" Bird of prey flying high, take me on your flight "

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

LINDO!



Até dá gosto!
Seja a jogar contra coxos ou não, um 8-1 calha sempre que nem ginjas.
MEMO BOUM, PÁ!


(tenho os meus momentos de adepta ferranha)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Vítima do assassino em série

As férias são um óptimo pretexto para por-mos em dia o nosso repertório, seja musical, literário, cinematográfico ou televisivo.
Tenho vindo a aumentar o meu nestas semanas, e apesar do cinema ter tido um maior destaque, a maior suspresa que encontrei foi uma série de televisão. Mas não é uma série de televisão qualquer.



Falo de Dexter, série que tem estado nas bocas do mundo há já alguns meses, mas que só lhe tomei o gosto há dias, ao assistir a um dos primeiros episódios (em reposição na Fox, desde a 1ª temporada).
Basicamente, Dexter é sobre... Dexter Morgan, um analista forense que é, nada mais, nada menos, do que um assassino em série. Mas não é um assassino qualquer: graças aos ensinamentos do seu pai adoptivo, Dexter controla a sua sede por sangue matando apenas criminosos que conseguiram escapar à justiça.
Porque Dexter é completamente diferente. A sua necessidade de manter uma aparência normal levaram-no a manter relações superficiais com o mundo, enquanto faz justiça sem ninguém saber.

Fiquei apaixonada por esta intrigante personagem, e agora não quero outra coisa.
São passadas na televisão séries policias de todos os géneros e feitios, mas nenhuma é protagonizada pelo criminoso, pelo assassino. Esta centra-se em Dexter e no que sente, no que o move.
É um contexto diferente no que toca a séries policias.

Por isso, se ainda não tiveram oportunidade de ver, força. De segunda a sexta, na Fox, às 23.50h.
É de sangrar por mais!   (não resisti ao trocadilho)

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Medo perturbador

Apesar de não acreditar na existência de silêncio absoluto, vejo-me inquietada pelo barulho. Aquele barulho que nos acorda quando julgamos existir silêncio: uma voz, o chiar da madeira, um cão a ladrar.
Perturba-me, esse barulho mínimo, especialmente na escuridão.
Como dizia alguém há uns tempos, andamos constantemente com medo. Temos medo do vento, do estalar de uma máquina, de uma peça de roupa que cai, desde que esteja escuro.
Agora, a única luz que há é a que ilumina tenuamente a minha escrita. Ouvi vozes no andar de cima e um gato a miar lá fora.
Sobressaltei-me.
Quando julgo haver silêncio, apenas o barulho me perturba.

" O Caderno Secreto de Leonardo ", de Jack Dann - Reflexão

Na escuridão que se abate sobre as cabeças, a esperança e a luta tentam prevalecer: a esperança de que a escuridão vai acabar e a luta para o tornar realidade.
Recorre-se aos mais variados conhecimentos, mas a preguiça é tanta, a esperança de alcançar algo pelas nossas mãos é tão escassa, que recorremos a uma força espiritual que acreditamos verdadeira.
Nada nem ninguém deve ser julgado por fazê-lo e por aquilo em que acredita, mas o trabalho é nosso, não de Deus.

Condição humana

E por que queremos participar pessoalmente? Porque queremos saber o que se sente, o que se vê. A curiosidade é a essência da existência humana. O destino da nossa espécie é a exploração. Por que motivo é que os grandes exploradores deixaram as costas portuguesas e correram riscos para encontrar uma nova rota para a Índia ou para descobrir novas terras? Pela mesma razão que fomos à lua e pela mesma razão que iremos a Marte.

Eugene Cernan, comandante da Apollo XVII, último homem a pisar a Lua desde 1972


Por que haveria a curiosidade matar o gato se faz parte dele?

