" Bird of prey flying high, take me on your flight "

terça-feira, 28 de abril de 2009

Nada

Diversidade humana, de ser, de mente. De pensar.

Nada é igual, e tudo é distinto. A diferença é ponto único e universal, onde nada é igual, nada é semelhante.

Porque o nada é nada. É matéria inexistente, que nem invisível chega a ser. Apenas não existe.
No nada sou crente, porque nem eu o que realmente existe.

Ambição de Vida

Um dia, daqui a alguns anos, quero fazer um trabalho com tanta importância como este:
Reportagem da Rádio Renascença, por Teresa Abecasis e Pedro Leal.

É para isto que serve o Jornalismo.

domingo, 26 de abril de 2009

A ouvir



Esta letra diz-me algo...

" The House of The Spirits " (1993)

De: Bille August
Argumento: Bille August 

Blanca (Winona Ryder) começa a história num regresso ao passado, contando a história da sua mãe Clara (Meryl Streep), de seu pai Esteban (Jeremy Irons), e, ao mesmo tempo, a sua.
A pequena Clara desde cedo que se apaixonara por Esteban, um mineiro pobre que pretendia casar com a sua irmã, Rosa. Com a morte desta, o rapaz parte para uma quinta e enriquece e, ao voltar à cidade e vendo uma Clara já mulher, pede a sua mão em casamento.
Partem para a quinta com a irmã dele, Férula (Glenn Close), e acabam por ter Blanca, uma rapariga que se vira contra o pai ao apaixonar-se por um trabalhador da sua quinta, que acabaria por se tornar um revolucionário (Antonio Banderas).
Baseado no romance de Isabel Allende e filmado na Dinarmarca e em Portugal, mostra-nos o Chile, antes e durante a ocupação dos militares no poder.

Este filme, para além das belas paisagens alentejanas (a casa da família Trueba ainda lá está), tem drama e romance: o drama familiar, o amor proibído, e o começo do drama do Chile nas mãos dos militares.
A consistência das personagens e toda a história envolvem-nos de tal maneira que ficamos presos ao ecrã do primeiro ao último minuto.
O trabalho de Bille August, tanto no argumento como na realização, são de elogiar, sem dúvida! Mostra-nos o importante e, dentro dos possíveis, conseguiu uma boa adaptação do livro (apesar das significantes diferenças, provavelmente para não tornar a película demasiadamente extensa).  
Uma atenção especial para a caracterização: muito boa, principalmente com a mudança de idade das personagens principais, conseguindo tornar Jeremy Irons e Meryl Streep em dois jovens apaixonados, e mais tarde em dois idosos que vêem a sua vida a terminar. Uma boa caracterização dá ainda maior credibilidade às personagens.

Mas essa credibilidade depende também do trabalho dos actores. Neste filme, é um dos pontos mais fortes! Nomes como Streep, Irons ou Close não ficam indiferentes a ninguém, e aqui temos mais uma prova do porquê.
As interpretações de qualquer um dos actores, não apenas dos principais, é realmente incrível! Prova disso é Vincent Gallo, um papel secundário, que mostra sempre um ar de psicopata, plenamente de acordo com o que vemos da sua personagem.

É um misto de realidade com fantasia. O sobrenatural com o mundo real. Os espíritos com os vivos. 
É o romance com o drama, o proibído com o querido, o desejado com o rejeitado.

Eu gostei. E verei outra vez, certamente (nem que seja só para tentar encontrar o Miguel Guilherme, ou para ver novamente a Baixa lisboeta e o Aqueduto das Águas Livres com as Torres das Amoreiras). 




sábado, 25 de abril de 2009

Cravo vermelho sai à rua

Amo o meu país, pelas mais variadas razões: foi aqui que nasci, é aqui que cresço, é aqui que vejo cidades belas e paisagens a condizer, com gente disposta a receber com um sorriso.
Tenho, acima de tudo, orgulho no país a que chamo meu!
Não é perfeito, com certeza que não, mas nada o é. E por muitos defeitos que tenha, nada nem ninguém lhe tira o mérito e valor que ganhou com séculos de rica história, perpetuada pelos Cantos de Camões e vozes de fadistas, paredes de azulejos e o orgulho português! E continua  a ser feita.

