinitas, em branco, sem nada.
Sou um ser que não passa de uma tela no qual as linhas são sobrepostas.
As metáforas são imensas.
Sou um ser que aprende e cresce a cada segundo que passa.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

"A Vida Privada de Salazar"


Irónico Salazar gostar de cravos, e de os ter nas suas jarras. No final, foram os cravos o símbolo do fim de todo um regime que implementou, do fim da sua ambição de vida.
Custa ver António de Oliveira Salazar como ser humano, como ser humano capaz de amar. Apenas custa porque minha família foi criada numa altura em que o seu regime ainda persistia, e sei que não foram poucas as provações por que passaram devido a toda uma política de repressão, mas sei também que muitos foram os que sofreram ainda mais.

Ao longo do tempo, um sentimento de quase... pena. A sua ambição (tal como a de Adolf Hitler, acredito eu) teve mais motivos do que a pura vontade de ter o poder. No entanto, não se pode negar a sua personalidade autoritária, mais tarde aplicada a todo um país, em relação às pessoas de si mais próximas.
Atrás de si, das suas vivências, os sofrimentos, ou mesmo humilhações, que tantos passaram. E, impedido de chegar onde queria nos campos mais pessoais, bastava-lhe apenas lutar pelo desejo de deitar abaixo a República e de estar à frente de um regime Absoluto.
Quem podia ser ele com aquelas botas...

Tinham, estas pessoas, estes repressores de sociedades inteiras, em certos casos até assassinos, directa ou indirectamente, um lado humano, mas que nunca foi dado a ver. Como poderia alcançar o respeito dos seus súbditos se estes soubessem que também era um ser sensível, que chora, que ama, que deseja, que ri, que anseia por um toque, como o mais impotente dos homens? Que medo poderia ele incutir se soubessem que sentia dor como o camponês, que sentia o coração apertado como o jovem apaixonado pela primeira vez, com a racionalidade trocada?

Devido aos seus demónios pessoais, muitos sofreram. E o seu coração, como ficou ele? A sua consciência?...

Reflexões - "A Vida Num Sopro"


(e volto à saga José Rodrigues dos Santos)

Não acredito já em completas mudanças. Ao passarem as estações, quantos não permanecem sentados no mesmo banco de jardim em que estavam no princípio dos tempos?
E quem sabe não vem desde o início, desde o primeiro dos homens e a primeira das mulheres, Adão e Eva, Homo Sapiens, o mais puro primata.

Nada me diz que a consciência deve mudar a sua forma para a que todos devem ter; talvez seja livre a sua mudança.
Mas não mudam as consciências. E, se mudam, pouco evoluem. Escondem pequenas partes que não acham aceitáveis, a mutação torna-se aparente.
Como tudo o que mostram: aparente.

Vivemos de aparências.

...

Eu própria começo a fartar-me das minhas próprias crises existências...

A Alguém

Não vás, espírito reconfortante; não me deixes sozinha sem saber quem sou!
Vou andando perdida, passeando por caminhos revoltos e sem nexo, teias de aranha numa mente que não entra em consensos.
Não me deixes, que a confusão ganha cada vez mais um papel determinante nesta existência de certo modo solitária.
Queres mesmo deixar-me no meio da minha revolta, muito provavelmente repetida, já entediante? Uma revolta que não sei ser de mim, ou de uma geração, ou do que quer que seja!
O cansaço, pensam, é apenas físico, de um dia em pé andando de um lado para o outro. Sabes bem, no entanto, que o meu cansaço é real, e de físico pouco tem.
Não quero imaginar a minha vida futura se já hoje tenho uma mente cansada, fatigada, que quer largar tudo e fugir!
Espírito, anjo, não me largues, ajuda-me! Será apenas a repetição dos dias, os desejos nunca saciados, o ser em construção que quer ver o que aqui não pode ver, viver o que aqui não vive?
Anjo, pouco eu sei, e tanto quero saber!...
A frustração abate-se sobre um corpo já de si fatigado com as perguntas, e nenhuma solução se aproxima daquilo que anseia.
Mas, de facto, nem sei o que anseio.
Um dia, talvez. Um dia fora desta existência.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

"Cândido"