Memoriais e cinéfilos de topo

Terminei há tempos a leitura de Memorial do Convento, de José Saramago, e a minha opinião diverge.
Como esperava, é um autêntico suplício ler a escrita de Saramago; é uma leitura extremamente pesada e cansativa (manter uma frase durante 3 páginas é obra!).
No entanto, não deixa de ser uma leitura igualmente interessante. Devo confessar que gostei da história e de vários momentos narrativos, tal como de várias passagens particulares (algumas aqui transcritas).
Mas mantenho a minha opinião: José Saramago não sabe escrever correctamente português.

Há figuras portuguesas tomadas como génios que é quase sacrilégio quando são contestadas - não podemos negar que somos considerados hereges quando dizemos não gostar dos filmes de Manuel de Oliveira!
Talvez valorizados em demasia, talvez não, o que é certo é que se tornaram em figuras incontornáveis.
Pessoalmente, não gosto nem um pouco dos filmes do Manuel de Oliveira e considero Saramago um assassino da gramática portuguesa, mas o primeiro é exemplo para jovens cineastas, e um romance do segundo até é estudado nas escolas. O que mais têm em comum? Prémios e aclamações internacionais.
Será mais um casa de "se são bons o suficiente para serem jurí em Cannes e merecedores de um prémio Nobel (único português, deve ser dito), são bons para nós"?
Em Manuel de Oliveira ainda não encontrei muito valor nos seus filmes parados e inexpressivos, sempre semelhantes (até estou com medo porque está já a adaptar um conto de Eça de Queirós), e em Saramago, apesar de não negar o interesse das suas obras, é pena não saber escrever - por muito que digam que ganhou um Nobel, eu digo que andei 11 anos na escola a aprender que devemos utilizar a pontuação e manter um texto coerente e coeso.

Mas isto sou eu, que ou não sou bem portuguesa, ou gosto de ser do contra.

Ou então sou só desgroviada da cabeça, o que não foge muito à verdade.

Grades verdes

Sento-me no chão, à janela, na esperança de ver algo que me desperte a necessidade de anotar o pensamento.
Na verdade, não vejo nada de diferente: estou rodeada de casas habitadas e inabitadas, uns carros ocasionais, os tão necessários postes de alta tensão e lá ao fundo, mesmo ao fundo, um monte verdejante (que mesmo assim não deixa de ter sido atacado pela construção humana), tudo isto entre barras verdes; o gradeamento da minha varanda.
E apesar dos sons - os risos lá fora, os cães que ladram, os motores, os pássaros - parecerem distantes, sei que basta levantar-me e sair pela porta para me juntar a eles.
Não deixa de se aparentar com uma cela, em que eu sou a prisioneira, aqui, sentada, sem saber quem sou e porque estou aqui.
Gostava de poder voar, mas não tenho asas, nem penas ou cera para fazer umas. Fisicamente, sei que não fui feita para voar.

Observo melhor. Alguém na casa em frente se movimenta, talvez uma criança.
Agora escuto; fecho os olhos e escuto. Não há silêncio. Será o vento, ou mais um carro? Não, é o vento. A Natureza fala, está livre; e eu com ela.
Não existe silêncio absoluto; haverá sempre o som do vento, das folhas a esvoaçar; haverá sempre a respiração de alguém, o roçar do corpo em si mesmo. Não é possível existir silêncio absoluto, porque a Natureza está viva, e a vida cria o som.
Enquanto observo, continuo a olhar por entre verdes grades, mas agora consigo ver mais além. Vejo claramente os cães que ladram para lá da minha visão e os pássaros que voando cantam, tal como vejo as flores com quem o vento dança, escondidas pelas casas ou pela distância que nos separa. Vejo as casas por dentro, enquanto uma família fala, a mãe que avisa o filho, os amigos que se encontram.
Alguém trabalha, agora; oiço o martelar, vejo-o por detrás daquela casa. O trabalho não pára.
Não me encontro numa prisão, nem a minha visão é prisioneira daquilo que os olhos a deixam ver, por isso levantei-me.
Livrei-me das grades verdes, e consigo ver o mesmo que via quando as tinha entre mim e a paisagem.
Posso estar presa a um destino incerto, mas isso não me impede de ver novos caminhos, talvez por eles seguir.