Ontém, à noite, ouvi Zeca Afonso a cantar Grândola Vila Morena , precisamente passados 35 anos desde a altura que foi ouvida pelas tropas marcando o seu avanço para Lisboa, e o início da revolução.
Esta campanha pelos seus direitos de cidadãos e seres humanos deve ser o meu maior orgulho enquanto portuguesa! Sabe bem saber que foi devido ao sofrimento e coragem deste povo que eu hoje vivo e actuo como o faço.

O 25 de Abrl de 1974 foi uma viragem na História de Portugal. Aliás, desde a sua formação, deve ter sido o maior ponto de viragem do país, ultrapassando mesmo a Implantação da República.
Não tendo vivido na altura, posso apenas imaginar como seria. Os meus pais eram jovens, meus avós não tinham outro remédio se nao viver como podiam (e deviam).
Ainda no outro dia alguém me disse que gostava de ter vivido naquele tempo; era tudo tão diferente... Eu, como espírito livre que me considero, agradeço apenas aos Heróis de Abril (ou seja, a todo um povo) por não me deixarem viver num país oprimido!
A sua coragem foi imensa, fazendo frente a um regime como aquele, sabendo os riscos que corriam. Certamente, a noção do risco era ultrapassada pelo direito de mudança e liberdade!
A partir daquele dia em quePortugal acordou para uma nova era, temos vivido numa constante revolução. O 25 de Abril de 1974 prolongou-se até aos dias de hoje, e não sei quando chegará o seu fim.

Continuarei, sem dúvida, a sentir-me grata por aquele dia. Grata, e orgulhosa, por ver como este povo meu consegue lutar por aquilo que deve ser seu!
Este dia marcou, não uma geração, mas um país! Ainda hoje marca quem não o viveu, mas ficou com a vida marcada pela revolução.
Para dizer a verdade, não sei como expressar o que significa este dia, mas deve ser o dia em que mais orgulho sinto em ser portuguesa!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

" If only I "

If only I
could feel
the sound
of the sparrows
and feel the child hood
pulling me
back again.

If only Icould feel
me pulling me back
again
and feel embraced
by reality
again
I would die
Gladly die


Jim Morrison

Estica dinheiro, estica

Este ano, não está fácil. Os cartazes vão aparecendo, e eu vou querendo ir. Agora com Kaiser Chiefs em Gaia...
O problema é que o dinheiro que se junta hoje é já a pensar no ano que vem, certamente também repleto de despesas.

Como gostava eu de poder ver o futuro para acertar no Euro Milhões...

terça-feira, 21 de abril de 2009

" Blood on Blood "

Só porque hoje me apetece mostrar que é importante

05. Blood On Blood.mp3 - Bon Jovi


Como é Bon Jovi, significa mais.

domingo, 19 de abril de 2009

Ai como o olho engana...

Temos nós a mania de julgar instantaneamente. E depois, dá nisto:

http://www.youtube.com/watch?v=lBTVdnWj1hM

(peço desculpa, não dá para incorporar)

Grande «wake up call», como diz a jurada.

sábado, 18 de abril de 2009

Uma volta ao Sol

Pois é. Há 12 meses atrás, neste mesmo computador, escrevi a primeira mensagem deste sítio, para quem quer que estivesse a ler.
Hoje, mantenho o espírito de querer aliviar a minha mente dos mais variados pensamentos (como se diz numa música, «Thoughts arrive like butterflies»), mas ao longo do tempo algo mudou.
Como em tudo, o objectivo mudará se o estado de espírito mudar.

Veremos onde estaremos daqui a um ano.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O que se ouve por estes lados

Hoje, o Unplugged:

Alive - Unplugged - Pearl Jam

Dá vontade de telefonar a mim mesma só para a ouvir.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Voltamos

O tempo parou durante os dias em que estivemos fora.
Hoje, à mesma hora de sempre, no mesmo lugar de sempre, as mesmas caras de sempre, o mesmo semblante.
Tudo se passou, como se nenhuma interrupção tivesse existido. Apenas poucas coisas mudaram, que podiam ter acontecido num fim de semana, numa tarde.
Não, nada mudou. Tudo está na mesma.