Está demonstrado que o que existe não pode ser diferente; porque, tendo tudo sido criado para um fim, tudo é necessariamente para o melhor dos fins. Note-se bem que os narizes foram feitos para segurar os óculos e, portanto, nós temos óculos; as pernas foram certamente instituídas para serem calçadas e, por isso, usamos calçado; (...) Por consequência, quem afirma que tudo está bem diz apenas uma asneira. É preciso afirmar que tudo vai pelo melhor

Voltaire


Tudo correrá pelo melhor. Aliás, existem milhares de pessoas a morrer todos os dias para um fim melhor; talvez seja para haver mais comida e água para todos, quando começarem a acabar.
E é para evidenciar a ignorância da sociedade e a manipulação em massa (que do século XVIII até ao século XXI permanece tão actual como era) que existem pessoas como Voltaire.
Obrigada!

Storm Lullaby

There's too much noise
and it's dark as night.
Please, little angel,
hold me tight.

Make me dance and sing
in your warm arms,
dream of a fantasy world
with your magical charms.

Make the rain go,
the time so slow.
Make the night end,
don't have time to spend.

Hold me, angel, so strongly,
as kind us you can be.
In this cold dark night
hold me tight.

I close my eyes
and whisper a prayer:
Oh please God,
make the sun in!


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

«WE ARE KAISER CHIEFS»


Cheguei eram 9.30 da manhã ao Coliseu, dado que ia com a maior fã de Kaiser Chiefs que alguma vez podia existir, e mais duas amiga ao qual me juntei!
A essa hora (e depois de uma pequena passagem pela Brasileira para ver se o Ricky Wilson tinha ido já beber a bica, obrigado Blitz) já estavam pessoas à porta, bem abrigadas da chuva que agora caía.
E lá ficámos, travando conhecimentos e convivendo, enquanto outros mais iam chegando e o tempo ia passando, esperando ansiosamente pelas 20.00 horas, mas mais urgentemente pelas 13.00, que começava a ficar frio e queríamos ir para o átrio, onde estava mais quentinho.

E estavamos nós a comer à porta, por volta das 12.00, quando aparece uma figura esguia, de olho claro e com um cachecol mesmo fofo. À nossa volta muitos diziam "Olha ali o Nick"! E era mesmo. Um autografo e uma foto depois (rapaz muito simpático), começa uma aventura que se prolongará até ao início do concerto.

Ora mal esperávamos nós que, pouco depois de nos instalarmos à beira das escadas do Coliseu, eu e a Joana já almoçadas e os outros a comprar o almoço, chega um apressado que corre com o bilhete na mão. Não ficamos sentadas e vamos atrás dele, encontrando o Ricky Wilson, já rodeado pelo nosso grupo que tinha ficado pacientemente à espera que ele acabasse o seu almoço. E que amor de pessoa ele é, falando connosco e sorrindo para a câmara.

E qual foi o nosso espanto quando, umas cartadas de Uno depois, ainda vemos o Andrew White (estava com pressa, o senhor) e pouco depois o Peanut, o fofo Peanut, que para além da brincadeira ainda nos disse que a música de abertura seria "about the country next door". SPANISH METAL, gritamos todos.

A espera era cada vez mais ansiosa, até à altura de as portas abrirem, as barrigas com borboletas e os nervos a começar a aparecer.
A entrada foi barulhenta (sim, estava com aqueles tipos que não se calavam por nada!), e até ao início de DANANANANAYKROYD (tão bom), foi tão ou mais barulhento.
Não aguentei ser tão esmagada, e tive de pedir ao segurança para me ajudar a sair que queria ir para as bancadas. Lá fiquei, e até fui apanhada pela objectiva da Rita Espanta Espíritos (como quem diz). Conseguem encontrar o Wally?

Foi, sem dúvida, um concerto fenomenal! É impressionante a energia destes senhores em palco, a sua entrega! Eu confesso que gostava já de Kaiser Chiefs, mas agora que, não só os vi em concerto, como tive o prazer de os conhecer, não só têm a minha adoração como fã, como também o meu respeito!
Eu cantei, eu dancei, eu gritei, eu saltei, eu saí dali rouca e completamente suada depois de uma hora e meia disto!
E como eu não parei, não pararam eles. Adorei todas as partes destes momentos musicais e fiquei com uma de muitas certezas: I'll see you next summer!


Sara, prometo que da próxima vez faço tudo para que possas dizer Olá ao Nick!