Vejo alguém a partir - fecharam a porta de casa, as janelas, e entraram nos carros. Sigo-os pela estrada fora, com a música ligada, talvez a conversar, enquanto chegam a casa; a distância mantem-nos longe do olhar.
Ao fechar os olhos, cheira-me a comida. É hora do jantar.
Talvez seja a minha hora de jantar; ao fechar a janela e virar costas, vou continuar a conseguir ver tudo o que agora vejo e não vejo.
É o poder da mente, com ou sem grades verdes.

Ainda agora consigo ouvir a Natureza. Mesmo com a janela fechada.

Hoje, 27 de Agosto

Hoje é dia de alegria.
Estreia isto:

E já se pode ouvir isto:

We Werent Born To Follow - Bon Jovi

Sim, é um bom dia.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O meu Memorial do Convento

(...)

(...) Fez vaga menção a pecados que, por se acumularem, vão esquecendo, respondeu que Deus vê nos corações e não precisa que alguém absolva em seu nome, e se os pecados forem tão graves que não devam passar sem castigo, este virá pelo caminho mais curto, querendo o mesmo Deus, ou serão julgados em lugar próprio, quandoo fim dos tempos chegar, se, entretanto, as boas acções não compensarem por si mesmas as más, também podendo vir a acontecer que tudo acabe em geral perdão ou castigo universal, apenas está por saber quem há-de perdoar a Deus ou castigá-lo.


(...)

(...) bendita sejas tu,noite, que cobres e proteges o belo e o feio com a mesma indiferente capa, noite antiquíssima e idêntica (...)


(...)

Ó glória de mandar, ó vã cobiça, ó rei infame, ó pátria sem justiça


José Saramago, in Memorial do Convento

Lembranças


E há 25 anos, dizem que Portugal ganhou a primeira medalha de ouro olímpica.
Carlos Lopes sagrou-se campeão em Los Angeles e fez soar o nosso hino para todo o mundo ouvir.
Há datas que devem ser recordadas, porque a História não se repete, e momento como aquele nunca mais haverá, pois primeira vez há só uma.
Heróis nacionais devem ser lembrados.



E por isso, um à parte, que um herói pode ser herói apenas porque fez rir quem precisasse de rir.
E ser actor, muito principalmente comediante, com poder para dizer mais do que a maioria, com voz que chega a todos e talento que faz sorrir qualquer um, não é fácil.

Por isso se deve celebrar Raul Solnado, que pôs o país a rir em época em que nada havia para fazer rir,e mudou o panorama cómico.
Porque fazer rir não é apenas dizer piadas. Há piadas com mais para pensar do que aquilo que se pensa.
Basta até apenas uma simples sátira à guerra, ou, quem sabe, um simples trovador.
Se não foi o primeiro, foi inspiração para muitos. O resto é conversa.

Façam o favor de ser felizes

Há 40 anos atrás



Por volta de 1969, dizem os relatos, vivia-se numa época de liberdade individual, maioritariamente nos jovens, que mantinham um perfil pacífico e boa onda. As drogas e o "free sex", tal como a música, eram denominador comum na comunidade jovem. O movimento hippie.
Houve então quem se lembrasse de organizar um evento em que, durante 3 dias, no mesmo espaço, tivessem lugar vários concertos, das bandas mais badaladas, espaço esse em que era permitido a permuta nesses 3 dias, pagando de entrada uns simbólicos 24 dolares - chamaram ao evento Woodstock e decorreu em Bethel, Estados Unidos da América, nos dias 15, 16 e 17 de Agosto.