Este vai ser a doer.

domingo, 12 de abril de 2009

" Philadelphia " (1993)


De: Jonathan Demme
Argumento: Roy Nyswaner


Andrew Beckett (Tom Hanks) é um advogado em Philadelphia que, depois de uma grande promoção, acaba por ser despedido, sob a acusação de trabalho mediocre. No entanto, Andrew acredita que a verdadeira razão foi o facto de ter SIDA, doença que começava já a ser visível em termos físicos. Para o ajudar a lutar judicialmente, e depois de visitar 9 advogados que recusaram o seu caso, é Joe Miller (Denzel Washington) que aceita representá-lo, um homofóbico, a princípio relutante, mas que aceita ajudá-lo ao ver a forma como Andrew era discriminado pela sociedade em geral.
A acusação começa, não só uma luta entre o bem e o mal, como também entre a vida e a morte, duas lutas que Andrew se vê a enfrentar.

Em qualquer parte do filme, quem testemunha os acontecimentos sente-se próximo de cada um dos envolvidos. Não apenas pela força com que cada personagem é mostrada, mas também com a aproximação do espectador às mesmas: em cada cena de diálogo, o actor fala para a câmara, como se fôssemos nós com quem estivesse a falar. Realmente, estavam.

Para além de querer ver o filme por ser grande admiradora do Tom Hanks, e saber que este foi um dos maiores papéis da sua carreira até agora, e por toda a dimensão que o filme tem no meio, também porque estava curiosa em relação à interpretação de Hanks, que ganhou o Oscar de melhor actor em 1993, "destronando", por assim dizer, Liam Neeson como Oskar Shindler (interpretação por que já aqui mostrei adoração).
Pois bem que vi o porquê da vitória ter sido dada a Hanks; o seu papel como homossexual com SIDA, lutando pelos seus direitos, dá uma visão abrangente do que se pode passar com alguém que passa o mesmo que Andrew. Nos filmes que já vi com o actor americano, é o primeiro que vejo com tanta profundidade. Ajudada, claramente, pelo óptimo trabalho da caracterização, que mostra os efeitos que esta terminal doença pode ter no corpo e mente de qualquer infectado.
A importância do seu papel talvez tolde um pouco a própria personagem de Denzel Washington, com uma interpretação igualmente excelente! Um homofobico defendendo um homossexual na luta pelos seus direitos é, sem dúvida, uma amostra da reviravolta de sentimentos que alguém pode ter, ao ver o certo e o errado.

Lembrei-me, muitas vezes, de Milk.
Passando-se a história de Harvey Milk anos antes, temos uma certa noção da evolução da mentalidade da população em relação a este tema.
Apesar disso, Philadelphia mostra ainda mais: mostra o aparecimento da SIDA ao público em geral, a reacção da população a este "flagelo" e a falta de informação que existia sobre a mesma. Philadelphia mostra um ponto de ainda maior profundidade: a luta contra a SIDA, isso sim uma doença que pode afectar qualquer um! Demostra como somos iguais, e como, mesmo assim, alguns são discriminados!

Andrew Beckett pode não ter existido realmente, mas muitos como ele existiram, e ainda hoje existem!
O HIV/SIDA ainda é um assunto tabu, não como era anteriormente, mas ainda é. A falta de informação que existe sobre a mesma é ainda hoje assustadora!
Vendo este filme, hoje, podemos também ver como se desenvolveu a nossa mentalidade ao longo dos tempos em relação a este mesmo tópico: houve evolução, mas tanto há ainda a ser feito. Como em muitas outras coisas, mas há que louvar como conseguimos evoluir, devido a histórias como esta.

Duas citações ficaram-me gravadas ao ver o filme:
Uma de Joe Miller - «But we don't live in this court room, do we?» - a igualdade que existe num tribunal não é a mesma que existe lá fora.

Outra de Andrew Beckett - «I love the law (...) ocassionaly, you get to be a part of justice being done» - Que paixão que um homem tem por aquilo que faz, buscando m pouco de justiça, que depois lhe foi tirada.

Há algo de mais em qualquer história

Tão bom...

Tantas vezes já vi que perdi a conta, mas mesmo assim não me canso disto:
Até nem sou a maior crente, mas há algo neste filme... Talvez seja o Egipto, talvez seja a (grande) banda sonora, talvez seja a história...
O que eu sei é que está a gravar, e amanhã já o vejo, do princípio ao fim, a cantar com eles.

sábado, 11 de abril de 2009

Liberdade = ilusão (?)

(texto completado com a ajuda da Diana Moreira e do Pedro Maio, após a visualização do filme Relatório Minoritário. Se o encontrar o finalizado, publico).