Foram dias loucos. Para além dos concertos, que levaram aquela gente ao rubro com a presença de Janis Joplin, Santana, Jefferson Airplane, The Who e outros 28 artistas, a diversão era constante.
Naqueles 3 dias, o nudismo não incomodava e era até bem vindo, em especial nos banhos no rio; o fumo era como nevoeiro e não havia sinais de qualquer fogo; o "free sex" foi mais free do que nunca, e alguns foram os bebés que nasceram em pleno recinto - os "bebés Woodstock".
As complicações existentes graças à escassez de alimentos e higiene não abalaram ninguém, e a boa disposição estava presente em todos.
Apesar das duas mortes que ocorreram no recinto - uma de overdose e outra resultado de um atropelamento por um camião - , quem lá esteve não esquece, e quem não esteve gostava de ter estado.

Hoje, temos muitos fstivais por onde escolher, com de tudo um pouco, mas o Woodstock foi o primeiro,o único.
O Woodstock foi o pai de todos os festivais, mas nenhum o consegue igualar.

O dia 17 de Agosto, já perto do dia 18, Jimi Hendrix actuou em último.
A história termina assim, com a actuação de um virtuoso artista, mas para sempre ficará escrito que aqueles 3 dias em Agosto de 1969 foram inéditos.

" La Vita È Bella " (1997)


De: Roberto Benigni
Argumento: Roberto Benigni e Vincenzo Cerami

Guido (Roberto Benigni), italiano optimista e com grande maginação, conquista a mulher que ama, Dora (Nicoletta Braschi), e com ela forma uma família, com uma vida com tudo para ser maravilhosa.
No entanto, com a chegada da Segunda Guerra Mundial, essa vida muda, e Guido tenta afastar aqueles que ama da verdade dolorosa que se abate sobre eles.

No início, tem tudo para ser uma comédia com uma belíssima história de amor, mas La Vita è Bella é mais do que isso.
As peripécias por que Guido passa, até à forma como tenta afastar a sua família da realidade da guerra, chegam a ser cómicas, mas é um homem cheio de coragem e de amor.
É também um drama, como são todos os filmes em cenário de guerra, mas La Vita è Bella não é um filme de guerra usual, não querendo retratar a guerra - apenas mostra como alguém se pode sacrificar para salvar quem ama.

A palavra que penso que melhor pode descrever esta película é belo. É, sem dúvida, um filme belíssimo, e não precisamos de entrar em grandes detalhes técnicos para perceber isso, apesar de não podermos negar o encanto particular que Benigni dá, muito principalmente ao interpretar Guido.
O verdadeiro encanto desta obra-prima reside aí, na história, nas personagens (o optimismo de Guido é contagiante), na dimensão dada por Benigni e tantos outros. O ser em italiano ajuda.
Fiquei verdadeiramente apaixonada por tudo o que envolve o filme, e não resisti em deitar uma pequena lágrima aqui e ali.

A vida é bela, sem dúvida, e torna-se muito mais bela quando há alguém que lhe dê uma beleza maior.
Ele fez da vida algo mais belo do que aquilo que já é. É inspirador, em tantas formas.
Encontrei o meu filme preferido.

De volta às origens

De regresso, disponho de apenas mais umas semanas até voltar à minha rotina.
Para este ano lectivo que se aproxima tenho já uma data de planos que devem ser postos em prática, mas por agora, vou-me deixar aproveitar os últimos momentos de férias de que ainda posso gozar.
A praia vai ser companheira.

Sorrisos

Sorrio, porque chorar dá muito trabalho.
Não vale a pena deixar de sorrir; chorar gasta muito mais energia.
E um sorriso diz muito mais do que uma lágrima.
Sorrio, porque sorrir é comunicar; porque sorrir é mostrar que nada me afecta.

Estado de espírito

Felicidade. Estado irrisório e real, temporário mas permanente quando alcançado.
Definição pessoal (como tudo escrito num pedaço de papel e falado através da minha boca).
Irrisório, quase ilusão. A noção de permanente insatisfação torna a felicidade como inalcansável, ou apenas possível durante breves momentos. Mas é real, é sentida por cada fibra do corpo: o coração acelera, e tudo parece estar no devido lugar.
E por isso temporária - é breve o tempo em que nos sentimos plenamente satisfeitos. No entanto, nada nos tira a sensação de plenitude e acerto, companheira ao longo do tempo, mesmo que esbatida por todos os momentos passados.
Mas o idealismo - e um certo romantismo - obrigam-me a acreditar que esse estado irrisório e real, temporário mas permanente, pode ser encontrado e mantido até ao final da existência.
O idealismo faz-me acreditar que é possível. Nisso preciso acreditar para não pensar que tudo é em vão.

Até agora, não me posso queixar. Gostava de ansiar por mais.

domingo, 9 de agosto de 2009

Férias

Amanhã vou-me, desanuviando a cabeça.
Quando voltar, com certeza tenho muito para actualizar.

Inté

Sonho de uma noite de Verão

Aproximo-me do pulpito, que de longe chamava o meu nome e me traía ate si.
Ao chegar próximo dele, comecei a pensar no que iría dizer.
A pressão desapareceu por completo quando a minha boca se abriu, começando dela a sair as palavras, que quase se atropelavam, tal era a sua vontade de sair cá para fora e se mostrarem ao mundo, fazer-se ouvir.
A garganta não teve descanso durante aquele tempo, e nada mais importava do que falar, apenas falar.
A minha mente não pensava, e o discurso saía, fluente, claro, e até apelativo.
Aquilo era o que ansiava, fazer-me ouvir.

Acordei.
Alturas há em que gostava de dizer mais doque aquilo que digo.

sábado, 8 de agosto de 2009

Socorro, chegou a gripe!

Epá, mais uma que vem falar da gripe! Chiça, que isto agora não pára, é gripe aqui, gripe ali, no telejornal e na rádio... Ora bolas!
Mas sejamos realistas; eu penso que a gripe A está para nós como esteve para a Idade Média... Não, para o Renascimento... Não, para o século XIX... não me recordo de nenhuma "epidemia" tão publicitada sem sentido como esta.
E perguntam agora porque é toda esta publicidade a um vírus que já matou centenas de pessoas em todo o mundo e propágasse tão rápido como a notícia de uma qualquer nova namorada do Cristiano Ronaldo é sem sentido, e eu respondo, com certeza: é que as pessoas não têm noção que, por ano, de gripe normal, morrem muitas mais pessoas do que as que já morreram, e é apanhada por muito mais gente.
O que acontece é que este vírus - H1N1 - propágasse com muito mais facilidade,e quem morreu tinha outro tipo de doenças que agravou a gripe, ou estavam já num estado muito avançado.

Por que não se fala antes dos milhares que morrem de malária, cuja prevenção pode ser feita com um simples mosquiteiro?
Há noção da quantidade de Tamiflu armazenado desde a gripe das aves? Como escoar tanto medicamento?
E porque será que não é comparticipado, tal como a vacina, se é já considerado uma epidemia?
Eu confesso que tenho uma certa mania da perseguição, mas custa a acreditar que esta não foi uma jogada oportunista.

Sinceramente, não estou muito preocupada. Não sou pessoa para apanhar gripes, e caso tenha de ser vacinada, como doente crónica tenho prioridade. A minha única preocupação é uma irmã grávida que parece apanhar tudo o que é vírus; isso é que me preocupa.
Ah, e o dinheiro que andam a "roubar" aos que têm medo desta doença e andam já a abastecer-se do medicamento milagroso.
Mas a ser roubados estamos nós já habituados.

E que tal falar agora das urgências nos hospitais?
Não, já chega de saúde por hoje.

domingo, 2 de agosto de 2009

Sentimento de Nostalgia

O tempo passou, e eu cresci. Entrando naquele espaço tão conhecido, vejo que não fui a única.
Cresceu. O espaço é maior do que aquele de que me lembrava, as caras deixaram de ser conhecidas, mas nada mudou para mim. Tem o mesmo cheiro, aquele cheiro que não esqueço. E tem aquela sensação de conforto e isolamento do resto do mundo.
Para mim, ficou o necessário.