Cada acção e cada movimento podem estar determinados pelo acaso daquilo a que chamamos vida; no entanto, quem nos diz que não somos nós que tomamos as nossas próprias decisões?
Em cada cena, no desenrolar da acção com que nos deparámos, uma pergunta persistia: será a liberdade realmente uma ilusão?

Ao saber que cada pensamento livre pode estar errado, muito muda.
Tomamos como certa a "liberdade". Mas o que é mesmo a liberdade? Será o poder fazer tudo o que queremos? Será o poder tomar uma decisão? Serão ambas?
Acabamos por não saber o que será aquilo que tememos tanto perder.
Mas continuamos a (tentar) acreditar que a liberdade não é uma ilusão; não queremos acreditar que é essa a realidade! Precisamos de saber que temos pousado nas nossas mãos o poder de controlar a vida.
Acreditamos que cada caminho tomado é nossa opção.
Acreditamos que não poderá existir outra possibilidade.

Esta crença acaba por tornar-se necessária a cada existência: é o saber que controlamos a nossa vida que nos dá um sentido para caminhar ao longo desta estrada traiçoeira; sem ele, o caminho parece desnecessário.
Apercebemo-nos do valor desta liberdade, real ou ilusória.
Reflectimos sobre cada escolha do passado e cada possível passo do futuro, livre ou determinado.
Passeamos por cada pensamento, tentando perceber cada pergunta, tentando encontrar uma boa resposta. Mas cada vez aparecem mais pontos de interrogação a cada tentativa.

Cada questão mantém-se. Uma tempestade de ventos repletos de tantas incertezas forma-se na mente.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O que se ouve por estes lados

Ouve-se o Help, dos Beatles (como não podia deixar de ser).
Em especial:


Muito bom...


(O John Lennon era tão fofo *.*)

Há muita vida em Markl, em Nogueira e em Ribeiro

Gosto cada vez mais de ouvir e de ler o que diz este senhor
A sério, este homem, tem mesmo muita vida em si. E eu cá vou ouvindo (abençoado podcast do iTunes) e lendo (http://havidaemmarkl.blogs.sapo.pt).

E com ele, vêm mais dois que deliciam os meus momentos em frente do computador:
O senhor Bruno Nogueira, no sítio http://corpodormente.blogspot.com 

E : Pedro Ribeiro em http://osdiasuteis.blogs.sapo.pt

Que bom...

Ladies and Gentlemen

Cada vez mais sei que o cinema, como a música, passa tanta mensagem que tantas vezes não é ouvida...
E é por isso que gosto tanto de cinema e de música.

Obrigada!

" Schindler's List " (1993)


De: Steven Spielberg
Argumento: Steven Zaillian
Aquele que salva uma vida, salva o mundo

Chorei. Houve alturas em que quis apagar a televisão e,por qualquer motivo, não consegui.

Polónia, 1939. Enquanto os judeus são enviados para os guetos, Oskar Schindler (Liam Neeson), empresário checo, abre uma fábrica e, com um gerente judeu, contrata apenas judeus para gastar menos nos ordenados.
Com o passar do tempo, os empregados (agora num campo de trabalho) são pessoas escolhidas para não serem mortas ou torturadas pelos alemães; a fábrica de esmalte de Oskar Schindler passou a ser um refúgio.

Tecnicamente falando, é um filme excelente, em todos os aspectos: realização, caracterização, fotografia e, especialmente, interpretação - não há uma interpretação que não demonstre o sentimento e a emoção como se tivessem vivido na época (com especial atenção para Ben Kingsley, Ralph Fiennes e, sem sombra de dúvida, Liam Neeson).
O preto e branco, o cinzento, combinam na perfeição com o período negro vivido na 2ª Grande Guerra.
De resto, tudo chega cá dentro de uma maneira a que fica indiferente apenas quem concorda minimamente com os ideais anti-semitas.
Desde as inúmeras "eliminações" a sangue frio, com o sangue a escorrer pela branca neve, à separação de famílias como era feito com os escravos séculos antes, ou a esperança que era mantida, numa epoca em que as próprias crianças, que deviam ser ensinadas, agem como os adultos - acham correcto. As outras, sem terem culpa, sofrem sem saber.