Mas nada se compara aquela sensação de regresso ao sítio amado. Aquele lugar em que nos permitimos sonhar e fantasiar com tudo e mais alguma coisa, em que crescemos e brincámos e fomos alguém. Em que fomos crianças.
A minha vila da maresia mudou; essa sim, mudou, mais do que aquele espaço escondido por entre as árvores que nos dáva refúgio.
A minha vila da maresia cresceu mais do que eu.
A minha vila da maresia deixou de ser apenas o meu refúgio, o refúgio dos seus habitantes e de quem ali passásse. Agora é o refúgio de tantos que querem passar bons momentos, à beira-mar.
E fico feliz pela minha vila da maresia. O que importa que mais gente te aprecie o suficiente para gostar de passar em ti os seus dias?
Apenas peço que me deixe aproveiar aquele cheiro a maresia que emana das águas geladas que me abrigavam do calor, que mantenha em si a beleza que me cativava. Sempre será a minha vila da maresia, onde me permito sonhar e fantasiar com tudo e mais alguma coisa.

Ali, sou EU. Ali, me refugio.
Para aquele sítio, nem eu mudei.

sábado, 1 de agosto de 2009

" Igor " (2008)


De: Tony Leondis

Igor é exactamente isso: um Igor. Em Malária, terra dos maiores senhores do Mal da Terra e aprisionada por escuras núvens, quem quer que tenha uma corcunda é considerado um Igor, um mero servo dos criadores do Mal. Acontece que o nosso Igor ambicionava ser um desses criadores do Mal, e vê a sua oportunidade chegar quando o seu senhor tem um acidente, fazendo passar-se por ele ao começar a criar vida para apresentar na Feira Anual do Mal. No entanto, em vez de criar um ser malígno, como sempre quisera, acabou por dar vida a... Magda (ou, na versão original, Eva), uma criatura bondosa.
Mas o malvado Dr. Schadenfreud - considerado por todos o maior criador do Mal, mas apenas um mero ladrão que rouba as invenções dos outros cientistas para ganhar a Feira Anual - tenciona raptar Magda, e apresentá-la como uma invenção sua.

Igor faz lembrar Frankenstien, com o aparecimento de uma criatura que acaba por ser tudo menos aquilo que todos pensam ser.
Apesar de ser um filme de animação, com muitas cenas e tiradas humorísticas próprias para as crianças, este é um filme muito mais inteligente, com um segundo sentido nas palavras que passa despercebido aos filhos dos pais que os levam ao cinema. Basta atentar em alguns pormenores, como o facto de serem os corcundas os menos afortunados, tal como os menos belos, a história de vida de Igor (que tirou licenciatura e mestrado em ser Igor e teve dificuldades em arranjar emprego), ou na lista de coisas que Magda tem de fazer para ser actriz.

É entretenimento, mas é lição de moral. Enquanto que os mais novos saem de lá a saber que não se devem guiar pelas aparências, e que até o mais feio pode ser belo, e que devemos lutar por aquilo que queremos, os mais velhos encontram ali um certo retrato da actualidade. Na terra de Malária (completamente isolada do resto do mundo, sem ninguém que a ajude, enquanto todos têm medo do que os seus habitantes podem fazer) os mais poderosos têm todo o poder e têm na mão os mais fracos. O próprio Rei afinal não passa de um ambicioso que, por querer tanto poder, chega mesmo a mentir a toda a sua população; e o Dr. Schadenfreud, aclamado cientista e valoroso homem, é uma fachada.
A lição de moral é também para nós.

É a escolha entre o Bem e o Mal, e entender que o Mal não compensa, e que o Bem está em todo o ser.

Sim, é um filme de animação, mas considero um must see para toda a família. É um filme extraordinariamente inteligente e, de certa forma, belo.
Muito bom.