Ao ver os camiões a levarem as crianças judias do campo de trabalho para destino desconhecido, acenando aos pais (que, desesperados, tentam chegar aos filhos) sem saber o que os espera, enquanto outros fogem e se escondem, chorei.
Chorei, porque ainda não sei como é que a ira e frustração de um homem se tornou a ira e frustração de uma nação! Os próprios cães estavam treinados para irem contra os judeus!
Como disse uma mulher judia a uma criança que fazia parte da força policial judia, «you are not a kid anymore». Quantas deixaram de ser crianças com o sofrimento e lutas passados...

Oskar Schindler, primeiro sem querer e depois arrependido por não ter conseguido fazer mais, foi um herói!
Utilizando o poder do dinheiro, salvou 1100 pessoas, que ainda hoje lhe estão gratas, tal como os seus descendentes.
Peço por tudo para que não seja preciso existir mais um Oskar Schindler neste mundo, e a esperança é a última a morrer.

Poder é ter todas as justificações para matar, e não o fazer

Ter o poder de salvar é um poder ainda maior.

Hatchepsut, a Rainha Faraó

Hatchepsut(1473-1458 a.C.), como mulher, quebrou barreiras.
Como primogénita do Faraó seu pai, Tutmés I, foi deixada de fora da linha de sucessão com o nascimento do seu meio irmão, Tutmés II, que mais tarde se tornaria seu marido (o incesto não era um grande problema no Egipto).
Dando apenas uma filha como herdeira (que, tal como a mãe, não podia suceder ao trono - o poder faraónico devia apenas passar de pai para filho), foi uma outra mulher que dera um filho ao Faraó.
Mas a morte do mesmo, com o filho ainda pequeno para governar, levou Hatchepsut a tomar o lugar de Rainha regente até o enteado ter idade suficiente.
A Rainha tinha, biologicamente, o direito de estar ali; ao contrário do irmão, tinha o verdadeiro sangue real a correr-lhe nas veias (o seu pai tinha sido um «farao adoptado», mas a mãe era descendente dos verdadeiros reis), e era ela a primogénita. Na sua cabeça, fazia sentido ser tomada como Faraó como qualquer outro.
 
Não se contentou com o título de Rainha; quebrou os limites do género e proclamou-se como Faraó, indo contra os princípios religiosos e sociais da época. 
Mesmo assim, ostentando símbolos e títulos de poder masculinos, sempre tivera o cuidado e orgulho de se representar como mulher!

E foi dos maiores reinados da XVIII Dinastia. Mandou construir um património tal, deixou o seu coração cravado nas paredes dos seus edifícios e monumentos.
Durante os 21 anos em que reinou, deixou de lado a figura daquele de deveria ter sido sucessor do seu marido/irmão e fez justiça à sua linhagem e à sua posição biologicamente justificada.
Mesmo sendo mulher, conseguiu ter o apoio do povo e de sacerdotes (as oferendas muito pagam); restabeleceu importantes alianças e reinou um reino próspero!
As suas vitórias foram gravadas na pedra, apesar dos esforços do seu enteado (e sucessor) para as apagar após a sua morte.
Todo o mistério em volta do desaparecimento da sua múmia e a súbita descoberta da mesma intensifica ainda mais o fascínio pela Rainha Faraó do Egipto!

Quem sabe tenha sido a primeira feminista da História, lutando contra a discriminação de género, como um descendente fora o primeiro monoteísta (Akhenaton).
Preocupava-se seriamente com a sua reputação no futuro; quem sabe talvez tivesse noção da importãncia que o seu povo teria na História da Humanidade.
Durante séculos foi tomada como alguém frio e caulculista, mesmo violento para com o enteado, mas a verdade é que foi umas das épocas mais prósperas do Egipto!

Muitas Rainhas tinham existido antes dela, mas nenhuma que se assumira como homem - como Faraó, como sempre devia ter sido.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Sim, é verdade

Desde que comecei a ler John Lennon, uma espécie de biografia /autobiografia escrita por Cynthia Lennon (primeira mulher do Beatle), devo confessar que ando a ouvir, ler, falare até ver Beatles a mais.

Ao menos é Beatles. É um bom vício.

" Help! " (1965)



De: Richard Lester
Argumento: Marc Behm e Charles Wood

O desaparecimento do anel. A descoberta do seu paradeiro. O sacrifício desperdiçado. Os primeiros acordes de Help, pelos «tão famosos Beatles».

A história não é assim tão confusa: um culto asiático prepara-se para fazer um sacríficio humano à deusa Kali, até que se aparcebem que a sacrificada não tem o anel cerimonial. Este encontra-se no dedo de Ringo Star, famoso baterista da famosa banda The Beatles.
Desde o momento em que tal é descoberto, a sua vida, e a dos seus companheiros de banda, fica em perigo; é perseguido pelos membros do estranho culto e, mais tarde, por dois cientistas meio loucos, enquanto são ajudados por uma suposta inimiga (que, como todas as mulheres da época, era fã dos Beatles) e até pela Scotand Yard.
Na corrida desenfreada por ajuda (e daí Help!), passam por Londres, pelos Alpes Austríacos e até pelas Bahamas. Tudo para salvar Ringo de ser ele o sacrificado, uma vez que tem o anel e não o consegue tirar.

Não é um filme qualquer; é um filme dos Beatles, com os Beatles!
Como tal, não só a banda sonora é "beatleiana" - os planos das performances dão um grande toque à imagem, que bem podiam servir como video clips excelentes -, que vai desde Help a You're gonna lose your girl ou Ticket to ride, como as temáticas são típicas dos Beatles.
Passado um tempo, nota-se a constante utilização do termo "famous", algo constante na vida dos Fab Four que começava a tomar conta das suas vidas, e até da sua música.

Passa uma crítica social ao que os rodeia que possivelmente ficou toldada pelo (elevado) nível humorístico do registo: a constante alusão ao famoso, o extremismo religioso (estão dispostos a matar um Beatle!), mesmo com a intervenção dos cientistas com as suas "grandes" invenções, ou mesmo o modo como viviam os 4 companheiros na(s) sua(s) casa(s) - alusões a James Bond, concluídas, acredito eu, com uma intuitiva performance de Another girl.
É Beatles em todas as partes. Basta ver os seus sorrisos quase traquinas enquanto tocam, ou mesmo o seu humor!
Tem momentos hilariantes, seja por ver Ringo a cair num buraco e tentar assobiar a 9ª Sinfonia de Bethoven a um tigre, seja por ver a cara malévola de John ao tentar convencer Ringo a cortar o dedo ( ou, mesmo, a visão do seu futuro) ou todas as peripécias que vão acontecendo.

E, no final, acaba como começa: com um pedido de ajuda.
Faz pensar se não seria um verdadeiro pedido de ajuda dos rapazes de Liverpool que viam o mundo de uma maneira que não queriam... (Nota: reparar no cartaz do filme e nos seus pedidos de ajuda) 

terça-feira, 7 de abril de 2009

" Atrás das Núvens " (2007)

De: Jorge Queiroga
Argumento: Ricardo Tomé e Jennifer Field

Com a tua idade, devemos acreditar em tudo!


Não há limites para a imaginação! Que o digam Paulo (Ruben Leonardo) e o avô Miguel (Nicolau Breyner).

Paulo queria conhecer o avô paterno, mas a sua mãe (Sofia Grillo) nunca condescendera em tal. Após a morte do seu marido e nascimento do filho, partira para Lisboa e cortara relações com a família do mesmo.
Mentindo à mãe, que pensava que ía para uma colónia de férias enquanto trabalhava, Paulo apanha o autocarro para Estremoz e procura o avô.
Ao conhecer Miguel, descobre um novo mundo; não só o mundo alentejano, mas também o mundo até onde a sua imaginação o pode levar.
A sua imaginação, e o carro do avô. «Um carro mágico».
Basta entrar no carro vermelho no meio do campo, que podemos ir até às núvens, a um passado distante ou a um presente inexistente.

É um drama familiar; a família separada que se reencontra, outra que se redescobre enquanto os acontecimentos se desenrolam.
Os motivos da ruptura não são contados ao neto; são-lhe mostrados, em cada viagem no «carro mágico».
Não podemos dizer que seja um filme genial em termos técnicos. É um bom filme, com a trama a misturar-se com as paisagens alentejanas.
Mas é uma belíssima história!

Uma história em que vemos como a imaginação é uma arma poderosa. Com ela, podemos ir a qualquer lugar!
No entanto, o que importa não é onde ela nos leva, mas o que ela nos traz, ou a ligação que com ela podemos fazer: o reencontro com a família.

Isso é que nos leva às núvens.

domingo, 5 de abril de 2009

Sad Stories

Sad stories, really sad stories,
make me want to cry.
And sad stories, really sad stories,
make me have afraid of life.

But sad stories, really sad stories,
make me want to fight.
'Cause sad stories, really sad stories,
can show you life's brightest side.

I believe I can fly and touch the damn sky

sábado, 4 de abril de 2009

Ageless

Adormecido nas calmas águas
do rio que corria encosta
abaixo.
Corria.
Corria.
Dormia.
Dormia.

Nova viagem, nova aventura.
Novo destino a enfrentar
num novo mundo.
E ainda corria,
corria.
E ainda dormia.

Pairava apenas nas profundezas
da música que ressuscitava.
Fénix renascida das notas
com voz flutuante,
flutuante.

Flutua entre mundos
distantes e próximos.
E não pára.
Continua.
Continua.
Voa.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Pop Art

Que nova paixão tão boa que encontrei:

Kiss V, by Roy Lichtenstein.


Descobri-me hoje uma admiradora da Pop Art, e como gostei eu de descobrir Roy Lichtenstein.

Juntamente com isso, aprofundei ainda o significado de Pin Up, e devo dizer que ajudam apenas ao esteriótipo da mulher como objecto sexual.
Mas, lá no meio, encontrei uma que, apesar de mostrar tudo menos aquilo que significa para mim, ainda me prendeu:

Ambicionava uma carreira na Marinha. Por motivos de saúde, não posso.
Mas há lugar para as mulheres na Marinha. Nem que seja assim...

Beatlemania

O que importa é a música; a transmissão de cada palavra e cada nota, um novo sentimento.
Mas o calor da multidão deixa a música de lado.
No palco, está a celebridade que toca e canta; na rua, aquele que aparece nos jornais e na televisão, de quem todos gostam.

A música passa para segundo plano. Mais importante agora é ver quem é tão adorado, quem majestosamente aparece no palco com guitarras na mão ou se senta à bateria. Quem quer saber da obra criada e ali exposta? Importante é o fenómeno...

A maior parte dos fãs de Beatles na altura em que apareceram não deu conta de quão revolucionários foram no campo musical. Estavam na moda, eram famosos, palavra puxa palavra.
Aquele grupo de jovens fazia música por amor á arte! Ainda mais, foram além das convenções e criaram algo fora do registo habitual da época, com as suas (aparentemente) simples canções, com uma genialidade tal que fazem hoje dos Beatles a maior banda de sempre! Quem o nega que dê um passo em frente.
Na altura, eram apenas 4 rapazes engraçados que até faziam canções e tinham um jeito sedutor e meio doido no palco (e fora dele).
É claro que, talvez, todas as palavras de Love Me Do eram sabidas de cor. Mas até que ponto era isso importante? Giro, giro era gritar em plenos pulmões, não deixar ouvir a música e tentar, em vão, arranjar um pedaço de cabelo!

Em pleno processo de tentar tornar possível o contacto, perdemos noção de que quem procuramos alcançar é também uma pessoa com a sua própria existência.
Quem somos nós para querer fazer delas deuses?
Faço de vós puros deuses musicais, porque mentiria se dissesse que não o foram.
Quem sabe não estarei um dia em frente de Sir Paul McCartney, pedindo apenas que cante um pouco de Help. Um video de tal coisa, juntamente com um pedaço de papel com o seu nome, também não seria mau de todo...

A Hora do Planeta (fotos em breve) - II

No dia 28, em plena hora do apagão (A Hora do Planeta), passei pela ponte sobre o Tejo. Nunca passara de noite e vira tanta escuridão.

A presença do Cristo Rei na paisagem estava bastante apagada, vendo-se apenas um ténue recorte de uma forma no céu. Para os lados de Belém, a luz também era mínima, sem conseguir enxergar qualquer construção de maior porte. Do outro lado, as luzes espalhavam-se, algumas presenças aqui e ali.

Nunca tinha visto Lisboa tão escura como naquela passagem pela ponte António de Oliveira Salazar (ainda é o seu nome, não é? Não que simpatize muito com o senhor...); a imagem nocturna da capital sempre tinha sido de iluminação, vida!

Gostei especialmente de verificar a participação de particulares na iniciativa de desligar as luzes durante uma hora para bem do planeta.
E tantas preocupações...
Que eu tenha notado, não houve muitas (más) consequências da iniciativa.
Só reprimo o inexistente feedback, pelo menos que me tenha apercebido.

E escrevo eu agora à luz de uma fonte não eléctrica.